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Quando Trish acordou pela manhã e olhou-se no espelho do banheiro, por pouco não cambaleou para trás. Estava horrível. Seus cabelos, longos e lisos, pareciam um ninho emaranhado após a noite agitada, e as olheiras profundas e cinzentas sublinhavam a palidez de seu rosto.

Como alguém conseguiria conviver com aquele estrupício matinal?

Felizmente, nada que um bom banho, o cheiro de shampoo cítrico e o calor do vapor não resolvessem. Ela lavou os cabelos longamente, escovou os dentes e se sentiu, por fim, renovada.

Trish não era fã de maquiagens pesadas; gostava de sua beleza natural, e a verdade era que sua beleza não precisava de retoques. Seu estilo, que ela mesma definia como "dark" na medida certa, e seu comportamento notoriamente rebelde deixavam algumas mães de família receosas, mas ela nunca se importou. Seu lema era "foda-se" para qualquer falatório.

Naquela manhã, porém, ela sentiu um ímpeto de mudança, um desejo de ser rebelde, mas sem a rebeldia extrema. Ela escolheu um vestido soltinho violeta, de um tecido leve que balançava nos joelhos, em vez de adicionar as costumeiras meias arrastão. Seus cabelos ainda estavam úmidos e ela resolveu deixá-los soltos, caindo lisos pelos ombros.

Descalça, sentindo a madeira fria da escada sob os pés, ela desceu.

— Bom dia, Emily!

O sorriso contagiante e o beijo que ela depositou na bochecha de Emily surpreendeu a Quileute, que sorriu timidamente.

— Bom dia, Trish. Espero que esteja feliz assim por finalmente ter aceitado sua permanência aqui.

— Estou tentando aproveitar o máximo que posso. — respondeu, dirigindo-se ao balcão.

Emily a assistiu empilhar no prato duas fatias generosas de bolo de chocolate e dois bolinhos ainda quentes.

— Não vai comer também? — Trish olhou para a garota, que estava de pé ao seu lado, observando-a comer com ceticismo.

Emily puxou uma cadeira e se sentou, mas não pegou nada.

— Não estou com fome.

— Por isso está tão magra. — reclamou Trish, a boca cheia de bolo. Emily apenas deu uma risadinha como resposta, acostumada.

Horas depois, já era meio da tarde. O sol entrava fraco pelas janelas da sala de estar e Trish cochilava no sofá, embalada pelo silêncio.

Ela odiou quando Emily a acordou com um toque suave, dizendo que havia uma pessoa lá fora querendo vê-la. Trish saltou do sofá animada, a esperança infantil martelando em sua mente que talvez fosse o irmão, arrependido, que tinha vindo buscá-la.

A decepção foi avassaladora quando ela pôs os olhos na figura pálida de pé na varanda. Era Dilyan. Sua mãe.

Trish limitou-se a olhar na direção da porta, perguntando-se se deveria ceder à curiosidade ou simplesmente fechar a porta na cara da mãe. A primeira opção, a mais dolorosa, venceu.

— Dilyan? O que veio fazer aqui? Se cansou de brincar e veio me tirar do castigo? — A voz de Trish era fria, cortante.

A palidez da mulher, vista de perto, era ainda mais chocante. Aquela velha e empoderada Dilyan estava esgotada; o brilho nos olhos tinha sumido, substituído por uma exaustão profunda.

É, como as coisas mudam de figura.

— Não, Trish. Na verdade, seu pai e eu estamos entrando no processo de separação, eu queria que você soubesse disso por mim.

Aí estava a explicação para seu estado decadente. No entanto, Trish estranhou a falta de alegria. Dilyan era a primeira a gritar que o casamento estava arruinado.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora