Capítulo 100

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Flávia

-Não sei explicar o porquê mas o sentimento de culpa é algo que sempre me acompanha, se eu deixasse meu pai na rua não iria me perdoar, na verdade por pior que a Débora seja também não consigo abandonar de vez.

-Conheço bem Seu Paulo, o coração dele é muito parecido com o meu, ele não ficaria aqui deixando uma filha na rua, independente dos seus defeitos.

-Essa gravidez ainda me deixa mais sensível do que já sou aí piorou. Mas vou ficar de olho, sei bem com quem estou lidando aquela ali é literalmente filha da mãe!

Flávia: -Pai o senhor sabe que não te deixaria na rua, mesmo que o senhor tenha seus erros e a bebida é uma delas, mas tô aqui pra te ajudar!-falo sincera.

Pai: -Obrigada filha, você é muito boa!-fala.

Débora: -E vai abandonar a própria irmã?-diz.

Flávia: -Não é porque você virou as costas pra mim que farei o mesmo Débora!-falo séria.

Débora: -Só apoiei nossa mãe doente!-fala.

Flávia: -Que seja, não vou nem debater. Vou pedir ao Casagrande que arrume uma casa pra vocês aqui no Morro.Enquanto isso podem ficar aqui em casa, pai se o senhor quiser ficar morando aqui com a gente é bem vindo.-digo.

Paulo: -Que isso filha,você tá formando sua família, eu aceito qualquer cantinho, pode ser bem simples, vou procurar emprego também. Além do mais é bom que fico de olho na sua irmã.-diz humilde como sempre.

Débora: -Eu hein pai, virou meu segurança? E quem sabe não dou a sorte da Flávia encontro um boy forte por aqui pra me patrocinar!-fala.

Flávia: -Misericórdia! Há quem diga que é melhor ouvir do que ser surda! Fico na dúvida.-digo ficando irritada.

Casagrande: -O papo é de família mas vou me meter porque a Flávia e meus filhos são minha prioridade, eu vou arranjar a casa, ajudar vocês se é o que a minha mulher quer, mas já deixo bem claro que não quero saber de perturbações pro lado dela. Flávia vai ter uma gestação tranquila se não o papo vai ser comigo viu cunhada?-diz de cara fechada.

Paulo: -Te agradeço demais a ajuda, ninguém aqui tem intenção de prejudicar minha menina nem meus netos, né Débora?-diz entre dentes.

Débora: -Claro pai! Toda tranquilidade do mundo pra minha irmãzinha!-diz cínica.

Flávia: -Só pra avisar irmãzinha, enquanto tu não encontra o tal "boy" pra te bancar procura um emprego urgente porque aqui não tem patrocinador de marmanjo e tu não é ONG pra receber doação!-falo mesmo.

Débora: -Grossa!-fala baixo mas ouvi.

Flávia: -Sincera e realista!-falo e pisco pra ela.

Paulo: -Fica quieta Débora, parece que tá com o Rei na barriga!-fala brabo.

Flávia: -Bem venham vou mostrar o quarto pra vocês.-digo indo pra escada.

(...)

-Já se passaram 3 dias que meu pai e minha irmã chegaram por aqui e tem sido uma tortura conviver com a fresca e sonsa da Débora!

-Ela acha que sou bobinha e não me liguei na maldade dela e piadinhas com Diego. Já pedi pra acelerar essa casa mas precisou de uns reparos aí atrasou.

-Hoje é o chá de fralda dos meu bebês, vai ser aqui em casa mesmo no quintal, decoração tá linda,as madrinhas dos meus filhos que foram atrás de tudo, vai ter até garçom pra servir, tô chique,kkkk.

-Não conheço muita gente no Rio e tô fugindo de parente, tenho poucos convidados mas o Casagrande chamou uns parceiros como ele fala.

-Me arrumei bem mocinha com um vestido lilás, Diego usaria uma camisa verde claro, pra Bela comprei um vestido lindo verde e lilás, acho importante incluir ela em tudo pois eles serão família.

-A casa já estava cheia de gente, alguns dos parceiros do Diego vieram com Fiel e filhos, mais nossos amigos, Dona Benta, meu pai e claro Débora que veio com um vestido branco indecente, só observo.

-Sentei numa mesa com as meninas, já tinha feito uma social com todos e meus pés tavam me matando, quando olho pro lado vejo minha irmã de papo com a cara de pau da Julieta que veio de penetra com mais duas marmitas, não vou estragar a festa que é para os meus filhos mas o mundo gira a curva é logo ali.

-As meninas inventaram de fazer aquela brincadeira de advinhar os presentes e cada erro uma vez eu levava castigo outra o Diego, o dele era virar uma dose, eu fui pintada, me colocaram uma faixa de mãe do ano, tive que dançar, passei vergonha com gosto mas valeu a pena todos riam e brincavam.

-Quando acabaram as brincadeiras Diego chamou a atenção de todos e começou no céu uma sequência linda de fogos, no final povo gritava que a favela tava em festa, viva os herdeiros, uma algazarra.

-Resolvi subir pra me recompor, limpar o rosto, colocar um chinelinho, fazer aquele xixi, vida de grávida.

-Quando cheguei no quarto me deu uma agonia, uma tristeza, coisa sem explicação, acredito que tinha algumas pessoas naquela festa que não torciam para o nosso bem.

-Nem quis saber dobrei o joelho me apoei na cama e comecei a orar, pedindo proteção pra minha família, mas especial aos meu bebês pois são anjos indefesos da maldade do mundo.

-Acabei chorando um pouco, mas é bom alivia a alma, fui ao banheiro fiz tudo que precisava e resolvi voltar pra festa ou meu marido vem atrás de mim.

-Quando passo pelo banheiro do corredor ouço vozes conhecidas, a porta está entre aberta, paro perto sem fazer barulho ouvindo.

Casagrande: -Tá maluca garota sai da minha frente!-diz bolado.

Débora: -Que isso cunhado, a gente tem que se dar bem não é?-diz sonsa.

Casagrande: -Quero papo com não mina!-diz.

Débora: -Pensa bem Casagrande, minha irmã tá com aquela barriga enorme, gorda, mas eu não!-diz a fdp.

-Casagrande: -Cala tua boca! Talarica do caralho! Minha mulher é linda de qualquer jeito.-fala furioso.

Débora: -A qual é, vai dizer que a Pepa ainda consegue dar uma boa sentada?-diz rindo.

Casagrande: -Namoral tua sorte que eu não bato em mulher!-diz puto.

Débora: -Para de se fazer de difícil, ela nem vai saber de nada!- diz insistindo, perco a cabeça.

Flávia: Não vou ficar sabendo do que Débora?- pergunto raivosa já.

-Na mesma hora ela se vira pra mim quase roxa, engolindo em seco.

À Flor da PeleHistórias para pegar e não largar. Descubra agora