— Qual a sua dificuldade em encontrar um vestido, garota? — bradou Allexya para Nikki, a frustração evidente em sua voz. Já estavam há aproximadamente duas horas naquela loja de boutique de Stanford, desde que entraram Nikki se trancou no provador com dezenas de vestidos pendurados. A ideia era comprar um vestido para a festa de boas-vindas improvisada que fariam para Trish, um pretexto para mantê-la animada.
Sua decisão de escolha estava mais que passada dos limites e fazendo com que Allexya soltasse fogo pelas ventas.
— O problema é que não consigo me decidir estando sob pressão, Lexy. — Nikki chiou de dentro do provador. — Todos eles me deixaram gostosa. É uma responsabilidade estética muito grande! Qual devo escolher para ser a melhor madrinha?
— Então escolhe a porra de um deles! Qualquer um! — Allexya havia perdido a paciência desde os primeiros minutos de dúvidas da outra. A fome, misturada à preocupação pela amiga grávida, estava amplificando seu mau humor.
— Rosa está tão ultrapassado, o violeta não realça meus olhos, o azul bebê me faz parecer uma boneca... — Nikki resmungava consigo mesma, o som das cabides balançando.
A loira bufou, levou as mãos à cabeça e se levantou, aproximando-se da porta do provador com passos pesados.
— Nikki, eu vou contar até três. Se você não tiver saído desse provador eu mesma vou aí te arrancar! Você está testando minha sanidade, e eu não durmo direito há dois dias! — ameaçou, batendo o pé.
— Você está muito alterada, Lexy. — a outra respondeu, calma demais, ignorando o perigo iminente. — Está com fome? Tome um ar, medite.
— Por um acaso estou sim, Nikki! E faminta. Meu estômago está reclamando há meia hora!
— Foi você mesma quem inventou de sairmos às seis da manhã para vir provar vestidos, não venha me apressar agora. A culpa é sua por não saber planejar.
— Tá, mas já faz duas horas que você está nessa lenga-lenga. É um vestido, não a cura para o câncer! A Trish está preocupada demais para se importar com o seu decote!
Trish, vendo que aquela briga não ia dar em nada, muito pelo contrário, que Nikki iria continuar na sua dúvida cruel, resolveu solucionar o problema de Allexya, que já estava pálida de fome. Ela estava exausta e queria apenas ir para casa.
— Lexy? — chamou, a voz suave.
— Hum? — A loira se virou, os olhos implorando por socorro.
— Que tal irmos na frente procurar uma lanchonete ou algum lugar pra você comer? Pegamos Nikki na volta, quando ela finalmente tomar uma decisão.
— Ah, eu adoraria! É a melhor ideia que você teve hoje, Trish! — O semblante da loira voltou a iluminar-se instantaneamente, grata pela intervenção.
— Vão mesmo me deixar aqui? Sozinha? — chiou Nikki, abrindo um vão na cortina. — Eu posso ser sequestrada, contrabandeada, extraviada, violentad... Pelo menos me comprem uma torta!
Allexya cortou sua fala com um revirar de olhos teatral.
— Ninguém te suporta mais que a gente, fique tranquila. — disse Allexya, puxando Trish. — Aposto que eles sequer pediriam algum resgate, te deixariam na primeira esquina quando você abrisse essa matraca que chama de boca.
— Ei! Mais respeito com a minha pessoa! Eu sou incrível! E esse evento é importante!
— Tchau, Nikki. Escolhe o preto, fica linda. — disse Trish, já saindo de lá.
— Tchauzinho. — despediu-se delas com um breve aceno da mão, voltando-se para o espelho. — Ei, vendedora! Traga o vermelho de volta! E o azul-marinho! E uma água com gás!
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
Loup-garouA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
