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 Trish aproveitou parte da viagem inteira até Seattle para tranquilizar-se em relação ao encontro com a irmã de Jacob. O Mercedes deslizava suavemente pelas rodovias de Washington, mas a mente de Trish corria em círculos.

— Não vai ser tão ruim — tentava convencer a si própria.

O que de mau poderia acontecer? Rebeca odiá-la como Rachel?

Era melhor não pensar. Fechando os olhos, enfim conseguiu calar as vozes em sua cabeça e adormeceu, embalada pelo motor do carro.

Jacob sentia o medo vibrante no corpo da namorada, como uma frequência alta, mas controlada. Ele só queria poder ouvir seus pensamentos e tranquilizá-los. Se ele pudesse silenciar o mundo para que ela fosse feliz, ele seria capaz. Ele já estava perdido de amores por aquela garota; não havia saída. Minimizar aqueles sentimentos, aquelas sensações, nunca foi tão impossível.

Sua preocupação maior não era Rebeca. Ele sabia como ela conseguia ser um amor de pessoa com quem quer que fosse — sempre fora assim. Rachel era a explosiva da família. Ela estava sempre de saco cheio, sempre soltando fogos pelas ventas, destilando sua ira contra Deus e o mundo — mas para quem a conhecia desde a infância, sequer ligava para isso.

Porém, Jacob sabia que Green ainda não fazia ideia de como lidar com ela. Essa relação continuaria sendo turbulenta temporariamente, nada arrefeceria sua irmã. Só pelo fator da Black não ter tentado nada contra seu imprinting e ter sugestivamente se mantido quieta em seu canto todo esse tempo, era de bom tamanho. Hora ou outra, um ponto final seria colocado nessa situação; só era preciso tempo.

 As horas pareciam não passar dentro daquele aeroporto movimentado de Seattle. Todo aquele burburinho, o vaivém incessante de pessoas, umas chegando e outras partindo, fez o estômago de Trish reclamar da demora.

— Vou buscar algo para você comer — disse Jacob, levantando-se da cadeira de plástico desconfortável.

Ela não aguentava mais esperar. Toda aquela demora estava lhe causando estresse.

Minutos depois Jacob voltou com um sanduíche e uma coca-cola gelada e sentou-se novamente, o portão de desembarque parecia um formigueiro humano.

— Maninho! — A voz era alta, alegre e inconfundível.

Foi quase imperceptível para Trish reconhecê-la mediante todas aquelas pessoas de rostos desconhecidos, mas Jacob já havia feito isso. Ele se levantou com uma velocidade que a faria tropeçar.

Não demorou tanto assim para Trish identificar Rebeca. A semelhança com Rachel era mínima. Por serem gêmeas, Trish esperava que fossem idênticas, mas enganou-se. Enquanto Rachel era a cópia mais esguia e tensa de Billy, já Rebeca parecia ter herdado a vivacidade e um sorriso fácil.

Jacob a girava sem parar no meio daquele salão espaçado, como se ela fosse uma boneca de pano, sem esforço algum.

Cautelosamente, Trish se aproximou dos dois em silêncio, mantendo uma pequena distância de um metro.

— Como você cresceu e está um gato! — a Black exclamou, segurando o rosto do irmão entre as mãos. — Puxou mesmo ao papai.

Jacob corou. Era a primeira vez em meses que Trish o assistia corar daquela maneira significativa.

— Oi, querida — Rebeca disse, direcionando o sorriso cativante para Trish. A garota pôde sentir suas bochechas arderem mediante o calor do sorriso e o abraço surpresa. — Você deve ser a sortuda que fisgou o coração do meu irmãozinho.

— Oi — Trish respondeu, a voz quase sumindo em timidez.

Rebeca enfim a soltou à distância de um braço, admirando-a com uma intensidade calorosa.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora