O cappuccino quase frio e os dois cupcakes de red velvet no prato à sua frente não pareciam apetitosos. Eles eram coloridos demais, doces demais, e eram um lembrete vívido da vida que ela havia deixado para trás.
Ela parecia inerte em pensamentos, a testa ligeiramente franzida, enquanto avaliava o tráfego intenso de carros na rua principal de Stanford. O barulho, a pressa, a vibração caótica: tudo ali gritava "vida sem Jacob".
— Não vai comer, Green? O que há de errado? — perguntou Jacob, que parecia desconfortável na cadeira apertada, seus ombros largos demais para o espaço. Ele a observava com a cautela de quem espera um susto.
Trish sequer se deu conta de sua pergunta no primeiro momento. O cheiro de café expresso, açúcar e poeira da cidade a fazia recordar da infância e da adolescência imprudente. Estar novamente em Stanford era absurdamente incansável, ainda mais para ela que tinha uma história de vida ali, cheia de rupturas.
— Talvez eu não devesse ter trazido você até aqui. Não está te fazendo bem. — a insegurança tomou posse de Jacob. Ele temia que ela se lembrasse de tudo que estava perdendo.
Seu semblante decepcionado fez Trish sorrir brevemente e esticar sua mão sobre a mesa, tocando a dele. A pele dele, quente e áspera, era um contraponto bem-vindo ao ar-condicionado frio do café.
— Você me fez um enorme favor, Jake. Estar aqui é sempre... nostálgico. Eu só estava pensando no quanto é diferente. No quanto eu estou diferente.
Jacob sorriu, mas o brilho de seus olhos continuava oscilando, sempre esperando o momento de ela ficar triste novamente.
O sino da porta tocou novamente, mas desta vez o som foi abafado pela entrada de uma rajada de energia. Passando como um relâmpago por ela, vieram Brandon e Allexya. Eles se moviam com a confiança barulhenta de quem se sente dono do lugar.
Jacob enrijeceu, seu corpo se movendo instintivamente, o cheiro de raiva e ciúme misturando-se com o aroma de café.
— Espero que eu não tenha feito a coisa errada. Eu deveria ter previsto isso. — murmurou Jacob consigo mesmo, apertando a mão de Trish.
Trish ainda não havia se dado conta da entrada deles no ambiente, já que estava de costas para a entrada.
Allexya, com seus cabelos loiros platinados caindo em ondas perfeitas, aproximou-se sorrateiramente por trás e vendou os olhos de Trish com os próprios dedos, pegando a Uley desprevenida.
Jacob passou a analisar as unhas impecáveis da loira — eram longas, mas ao mesmo tempo uniformes, pareciam recentemente feitas. O brilho do esmalte azul safira destacava-se em sua pele clara. Enquanto isso, ele assistia seu imprinting tentando adivinhar quem estava tapando seus olhos.
— Lexy! Eu sabia! — gritou Trish, se levantando e se jogando contra a amiga em um abraço efusivo e demorado.
Jacob podia sentir o olhar majoritário e descarado de Brandon sobre ele. O loiro estava parado, braços cruzados, avaliando Jacob de cima a baixo com um escrutínio irritante e pretensioso.
Trish se soltou da loira depois de muito custo e se virou para Brandon, que a pegou nos braços e a rodopiou no ar, arrancando-lhe risos sinceros e altos. Jacob apertou os punhos sob a mesa, forçando-se a sorrir.
— Ei, Jake. — agora foi a vez de Jacob ser abraçado por Allexya. O abraço era firme e rápido, mas os olhos dela eram de alerta, avisando-o de que ela estava no comando.
— Oi, loira.
— Onde está a Nikki? Ela não podia perder isso. — questionou Green, buscando pela outra amiga.
Esse era o ponto chave que manteriam em segredo.
— Ela teve um contratempo. Uma dor de cabeça daquelas. — respondeu Brandon de improviso, a mentira saindo suavemente. — Mas, os primos loiros, lindos e prediletos, vieram te resgatar das garras do cruel.
Jacob bufou e sorriu sarcasticamente, sentindo o sangue subir à cabeça.
— Sério, Brandon? Você não consegue ser adulto nem por cinco minutos? — inquiriu Allexya, irritada com a imaturidade do primo.
— Tudo bem, tudo bem. — o loiro abanou as mãos no ar e se sentou esparramado em uma das cadeiras, virando o olhar para Jacob com uma sobrancelha arqueada.
Jacob permaneceu de pé, rígido, assistindo Trish e Allexya conversarem animadamente. Ele não queria ter que sentar ao lado daquele cara. Mas no fundo o Black sabia que as amigas precisavam de um momento a sós para fofocarem sobre tudo.
— Rapazes, nós vamos dar uma volta e colocar o papo em dia. Coisa de garotas. — informou Allexya, puxando Trish pela mão. — Vocês vão ficar bem sozinhos?
— Pode crer. — respondeu Brandon, cruzando os braços sobre a cabeça e sorrindo. — Eu não posso dizer o mesmo do garotão. Ele parece um guarda-costas estressado.
Jacob o olhou de canto de olho, um olhar que prometia dor. Ele não iria cair na provocação daquele oxigenado, não na frente de Trish.
— Eu vou sair por aí também. Tenho coisas para fazer. — disse Jacob, pronto para dar a meia-volta.
— Pode ficar, eu não mordo. Eu prometi para a Alex que ia ser legal. — provocou Brandon, batucando os dedos na mesa.
Jacob olhou para Trish, que estava quase na porta com Allexya, e ela acenou para que ele se controlasse. Ele sorriu de canto para ela, virou-se completamente na direção de Brandon e se debruçou sobre à mesa, aproximando o rosto a poucos centímetros do dele. O cheiro de Jacob, de terra e lobo, era forte e dominador.
— Mas eu sim. — sussurrou Jacob, a voz rouca e perigosa, sem um pingo de humor. — Tente alguma gracinha, ou faça minha garota chorar de novo, e você vai descobrir o que é ser caçado.
O loiro engoliu em seco, o sorriso congelado, e desviou o olhar para o prato de cupcakes, enquanto Jacob saía da cafeteira, deixando Brandon paralisado e o ar pesado com a ameaça.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
