— Cala a porra da boca, Brandon! — guinchou Trish, a voz aguda de frustração e raiva, enquanto o empurrava com força na direção da escada. Ela mal havia dormido e não estava com paciência para o cinismo matinal dele.
— Uh! Tá legal. — zombou ele, fazendo chacota de sua cara, um sorriso afetado no rosto, o que a deixou ainda mais irritada. — O quê é? Me chamou aqui, me tirou da minha cama no meio da madrugada para vir dar satisfações a um zé ninguém da floresta...
A garota cruzou os braços na frente do peito, o corpo tenso, e encarou o cinismo dele com olhos cheios de fogo.
— Pra você reparar a merda que você fez! A porra da cena que você armou no clube!
— Que eu fiz? — inquiriu ele, se fazendo de desentendido, coçando a nuca com teatralidade. — Do que você tá falando, Trish?
— Da porra do beijo! — bradou Trish, incapaz de baixar o tom. Aquela lembrança da noite anterior ainda a incomodava, não pelo ato em si, mas pelas consequências.
Brandon sorriu e pincelou o nariz dela com o dedo indicador, um gesto familiar e irritante.
— Ah, qual foi, baby. Vai me dizer que foi tão ruim assim? Você correspondeu.
— Foi péssimo! E você sabe que não era para ter acontecido. Agora você vai subir lá e falar que tudo passou de um equívoco seu, que você me agarrou porque estava bêbado e que eu te repeli.
— Eu? Eu não vou a lugar nenhum. Você e esse cara nem namoram! Ele não tem moral para reclamar. — Brandon cruzou os braços e se sentou nos primeiros degraus da escada, um protesto infantil.
— Não começa, Brandon. Levanta dessa escada. Ou eu te parto a cara aqui e agora. Você sabe que eu faço. — ela o ameaçou, a seriedade em seu tom não deixando dúvidas.
— Para que tanta violência, Trish? — zombou ele, com um drama exagerado. — Tanto chilique por causa da droga de um selinho? Que cara manezão, o seu namoradinho! — chiou, encarando o topo da escada com desdém.
— Cala a boca e anda depressa! Vamos antes que ele desça e te arremesse pela janela. — Trish agarrou o pulso dele.
O loiro bufou e se levantou, limpando a calça.
— Tô indo. Tô indo. — resmungava enquanto subia a escada, fazendo barulho. — Que perda de tempo.
— Se abrir essa boca para falar asneira outra vez, juro que eu te...
— Tá, eu já entendi. Boca fechada.
Trish o puxou pela camisa quando ele ameaçou dar meia volta e descer novamente a escada, percebendo a chance que ele daria a Jacob para fugir. O garoto revirou os olhos e esperou ela abrir a porta do quarto que Jacob havia tomado.
Jacob estava de pé na sacada, ignorando o quarto, encarando o céu cinzento e úmido.
— E aí, bravinho. Dia lindo, não é? — caçoou Brandon, evadindo o quarto sem pedir licença.
Jacob sentiu seus músculos tensionarem e os punhos se fecharem assim que aquela maldita voz e o perfume excessivo entraram em sua audição. O lobo interior rosnou.
— O quê esse cara tá fazendo aqui? — empertigou-se, virando o corpo lentamente, a expressão uma mistura de fúria e incredulidade.
Brandon sorriu e se apoiou nos ombros de Trish, um ato deliberadamente provocativo.
— Ela me chamou. Eu não resisto aos chamados dessa gata.
A garota empurrou Brandon para longe, a irritação pela provocação dele superando o medo do que Jacob pensaria, e andou na direção do Black, que estendeu a mão na altura do peito, pedindo para ela ficar onde estava. Um limite invisível.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
Hombres LoboA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
