Naquela manhã, seu corpo todo doía. Não era apenas a dor muscular da tensão, mas uma exaustão que pesava nos ossos, e ela se recusava a sair da cama. No entanto, Trish se convenceu de que não ficaria sob as cobertas: lá fora, o dia estava glorioso, o primeiro sol forte que via desde que pusera os pés naquelas terras enlameadas. Ela forçou-se a se levantar e entrou no banheiro.
Uma semana havia se passado desde a visita de Dilyan. Muitas outras coisas aconteceram; dentre elas, Jacob e ela estavam cada dia mais conectados. A proximidade era uma necessidade, era impossível não querer estar perto quando o outro estava longe. Jacob passou a se ausentar clandestinamente das rondas por alguns minutos para poder ficar com ela, maratonando sua nova série favorita, The Originals, no sofá.
A ida a Port Angeles, três dias atrás, lhe rendeu boas risadas, a descoberta de novos sentimentos que ainda estavam a ser avaliados por seu subconsciente, e o mais importante: roupas novas. "Assim você não corre o risco de contrair uma pneumonia", esse foi o argumento usado por Jacob para convencê-la a comprar roupas menos escandalosas e chamativas. Ela só deixou-se convencer porque queria, de fato, sair da rotina monótona e inovar.
Assim que desceu o último degrau da escada, notou Sam parado no meio da sala. O homem a encarava com uma solenidade que fez o ar rarear.
— Trish, eu tenho uma coisa para te dizer e... — titubeou Sam, a voz rouca.
Onde estava o "bom dia"? O assunto parecia sério, forçando-o a assumir uma postura inédita de fragilidade.
— O que foi, Sam? — perguntou ela, a curiosidade misturada ao pressentimento.
— É sobre sua mãe.
Ela bufou e revirou os olhos, o movimento rápido negando o peso da palavra. — Eu não quero saber.
— Mas você precisa. — A voz e a expressão de Sam tomaram a proporção de seriedade necessária. Ele não piscou.
— Tá, então diz. — indagou ela, cruzando os braços sobre o peito, uma barreira física contra o que estava por vir.
— Dilyan não contou a ninguém, mas havia descoberto sobre um câncer em fase avançada no pulmão...
Trish não acreditou de imediato. Dilyan sequer fumava.
— Pegadinha a essa hora do dia? — perguntou, esboçando um sorriso incrédulo. — Achei que não gostasse disso.
— Eu não estou brincando. — Sam manteve o olhar firme.
Sua ficha logo caiu. O sorriso desapareceu, sendo tragado pela palidez repentina.
— Quer dizer que... — O nó que se formou em sua garganta era físico, apertando e impossibilitando-a de dizer a palavra terrível.
— Eu sinto muito. — disse Sam, os olhos baixos, incapaz de encará-la.
Seus olhos marejaram numa velocidade preocupante, não de tristeza, mas de uma fúria gelada e desesperada. A traição da omissão era mais aguda que a da distância.
— Minha mãe... — A voz dela quebrou em um som áspero.
— Eu sinto muito, querida. — lamentou Emily, se aproximando e tocando o ombro dela com a mão macia, cheia de compaixão.
— Não sinta. — bradou Trish, recuando sob o toque da mulher, dando um passo brusco para trás como se a pena fosse fogo. — Você não tem que sentir nada. Você não a conhecia, não sabia nada sobre o que eu passava dentro daquela casa com aquele dois. Vocês não precisam sentir nada. — O olhar dela era selvagem, alternando entre Sam e Emily. — Guardem essa compaixão para quem realmente precisa. — E com essas palavras, que eram um misto de mágoa e orgulho ferido, ela sumiu porta afora, batendo a porta com uma força que estremeceu os quadros da parede.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
