Trish encarou as costas largas e nuas de Jacob à sua frente. Mil barbáries passaram por sua mente em frações de segundos, imaginando como aquelas costas ficaria bem com alguns arranhões de unhas, pensamentos que a fizeram corar instantaneamente.
— No que tanto pensa? — Jacob se virou bruscamente, pegando-a inerte com o olhar fixo em suas costas.
Ela sacudiu a cabeça, voltando a si com um sobressalto.
— Em nada. — desconversou, desviando o olhar para a janela, sentindo o calor aumentar em suas bochechas.
— Você tá com uma cara bizarra. Parece que acabou de ver um fantasma ou pensou em algo bem feio. — zombou Jacob, com um sorriso de canto que a fez revirar os olhos.
— Engraçadinho.
— A seu dispor. — ironizou ele, e se sentou na cama dela, casualmente, como se não estivesse prestes a causar um terremoto em seu coração.
O clima entre os dois sempre fora leve, descontraído, repleto de brincadeiras e provocações inofensivas. Mas, ao passar do tempo, as coisas tomaram outra proporção, sutil e perigosa. De repente, não era mais ela quem dominava seus pensamentos, planejando o dia e suas tarefas; era sua mente quem a dominava com imagens e sensações que a faziam prender a respiração. A tensão passou de suportável a impertinente, envolvendo-os sempre que estavam a sós, um silêncio carregado de possibilidades não ditas.
— Jake, posso fazer uma pergunta?
— Já fez. — ele respondeu prontamente, com um ar de superioridade divertida.
Jacob estava impossível, se achando a última bolacha do pacote que ela não teve paciência de abrir e rasgou. A impaciência dela venceu a timidez.
— O quê você sente por mim? — indagou ela, bruscamente, cortando o clima com a força de uma lâmina.
Jacob travou o maxilar. Ele piscou, tentando processar a seriedade da pergunta. Ele titubeou por alguns instantes, o sorriso desaparecendo completamente de seu rosto.
— O quê? É pegadinha isso, né? Paul e Rachel estão escondidos detrás da porta ouvindo tudo, não é? — Seus olhos procuraram os cantos do quarto, buscando uma câmera ou uma evidência de que aquilo era apenas uma brincadeira boba armada pelos amigos. O brilho de esperança de que fosse apenas um truque se esvaiu ao encarar a expressão séria de Trish.
Trish andou na direção dele, a adrenalina correndo em suas veias. Ela parou bem à sua frente, ficando cara a cara.
— Estou falando sério. E além do mais, que mal tem? É só uma pergunta simples. Você pode responder com uma palavra se quiser.
Simples para ela que apenas ouviria a resposta, mas se ela ao menos imaginasse o tamanho do nó que se formou na garganta dele, o peso da verdade que ele vinha escondendo por tanto tempo, ela teria recuado.
— Você sabe o que eu sinto, Trish. Não me faça dizer em voz alta. — pediu Jacob, em um sussurro rouco, como se dizer as palavras pudesse quebrar o equilíbrio precário que mantinham.
— Não, eu não sei. Não tenho a menor ideia. — insistiu a Uley, determinada a arrancar a confissão.
— Para de graça, Green. Você está me deixando nervoso.
Jacob precisou quebrar o contato visual porque a pressão e a tensão corporal eram absurdas. Ele olhou para o próprio joelho, tentando encontrar um foco que não fosse o rosto dela. Trish o agradeceu mentalmente por isso, pois estava começando a fraquejar também.
— É tão ruim assim que você não possa dizer? É vergonhoso?
Ele não entendia o porquê de toda essa insistência repentina, mas se ela queria uma resposta, ele daria a verdade, nua e crua, sem filtros.
VOCÊ ESTÁ LENDO
PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
