Capítulo 98

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Luana Narrando

Muita coisa aconteceu enquanto os dias iam passando, vamos em partes né.
Eu tentei segurar aquela história que o Raul tinha me contado, mas o medo que eu estava sentindo do Índio morrer tava maior, então eu fui obrigada a contar pra minha mãe, contei do milagre, mas eu não falei de quem se travata, porque pela forma que minha mãe ficou eu via que ela mesma ia atrás do cara e ia matar ele com as próprias mãos.

Pedi a ela pra focar no índio, que no momento ele estava precisando do nosso pensamento positivo pra sair logo daquele hospital.

Eu estava me desdobrando pra caralho, me dividindo pra dar conta dessa barra toda, de um lado era meu pai, mesmo não sendo minha obrigação eu estava indo todos os dias no hospital saber do estado de saúde dele, do outro a minha filha, que só tinha um mês de vida e precisava de mim a todo momento, tinha a minha casa com a Tatiane grávida, na favela minha mãe prestes a entrar em depressão com uma filha de sete meses e um filho de quatorze anos, eu tive que pedir pro Lohan vim ficar com eles pra me aliviar um pouco.

E também tinha o Raul me precionando a vim morar na Penha e estressado com o tal desenrolo com os brabos pra poder cobrarem daquele cara, que ainda tava andando pela favela como se nada tivesse acontecido.

Isso foi rolando durante o mês todinho no mês seguinte Tatiane teve o Levi, fiquei esse tempo com ela ajudando a mesma, mas sabia de tudo que acontecia com o Índio pelo celular, pertubei no hospital pra ser informada de tudo, a todo momento, a toda hora.

Leonardo estava convicto que ia ver o pai dele, que ia fazer e acontecer, fez porra nenhuma, voltou pro jacaré pra vidinha mais ou menos dele, mas passou a me perturbar pra saber dos acontecimentos, quando Levi nasceu eu avisei a ele, deixei minha criança com o Lohan um tempinho e fui lá levar algumas coisas pra Tati, foi tanto lá e cá que a Lorena desistiu de mamar no peito, dois meses de vida e ja sabe o que quer, certa é ela.

No dia que a Tati ganhou alta, chamei todo mundo pra vim aqui em casa, fiz um almoço bem brabo pra gente, Lohan conseguiu trazer a minha mãe e os meninos, eu ainda não tinha recebido nenhuma notícia do hospital, então eu tava preocupada, mas me mantive por causa da minha mãe, que foi pro meu quarto e lá ficou, Leonardo foi o último a chegar e chegou com um sorrisão, cumprimentou todo mundo e depois foi babá o filho dele.

Início do flashback.

- Chega ai que eu quero falar contigo - falou pegando no meu braço e me puxou pra cozinha, ele falava com uma alegria que eu tava estranhando.

- Já deu tudo certo - falou animado e eu olhando pra ele sem entender - meu pai vai sair dessa, ele logo vai vim pra casa.

- Como sabe? Eu ainda não recebi nenhuma notícia, to esperando o hospital entrar em contato e até agora nada - falei e ele balançou a cabeça.

- Eu sei porque o médico dos médicos falou, meu pai vai ser curado, logo irão avisar pode ter certeza.

- Que bom que você esteja colocando fé na recuperação do Índio Léo - falei e ele balançou a cabeça negando.

- Você não ta entendendo, ele vai acordar bem, mas vai começar a travar outras batalhas, tudo que acusaram ele vai ser descoberto e quem fez vai ser cobrado - ele foi falando e meus olhos arregalando, como assim ele ta sabendo do que aconteceu se eu só falei pra minha mãe - vai ser provado que meu pai não tem culpa de nada Luana, meu pai é inocente.

- Alguém te contou alguma coisa do que aconteceu Leonardo? - ele balançou a cabeça negando - então como você sabe disso tudo?

- Eu to esse tempo todo indo na igreja buscar pela saúde do meu pai Luana, o pastor conversou comigo e me falou isso, agora nós tem que se unir pra poder ajudar meu pai, ele vai precisar da gente mais ainda nesse momento - ele falava me olhando sério e eu assenti.

- Lua seu telefone ta tocando - ouvi o Lohan falando, encarei o Léo e sai da cozinha indo atrás do meu cel.

Atendi a ligação e era o médico do hospital, ele explicou que não tinha dado notícia no horário de sempre porque eles tinham tirando o Índio do coma induzido e estava esperando ele reagir, ele acordou, fizeram alguns exames o pulmão ta bem mas ele não ta sentindo as pernas, desliguei o celular com um sorriso, virei pra olhar pro Leonardo e ele assentiu sorrindo.

- Mãe, mãe - falei entrando no quarto igual bala, ela levantou a cabeça e me olhou com os olhos inchados - o doutor que ta cuidado do meu pai acabou de me ligar - falei indo até a cama e ela ja me olhou ficando mais triste - ele acordou mãe.

Fim do flashback.

Depois desse dia ai foi batalha atrás de batalha real, nós fomos até o hospital, o Léo ficou em casa cuidando de geral, babá por um dia, fomos minha mãe, Lohan e eu.

Ele ja estava no quarto, nos entramos e vê a felicidade da minha mãe foi a melhor coisa que eu vi, mas a gente via na cara do meu pai que ele tava triste por conta da situação, o médico explicou a ele que poderia voltar a andar, mas isso tem que ser pelo esforço dele, muita fisioterapia,  mas ai a gente viu o lado turrão do macho que ninguém conhece.

O Índio passou mais duas semanas internado, minha mãe ia todo dia ficar com ele, mesmo ele estando num mal humor terrível, não tá aceitando o fato das pernas não estarem funcionando, falou até que ta velho demais pra ficar nessa de aprender a andar tudo de novo.

Na semana que ele ganhou alta eu fui buscar, na maior dificuldade nós conseguimos colocar ele dentro do carro, chegando na Penha, foi a mesma coisa, mas lá tava uns caras que andava com ele Raul, então foi até mais fácil, a gente ja tinha esquematizado uma cadeira pra ele mas vai ser foda pra ele ir pro quarto, porque fica no segundo andar né.

Minha mãe fez um churrasco pra tentar da uma animada nele, ele ficou sentado com o povo dele, os cara tudo gastando nele e ele rindo, mas você via que ele ainda não tava bem, é estranho né, você ser independente e de uma hora perder a dependência passar a depender dos outros pra tudo.

𝑬𝒓𝒂 𝒖𝒎𝒂 𝒗𝒆𝒛... 𝑷𝒂𝒏𝒅𝒐𝒓𝒂!Onde histórias criam vida. Descubra agora