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 Na manhã seguinte, quando Trish se espreguiçou na cama e não o sentiu do seu lado, a estranheza foi imediata.

Jacob não era de acordar tão cedo, ainda mais sabendo que não estava em Forks, livre das obrigações de ronda da matilha. Ele costumava aproveitar cada segundo de folga na cama.

Sendo assim, Trish se ergueu, enrolada nos lençóis, e foi até a janela. A manhã parecia linda, o sol já tentava romper o céu a leste, mas as nuvens se mantinham densas e pesadas, prometendo uma chuva iminente que lavaria a paisagem de Washington.

Foi então que ela ouviu o barulho. Um som metálico, seguido de um estrondo abafado no andar de baixo. O temor de Jacob estar pondo sua casa abaixo acendeu um alerta cômico em sua mente.

Ela sabia que o Quileute tinha zero talento para administrar um fogão. Sua cozinha, por mais aconchegante que fosse, parecia estar em perigo mortal.

Abruptamente, ela desceu as escadas correndo, o tecido de seda do pijama esvoaçando, e se deparou com um cenário de guerra na cozinha.

 Uma fumaça densa e acre pairava, fazendo seus olhos lacrimejarem. Jacob estava no centro do caos, tentando desesperadamente abafar uma pequena labareda que saltava de uma assadeira. Para completar o desastre, o pano de prato em suas mãos – que deveria ser um instrumento de salvação – pegou fogo em um piscar de olhos, adicionando uma camada de euforia ao pânico.

O alarme de incêndio, posicionado no corredor, disparou em um som estridente e histérico, detectando a fumaça.

Trish agiu de imediato. Ignorando o fogo visível, ela se moveu para ajudá-lo na fonte. Agachou-se, abrindo o forno para retirar a forma com os cookies torrados lá de dentro. Não estavam apenas queimados; estavam carbonizados, esfarelando em cinzas.

Segurando uma gargalhada que ameaçava explodir, ela o encarou por alguns segundos em silêncio. O Quileute mantinha um semblante de desespero e culpa esmagadora, os ombros tensos.

Ele havia quase incendiado a casa de sua imprinting. Ele jamais se perdoaria.

Sua intenção era somente assar uns benditos bolinhos e, talvez, fritar dois ovos. Ele já havia feito ovos antes! Por que agora parecia uma operação de alto risco?

— Não é como pilotar uma moto ou consertar o motor de um Chevette, eu sei — ele murmurou, o altruísmo e a frustração misturados em seu tom, os olhos de chocolate buscando os dela.

A constatação o fez rinchar de tal maneira que a tensão sumiu. Trish explodiu em uma gargalhada sonora e libertadora. Ela não estava zangada; isso era bom, muito bom.

— Querido, eu te amo, mas você está oficialmente banido da minha cozinha. Permanentemente — ela disse entre risos.

Ele ergueu as mãos em rendição e assentiu vigorosamente. Não precisava pedir duas vezes.

Trish correu e se jogou contra ele, num abraço que visava mais acalmar seu coração acelerado do que o dela.

— Desculpe por isso — ele murmurou, inalando o perfume dela, enfiando o rosto no seu cabelo.

— Tudo bem. Vou preparar algo para a gente. Deixe o resto comigo.

Trish se afastou, retornando à tarefa de limpar a bagunça, mas Jacob foi mais rápido. Ele a puxou de volta, enlaçando-a pela cintura, e a virou para que ficasse de costas para ele.

Jacob passeou a mão por sua coluna até chegar à base da sua bunda, por baixo do tecido de seda fina de seu pijama, apertando-a com força e logo em seguida estapeando-a levemente.

Trish soltou um gritinho estridente, mais de surpresa do que de dor, e o olhou com repreensão teatral, apesar do calor que se espalhava pelo seu corpo.

— Jake, eu realmente preciso preparar algo. Estou faminta... e a cozinha está em frangalhos.

Ele buscou seu rosto, roçando os lábios suavemente nos dela, um sorriso perverso acendendo em seus olhos.

— Mudei de ideia — a voz dele estava rouca, baixa. — Não estou mais com fome.

— Não é o que me parece, grandão.

— Esse é outro tipo de fome — ele corrigiu, o olhar fixo na boca dela.

De imediato, Trish agarrou os cabelos da nuca dele e o beijou com urgência. Seus corpos queimavam em resposta ao desejo que ambos sentiam, eram como ímãs se atraindo, as faíscas que não incendiaram a panela, agora acendiam sua paixão.

Interromperam o beijo, ofegantes, os corações batendo descompassados.

Foi nesse momento que a campainha tocou.

O som irritante soou como um tiro de advertência.

Jacob bufou contra o pescoço dela, soltando-a dos braços.

— Melhor você abrir — ele disse, a voz cheia de frustração contida. — Preciso ir ao banheiro.

Trish parou por alguns segundos para fazer seus cálculos. O que valia mais a pena: correr a escada a pulso atrás daquele homem que a deixou completamente mole, ou abrir aquela porta e socar o maldito que interrompeu seu beijo?

Ela sorriu, maligna.

Não iria abrir merda de porta nenhuma. Quem quer que estivesse lá fora, poderia muito bem voltar em outro momento.

A garota subiu aquela escada à pressa, atrás de Jacob, encontrando-o já no topo.

— Não vai abrir? — ele perguntou, o corpo virado, mas os olhos fixos nela.

Trish enfiou suas mãos por dentro da camisa dele, fincando suas unhas em seu abdômen duro e tonificado.

— Não — sorriu, a expressão inocente já substituída pela lascívia.

Jacob sorriu da perversidade oculta por trás daquele falso brilho de garota boazinha. Antes que pudesse contrapor-se, ele já estava preso contra a parede, a respiração presa na garganta com a mão dela desabotoando sua calça e abrindo o zíper.

 Não ia dar em nada. Não havia mais ninguém ali além dos dois. Eram apenas dois jovens, um metamorfo e sua âncora, com os hormônios à flor da pele, incendiados pela paixão e uma química incrível.

Força de vontade para impedi-la? Ele desconhecia tal conceito naquele momento.

Trish já estava de joelhos perante ele, contemplando sua bela nudez, e seu hálito fresco causava-lhe arrepios eletrizantes em suas terminações nervosas. Sublime.

Ela limitou-se a tocá-lo com a ponta dos dedos, fazendo por pouco o Quileute urrar de tesão. Ele já estava preso àquilo. Foi então que seu quadril passou a se mover de maneira desobediente, fodendo a mão fechada em punho sobre sua ereção.

A garota sorriu libidinosa antes de abocanhá-lo por inteiro, e assim, por diversas vezes.

O Quileute, por sua vez, já havia sentido sua alma se esvairir de seu corpo no primeiro toque úmido. Buscando por onde se segurar, ele prendeu-se aos cabelos dela com força, enquanto a ajudava, movendo o quadril em um ritmo intenso.

Ela subiu uma de suas mãos pelo seu abdômen, arranhando-o levemente. Havia, além de desejo, diversão em seu semblante.

Jacob estava prestes a explodir, mas não queria fazer isso sem aviso prévio. Entretanto, suas palavras prenderam-se feito nós e gemidos em sua garganta, impedindo-o de falar.

Trish apenas continuou devorando-o, até sentir o líquido quente escorrer contra si.

Sorrindo gloriosamente, ela se ergueu, o rosto corado.

Jacob a presenteou com um beijo apaixonado, antes de resolver que era hora de dar o troco.


PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora