— Trish, vamos?
— Aonde? — ela resmungou sob o edredom, puxando-o até o nariz.
— Darmos uma volta na cidade. — Sam respondeu.
Ela odiava ser acordada. Na certa não se passavam das sete e Sam já chegava falando pelos cotovelos. Onde estava a harmonia daquele lugar? O cheiro de café coado de Emily já pairava no ar, denunciando a hora avançada.
Trish se sentou na cama, esfregando os olhos e sentindo a face amassada. O cabelo estava emaranhado, e ela sabia que parecia um bicho do mato.
— Sam, será que a gente pode conversar antes? Quero te contar uma coisa.
Sam tentava conter o riso, os lábios apertados em uma linha fina. Ela sabia que ele estava rindo dela com cabelos desgrenhados e cara amassada.
Ele se encostou ao batente da porta, cruzando os braços.
— Pode dizer.
Ela mordeu os lábios, pensando na melhor maneira de dizer, decidindo pela honestidade crua.
— Eu... — titubeou. — Eu desobedeci você e fui a Port Angeles.
Sam não expressou nenhuma reação, mantendo a postura neutra. Isso já era um bom sinal.
— Eu sei.
— Sabe?! — inquiriu, desconfiada, semicerrando os olhos.
Na certa Emily havia dado com a língua nos dentes, ela sabia que aquela mulher não conseguia manter...
— Não existem segredos por aqui. — argumentou Sam, cortando sua linha de raciocínio. O aviso era claro: a vigilância era constante.
— Me lembrarei disso. — indagou ela, saindo da cama, sentindo o piso frio sob os pés. — Eu vou me trocar e a gente já pode ir.
Trish fechou a porta do quarto e correu para o armário. Enquanto vestia uma calça jeans escura e uma blusa limpa, ela pegou a jaqueta que usara na noite anterior, sentindo o cheiro fraco de fogueira e maresia. Um sorriso escapou ao lembrar da carranca de Jacob quando ela tocou no assunto da ex-namorada dele. O Quileute era um poço de melancolia e lealdade, e Trish não conseguia entender por que alguém abriria mão disso. Ela penteou o cabelo rapidamente, a imagem dele ainda na cabeça, pronta para sair.
— O quê você achou do Jacob? — perguntou Sam, deixando-a ultrajada.
Ela olhou desconfiada para ele, que continuava atento à estrada, as mãos firmes no volante. A pergunta pareceu ter surgido exatamente do ponto em que ela tinha parado de pensar.
— Por quê está me perguntando isso?
— Curiosidade. — o sorriso de canto do Quileute não convenceu Trish de que era somente curiosidade. — Se não quiser, não responde.
Ela olhou pela janela, as pequenas casas passando ao redor deles. Famílias felizes deveriam viver ali, uma pontada de inveja revirou em seu peito. Ela suspirou, voltando a encarar o painel.
— Ele é... diferente. — sussurrou.
— Diferente?
— Sim. É tudo que eu posso dizer. Eu gosto de estar com ele, mas não gosto do que a garota fez com ele. Aposto que o cara com quem ela fugiu deveria ter um pau enorme, ter uma foda muito de outro mundo, ou o Black ter um defeito dos infernos que eu desconheço, porque não faz o menor sentido o que ela fez.
Sam riu pelo disparate da sobrinha, mas de certo modo ela tinha razão.
— Existem desejos que levam uma pessoa a tomar iniciativas e fazer escolhas que nem todos se agradam.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
