— Oi, Billy. — Trish se inclinou quase que propositalmente à frente de Jacob, curvando-se para cumprimentar Billy Black em sua cadeira de rodas. Ela exibia o anel em seu dedo com um brilho discreto.
— Green. É sempre bom vê-la. — Billy sorriu calorosamente, mas havia uma tensão sutil em seus olhos. — Fico muito feliz em saber que você e Jake tenham dado um passo e tanto. Parabéns pelo noivado.
Ela se endireitou ao lado de Jacob, entrelaçando seus dedos com os dele para a alegria do Black, cujo calor a envolvia.
— Billy. — falou Sam, dando um passo à frente para cumprimentá-lo com apenas um aceno de cabeça. Ele parecia sério.
— Sam. Emily. — O Black acenou brevemente. — Entrem. Rachel está preparando o jantar.
Trish olhou para Jacob ao ouvir que a irmã do quileute estaria na casa, uma nuvem de apreensão pairando sobre ela, mas ele a incentivou com um leve aperto na mão.
Na sala, esparramado de forma desleixada sobre o sofá, estava Paul Lahote, comendo chips e atento a um jogo de beisebol.
— Paul, finja ao menos ter modos na frente das visitas. — reclamou Billy, a voz severa.
Paul olhou por cima do ombro para ver de quem Billy estava falando e sorriu quando seu olhar caiu sobre Trish.
— E aí, pouca sombra! — a cumprimentou, antes de se voltar para o jogo, com um grunhido.
Instantaneamente, a voz de Rachel ecoou da cozinha em forma de palavrão. Emily logo se ofereceu para ajudar a Black na cozinha, sentindo a tensão no ar.
— Sam, podemos falar? — perguntou Billy, a voz mais baixa, apontando na direção da varanda.
— Claro. — o Uley se despediu da mulher com um selinho rápido e seguiu o Black para fora da casa.
— Quer ir para o meu quarto? — Jacob sussurrou para Trish, notando o quão apreensiva ela estava na presença de Rachel na mesma casa.
— Sim.
Os dois foram para o quarto do garoto. Ele estava possivelmente organizado; não cheirava a suor ou a cachorro molhado como as outras vezes. Trish se sentou na cama, olhando através da única janela naquele cômodo estreito.
— Achei os garotos e Sam estranhos, você não? Estão tensos. — ela murmurou.
Jacob se sentou junto à ela, tentando visualizar o que tanto roubava sua atenção lá fora. Billy e Sam estavam conversando na varanda, os gestos contidos.
— Não deve ser nada. Se fosse algo sério da alcateia, eu saberia. — disse Jacob, beijando seu rosto.
— Tem certeza? — ela o olhou, duvidosa.
Jacob pressionou os lábios, buscando por inspiração em seu rosto, enquanto pensava em como explicar a complexidade da matilha.
— Como posso te explicar... Eu tenho uma linha direta com os pensamentos do seu tio e dos outros, por causa da ligação de matilha.
— Quer dizer que vocês podem ouvir os pensamentos uns dos outros?
— Só quando estamos transformados. É a comunicação telepática da matilha. — concluiu Jacob.
Dito isso, Trish se ligou de algo. Já faziam meses que ela estava morando naquela reserva, há meses sabendo o segredo dos quileutes, mas nunca os viu na forma lupina.
— Eu nunca vi você transformado. — constatou-se ela.
— Digamos que eu queira ser diferente com você. Quero ser eu mesmo, não um monstro peludo.
— Mas eu gostaria. — murmurou manhosa, beijando seu maxilar. — Não me importo se você for peludo.
— Não seja por isso, hoje, quando eu te deixar em casa. Eu te mostro.
— Tá bom.
Ainda não estava sob conhecimento de Jacob sobre o que estava se passando na reserva desde que ele e Trish foram para Stanford. Mas era palpável a preocupação de Billy, e Sam sabia melhor do que ninguém.
Todos os quileutes sabiam onde e como isso acabaria: o retorno deles à reserva não estava nem de perto sendo esperado, mas sim, eles estavam de volta.
Quem? A Família Cullen.
Billy temia a ideia do reencontro, sabia que não podiam baixar a guarda em momento algum. Desde que levaram Bella com eles, desde que a transformaram, e desde que Bella partiu o coração de Jacob, Sam e seus discípulos passaram a ver todos os membros daquela família como seus inimigos.
Mas tanto Billy quanto Sam, estavam dispostos a manter Jacob e Trish o mais distante daquela família e de todo caos que poderia vir a causar.
— Pelo que depender de mim e dos garotos, Billy, Jake sequer vai saber do retorno dela. Eu não quero que ele reviva o que passou.
— É melhor para ambos, Sam. Mantenha-o cego. E mantenha a Trish longe.
Era tarde da noite quando Trish por fim se deu conta de que não estava em seu quarto habitual, na casa de Sam. Após o jantar, ela e Jacob acabaram adormecendo na cama dele, e assim ela ficou na casa dos Black.
O silêncio na casa era gritante.
Enquanto avançava pelo corredor estreito que ligava o quarto de Jacob aos demais e ao banheiro, Trish ouviu um ronco pavoroso e imediatamente calculou ser de Paul — a julgar pela maneira como parecia um urso sufocando.
Ela estava faminta. Sim, havia comido o suficiente durante o jantar, mas seu estômago clamava por alguma comida de madrugada.
Na geladeira ainda haviam duas fatias de bolo de chocolate que Rachel havia feito para a sobremesa. Seus olhos se prenderam a elas como se fosse a última coisa existente naquele instante, e literalmente, era. Trish negou e afastou seus pensamentos. Aquele bolo talvez fosse o café da manhã de Billy ou até da própria Rachel. Seria um pecado roubá-lo.
Ela nem estava com tanta fome assim. Talvez a melhor alternativa fosse beber um copo d'água e voltar para a cama.
— Você ainda não foi embora? — A Uley por pouco não se afogou com a água de susto, virando-se bruscamente para encarar Rachel Black, que estava parada no batente da cozinha.
— Rachel, caramba, eu poderia ter...
— Morrido? — inqueiriu Rachel, presunçosamente, cruzando os braços. — Não faria falta, acredite em mim.
— Olha aqui, Rachel, eu não vou permitir que me trate...
— Te trate como?! — bradou Rachel, avançando bruscamente em sua direção, diminuindo a distância entre elas. — Te trato da maneira que me convém. Você está no meu território, Uley.
— Você está se doendo por algo que não...
— Saiba que tudo que diz respeito ao Jacob, é sim da minha conta. Ele é meu irmão. — indagou a Black, a voz baixa, mas cheia de veneno.
— Qual é o seu problema, Rachel?
— Agora? Você. E seu anel. — Trish sustentou o olhar pejorativo da quileute à sua frente. — Sua sorte, Uley, é que eu não me herdei a mutação de Ephraim como Jake, porque eu transformaria você em picadinhos agora mesmo.
— Queria ver você tentar, Black. — confrontou-a Trish, dando-lhe as costas e saindo da cozinha antes que a briga escalasse.
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PERPÉTUA - JACOB BLACK
WerewolfA ânsia pela concretização se arrasta tanto que a esperança se transforma em agonizante incredulidade. Se a máxima é que o tempo é um bálsamo e um revelador implacável, por que, em meu caso, ele falhou duplamente? Ele nem curou a ferida, nem mostrou...
