Jacob e Trish ficaram em um silêncio confortável, os corpos ligeiramente afastados na praia, mas a conexão restaurada. Jacob sentia-se um idiota completo por ter reagido daquela forma. A verdade era simples e humana, e ele tentou transformá-la em uma tragédia mitológica.
— Então, eu fui um covarde completo. — ele disse, finalmente, a voz grave.
— Sim. Você foi um covarde completo e um péssimo ouvinte. — confirmou Trish, sem suavizar o golpe. — Mas eu entendo. Você estava com ciúmes.
— Não era ciúmes. Era... o medo de que você realmente não se importasse. — Jacob desviou o olhar, admitindo uma vulnerabilidade que não costumava mostrar.
Trish tocou o braço dele, uma pressão firme.
— Eu me importo. E agora precisamos resolver duas coisas: a minha partida e a sua irmã. Ela veio aqui e fez uma cena na frente de Sam, me humilhando.
A menção à fúria de Rachel reacendeu a raiva de Jacob, mas agora era raiva direcionada para a pessoa certa.
— Rachel não tinha o direito de se intrometer. Ela extrapolou todos os limites, e eu vou resolver isso agora.
Jacob não esperou a resposta de Trish. Ele deu um beijo rápido e determinado em sua testa e pegou o telefone do bolso.
Jacob entrou na floresta, afastando-se o suficiente para que apenas o som de suas palavras ficasse isolado. Ele discou o número de Rachel, a mão apertando o aparelho com tanta força que o plástico estalou.
Rachel atendeu no terceiro toque, a voz defensiva.
— O que você quer, Jake? Eu já te disse que...
— Você não tinha o direito. — Jacob cortou-a, a voz baixa e tensa, o tom de alfa que raramente usava com a família.
— Não tinha o direito de quê? De defender meu irmão de uma garota que está brincando com você? Eu só estava te protegendo, Jacob!
— Não, você não estava. Você estava me envergonhando e a envergonhando na frente do Sam e da Emily. Você não é a minha guardiã, Rachel. Você não é a nossa mãe. A minha vida sentimental não é da sua conta.
Rachel ficou em silêncio por um momento, chocada com a agressividade dele.
— Ela te traiu! Eu vi você sofrendo!
— Ela não me traiu! Eu vi a última parte de um beijo que ela não queria, e o idiota era um amigo bêbado tentando provocar outra garota. Você veio aqui, agiu como uma louca descontrolada, a comparou à Bela, e disse para a Trish ficar longe de mim. — Jacob pausou, respirando fundo para controlar o lobo que tentava explodir. — Eu não sou mais criança, Rachel. A Trish não tem culpa nenhuma. O erro foi meu, por fugir e não confiar nela.
— Mas... mas ela vai embora. Ela sempre vai embora. Você vai se machucar de novo! — A voz de Rachel vacilou, a preocupação genuína misturando-se à frustração.
— Isso é problema meu, não seu. Se eu me machucar, eu dou um jeito. Você tem o Paul para se preocupar. Fique na sua e se desculpe com a Trish quando a vir. E se você se intrometer na minha vida com ela de novo, eu juro que você vai ter problemas sérios comigo. Fui claro?
O silêncio do outro lado da linha era a resposta de Rachel, o choque a impedindo de discutir.
— Fui claro, Rachel? — Jacob repetiu, a voz como aço.
— Sim, Jake. — ela respondeu, finalmente, a voz um sussurro submisso.
— Ótimo. Agora me deixe em paz.
Jacob desligou o telefone sem esperar uma despedida, sentindo um misto de alívio e culpa por ter usado aquela dureza com a irmã. Mas ele precisava estabelecer limites para proteger o que mal havia conseguido recuperar.
Ele voltou para a praia e pegou a mão de Trish, que sorriu para ele com gratidão.
— Você deu um jeito nela?
— Ela vai ficar um tempo na dela. E ela vai te pedir desculpas.
— Não precisa. Eu entendo o lado dela, ela só estava te protegendo.
— Não importa. Ela exagerou, e eu não vou permitir que ninguém de Forks ou da reserva te trate mal. — Jacob segurou a mão dela com firmeza. — Agora, a segunda coisa. Vamos pegar suas malas. Você não vai embora hoje.
— Jacob... Sam não vai gostar. E eu preciso voltar. Minha vida é lá.
— Sua vida é aqui, Trish. Você está presa a mim agora. — ele disse, com um meio sorriso, mas o tom sério. — E eu não vou deixar você ir sozinha, não agora. Nós temos que conversar com Sam, juntos. E eu tenho que te levar para jantar.
Eles voltaram para a casa de Sam, e Jacob, usando uma tática que havia aprendido com o próprio Uley, não lhe deu tempo para pensar. Ele pegou as malas de Trish, colocou-as na caçamba de sua picape e abriu a porta para ela.
— Vamos. Vamos dar uma volta. Eu preciso de ar. — ele disse.
Eles entraram na picape, e Jacob ligou o motor. O ronco era um som familiar e reconfortante. Trish olhou para as malas no retrovisor.
— Para onde vamos?
Jacob sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto.
— Para onde você quiser. Mas o primeiro destino é a estrada. Depois, vamos conversar seriamente. Você não vai a lugar nenhum sem me dar uma chance de estragar as coisas por um tempo.
Trish encostou a cabeça no banco, observando-o. Ele estava diferente, determinado, o medo havia sido substituído pela possessividade do imprinting.
— E a matilha?
— Eles vão ter que esperar. Eles esperaram muito, agora é a vez deles. — ele respondeu, saindo da reserva em direção à rodovia que levava para longe, com o som do oceano ficando para trás.
VOCÊ ESTÁ LENDO
PERPÉTUA - JACOB BLACK
Manusia SerigalaA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
