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 Por mais que evitar o sentimento fosse o que ele mais queria naquele momento, seu cérebro não respondia. Cada tentativa de raciocínio lógico o levava de volta à sensação dos lábios dela contra os seus.

E se ela quisesse que ele tomasse uma atitude agora? Ele estava pronto para tentar ir além, para assumir algo tão sério, ele que mal conseguia lidar com as rondas da matilha?

Uma resposta era o que ele mais buscava no fundo de sua mente, mas por Deus, era impossível pensar em algo quando Green era a única coisa que sua mente gritava, o único cheiro que parecia ter ficado impregnado em suas roupas e em sua pele. Os dois não haviam se falado após o beijo, não haviam trocado uma palavra sequer sobre o que aconteceu, e Jacob duvidava muito que iriam conseguir iniciar o assunto.

A luz fraca da manhã filtrava pelas cortinas quando Rachel invadiu o quarto.

— Jacob, não vai sair da cama? Sam está esperando.

— Não enche. — ele resmungou, puxando o cobertor até o queixo.

Rachel não deu importância para seu mau-humor matinal e se sentou na beira da cama, fazendo o colchão afundar.

— Espero que não esteja se escondendo da Trish. Porque ela está aí fora, sentada no carro de Sam, te esperando para a viagem. E parece que ela não dormiu nada.

Jacob arregalou os olhos e saltou da cama, tropeçando no cobertor.

— Por quê você não falou logo?! — bradou, completamente embaralhado, enquanto arremessava as roupas para fora do armário, buscando desesperadamente algo limpo para vestir.

— Porque você estava aí com esse humor de fada. Além disso, é divertido ver você se desesperar. — caçoou Rachel, observando o caos com as mãos nos joelhos.

— Não começa, Rachel. — ele passou a camisa, desajustadamente, pela cabeça, vestindo-a de qualquer jeito e ajeitando os cabelos que pareciam ter vida própria.

— Quando é que você vai pedir, hein? Não aguento mais essa novela. — perguntou Rachel, com uma curiosidade insistente, observando-o se vestir.

— Pedir o quê, louca? Está falando de qual festa agora? — inqueiriu Jacob, fingindo desinteresse enquanto calçava o tênis.

— Não vem me tirar de idiota, Jacob. Não me faça perder a paciência. — bradou ela, impaciente. — Nós dois sabemos que depois de ontem, esse clima não é só de amizade, e vocês precisam rotular isso logo.

— Não sabemos de nada. Não sabemos de nada, Rachel. — ele a interrompeu, a voz ficando mais baixa e tensa, abrindo a porta e fechando de novo. — Fecha a droga da boca, antes que eu feche por você. Não quero fofoca na reserva.

Rachel riu, ignorando completamente a ameaça vazia, e foi até ele, abrindo a porta com a mão.

— Você não mete medo nem em uma mosca, Jake. Está na cara. — caçoou ela antes de passar por ele, descendo as escadas rindo.

Jacob bufou alto, pegando sua jaqueta de couro e a seguiu, irritado por não conseguir controlar a irmã e por não conseguir controlar o nó em seu estômago.

 A viagem para Stanford havia começado, e Trish estava no banco de trás, a quietude do carro apenas amplificando a confusão em sua mente. Ela empurrou com os pés o banco do motorista, de Sam, pela milésima vez em minutos, frustrada, irritada, impaciente — motivo? Ela não sabia exatamente.

Eram tantas coisas passando em sua cabeça naquele instante: o clima tenso e pesado entre ela e Jacob, sentados no mesmo carro, separados por Sam. Foi uma imprudência beijá-lo, mas uma imprudência que beija muito bem. Ela tentava se concentrar na paisagem para evitar o espelho retrovisor.

PERPÉTUA - JACOB BLACKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora