Luana Narrando
Viemos parar no camarote, que chamariz pra homem que porta fuzil é esse que a gente tem, chegou uns boyzinhos até nós, conversamos com eles e eles chamaram a gente pra ficar no camarote, até que são bonitinhos.
Meu celular? Fui obrigada a colocar em modo avião, o outro ficou me ligando direto, não como curtir desse jeito né.
Estamos Ágatha e eu conversando com os boys, eles falando várias graças e a gente rindo, falei que ia no banheiro e sai de perto deles, ainda bem que nesses camarotes tem banheiro, porque ia ser horrível eu ter que descer, atravessar a quadra só pra poder fazer xixi.
Sai do banheiro e dei de cara com um homem, um preto alto, com maior cara de marrudo, carinha que faz gostosinho também, eu fui passar e ele ficou na minha frente.
- Da licença, eu quero passar - falei, ele me mediu da cabeça aos pés e eu fiz o mesmo, já catei a cintura ignoranterrima dele.
- Eu acho que te conheço de algum lugar - ele falou pra mim e o uc fechou na hora - você não é daqui, certo? - perguntou e eu assenti, ele passou a mão no cavanhaque dele e me deu passagem, passei por ele quase que correndo e voltei pra perto da Ágatha.
- Bichaaaa, fui sair do banheiro um cara me cercou e falou que me conhecia - falei no ouvido dela que virou rápido pra mim.
- Mas você conhece ele? - ela perguntou e eu neguei - quem é o bofe? - ela perguntou, eu olhei rápido em volta e vi ele no outro cercado.
- Aquele ali de camiseta branca, o pretinho - falei e ela olhou.
- Hum, gostoso, eu sentava - ela falou me olhando e eu revirei os olho.
- Pelo amor Ágatha, eu falando um negócio sério e você ja levando pro lado da putaria - falei pra ela que riu - quero ver se ele for conhecido dos boys lá da Penha.
- Se for a gente vai saber agora - ela falou e eu olhei sem entender - ele ta vindo pra cá.
Ela falou e eu segui reta olhando pra frente, os meninos que estavam com a gente virou pra trás, vi de relance que eles cumprimentavam alguém.
- Fala ae Br - um dos meninos falou.
- Eae Vinicin, cês tão bem acompanhados em - esse tal Br falou.
- É pô, são parcerias nossa, se chaman Ágatha e Luana - o Vini falou e eu senti tocarem no meu ombro e então eu virei e olhei.
- Luana? - ele perguntou me olhando e eu assenti - vocês são de onde? - ele perguntou olhando diretamente pra mim.
- Penha - a Ágatha falou, ele olhou uns segundos pra ela e voltou a me olhar.
Ele se afastou um pouco da gente, vi quando ele meteu a mão na cintura e tirou o celular do suporte, mexeu mexeu e levantou o mesmo, ah pronto, ele conhece o Raul, vai tirar foto e mandar pra ele, ja virei pra frente de novo, mesmo com meu uc trancado eu segui bebendo.
- Coé meu mano, não pô, só olha aqui - ouvi a voz dele mais próxima de mim, ele me puxou pelo ombro, quando eu virei ele colocou o celular dele na minha cara.
- Léo? - falei com os olhos arregalados olhando pra tela e olhei pro tal Br.
- O filha da puta, o que você ta fazendo ai? - o meu irmão falou do outro lado da linha e eu mostrei meu copo pra ele - caralho Luana, tu é foda.
- E o meu parcero, relaxa. Ta na minha área vai ser muito bem cuidada, ta comigo ta com Deus - o br falou olhando pra tela, eu e a Ágatha nos olhamos e eu balancei a cabeça.
Ele se afastou da gente e eu ja pensando um milhão de merda, agora pronto, esse macho conhece o Leonardo, que deve conhecer o Índio e a tropa toda lá da Penha, eu querendo curtir sem ser conhecida ja to marcada aqui também, que ódio.
- Fica suave jae - ele falou parando do meu lado e eu tomei um susto.
- Ai garoto, que susto - falei virando pra ele - conhece meu irmão da onde?
- Tava preso com ele pô, Leleo é tranquilão - ele falou e eu balancei a cabeça negando - sai essa semana.
- Tendi - falei e beberiquei meu copo.
- Tu é casada né? - eu olhei pra cara dele.
- Não é bem casada, to vivendo um relacionamento engraçado - falei e ele assentiu - você falou que me conhecia, meu irmão te mostrou alguma foto minha né.
- Mostrou tua, do gêmeo dele e de um menorzinho, falou que se eu ver na infla eu podia tomar minha atitude - falou rindo e eu neguei.
- Leonardo é ridículo, acha que é pai de alguém. - falei ele balançou a cabeça.
- O cara só quer cuidar de vocês pô, ele se preocupa, a maior preocupação dele é você - falou e eu olhei pra ele assustava.
Nos dois estavamos conversando lado a lado encostados no ferro que cercava o camarote.
- Eu não sou a preocupação dele, Leonardo acha que é meu pai, acha que se ele falar eu tenho que obedecer, sou maior de idade já - falei e ele assentiu.
- A preocupação do muleque contigo é que você foi criada pela vó ta ligado e não conhece as maldades direito - ele falou e eu ri, virei e encostei o ferro e fique encarando ele.
- O meu irmão te contou que eu era garota de programa? - perguntei e ele negou - então eu conheço as maldades sim, na verdade ele gosta é de tomar conta da minha vida.
- Largou dessa vida né? - eu assenti - não tem necessidade de você ta nisso pô, mina mó lindona.
- É, mas na época eu precisava, eu era sozinha e tinha que pagar a minha faculdade, é uma história meio complicada e eu não gosto de falar disso - falei e ele assentiu.
- Então nós troca de assunto, tô sabendo também que teu aniversário ta chegando, é verdade? - ele falou e eu fiquei encarando ele - teu irmão me passou o laudo todo pô.
- Meu Deus, Leonardo é fofoqueirinho em, sim meu aniversário é na próxima semana, farei 20 aninhos.
Fiquei conversando com esse boy um tempão, 30 anos, solteiro, tem cintura ignorante e a gente ja sabe que não presta, um preto bem bonito, aquele preto de molhar a calcinha sabe, juro que se eu não tivesse nesse relacionamento engraçado eu sentava sem nem pensar, mas não é porque o Raul é mancão que eu vou cair na mancada também.
Teve show do Caju pra baixo, mas eu tava pra cima legal, cantei, sambei, bebi, fumei, até lança perfume eu usei, Ágatha e eu tava pras fodas de verdade, quando finalmente dei por mim era 7 horas da manhã, bicha, amanhã serei ninguém ja to vendo, o vini, o dedé levaram a gente até na porta da quadra, ficou lá até o nosso uber chegar, entramos no mesmo e partimos pra minha casa.
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𝑬𝒓𝒂 𝒖𝒎𝒂 𝒗𝒆𝒛... 𝑷𝒂𝒏𝒅𝒐𝒓𝒂!
Fiksi PenggemarMesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. Livro Único Estréia: 30/06 Finalização: 07/08
