Billy abriu a porta e os analisou milimetricamente, esperando uma resposta para o fato de estarem batendo à sua porta e o encarando a quase dois minutos sem dizer uma palavra.
Billy permanecia sentado em sua cadeira de rodas, mas a imobilidade não diminuía a autoridade de seu olhar; era como se pudesse ver através das mentiras de Paul. O silêncio era tão denso que se podia ouvir o vento sibilando na floresta.
Trish cutucou a costela de Paul, discretamente.
— E aí, Billy. — Paul decidiu falar, sua voz surpreendentemente controlada, sem a habitual agressividade.
A garota não sabia o que aconteceu entre Paul e aquele senhor, mas sabia que boa coisa não deve ter sido. Paul parecia tenso só de olhar para o homem.
— Jacob está na oficina, Paul. — falou Billy, friamente.
— Valeu, Billy. — Com um aceno de cabeça, Paul saiu de lá, puxando Trish com ele.
Paul deu um meio sorriso, o primeiro sinal de relaxamento após deixar a presença de Billy.
— Que homem bonito. — ela sussurrou, enquanto dava mais uma olhada para trás. — A genética por aqui é boa até demais.
— Você se assustaria com o motivo disso.
Trish analisou o lugar para onde eles seguiam, um barracão simples e aberto, onde a névoa fria rastejava ao redor dos pés.
O chão de terra batida sob os coturnos de Trish rangeu, contrastando com o som abafado dos sapatos de Paul. Ela podia ver faíscas de solda piscando ao longe, indicando o trabalho manual de Jacob.
— Fica aqui. — pediu Paul, deixando-a do lado de fora.
Jacob estava sentado, ajustando as engrenagens de uma motocicleta. Ele estava concentrado, o cenho franzido, com as mãos sujas de óleo. O barulho de uma chave de grifo caindo no chão ecoou antes dele notar a chegada. O cheiro de graxa e metal pairava no ar.
— Paul?! O que você quer? A moto ainda não está pronta e...
— Eu não vim pela moto. — o cortou.
— Então pelo quê... — Jacob parou de falar ao ver a garota entrando. — Green?!
— Oi, Black. — disse ela, sorrindo maliciosa.
— A garota aí quer saber se você pode fazer um favor para ela. — interveio Paul.
— Depende. — Jacob deu de ombros.
— Do quê? — perguntou ela.
— Se Sam sabe desse favor. — respondeu Jacob, atento no seu trabalho.
— Acha que ela estaria aqui, se ele não soubesse e não estivesse de acordo? — argumentou Paul.
Jacob o encarou, arqueando uma sobrancelha.
— Conhecendo o histórico dela?
Green bufou alto, cruzando os braços com força. A indiferença de Jacob era quase mais ofensiva do que a acusação de Sam.
— Foi uma péssima ideia, Paul. — disse, pronta para dar o fora dali. — Vamos embora.
— Aí! — disse Jacob, se levantando. — Também não é pra tanto. Foi mal. Do quê você precisa?
Trish e Paul trocaram olhares camaradas.
— De um carro. — ela respondeu.
— Desculpe, mas aqui não é concessionária e nem locadora.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
