Rio de Janeiro, agosto de 2022.
A minha noite não havia sido nada fácil, o fim de mês somado ao estresse do fechamento da empresa me fez, literalmente, perder o sono. A noite em claro havia retirado toda a felicidade do meu corpo e parto rumo a BBB clamando por uma dose de serotonina que só o meu café da manhã predileto pode proporcionar.
Chego a padaria e para o meu espanto minha mesa está ocupada. Não pelo desquerido de sempre que insiste em competir comigo pelo meu espaço predileto. Mas… por um casal de idosos.
Respiro fundo tentando controlar o mau humor que assola meu corpo e minha mente e conto até três caminhando até minha mesa substituta. Meu humor melhora um pouquinho quando vejo Antônio passar pela porta e fazer a mesma cara de confuso. Ele fica tão frustrado quanto eu, pois além de perder a minha mesa, que ele insistia em querer roubar, perdeu a substituta dele, que agora estava comigo. Sorrio prepotente sentindo o prazer do momento e ele me encara revirando os olhos. Franzo a testa encarando ele com cara de brava e ele se senta de frente pra mim a uma mesa de distância.
Nos encaramos sem dizer nada e desvio o olhar para os idosos usurpadores de mesa.
— Quer mais açúcar, Rosa? - o senhor pergunta com carinho e sinto meu coração amolecer ao ouvir o nome.
A senhora concorda falando baixinho sobre a temperatura do líquido. Vejo ele passar a manteiga no croissant e reparo que Antônio também assiste a cena.
O senhor corta pedaços do pão e da torrada de forma com que ela conseguisse comer mesmo com a dificuldade do que eu imagino ser um AVC. Ele leva a xícara a boca dela com uma delicadeza ímpar, que faz meu coração palpitar. A cena é digna de um clichê romântico e me sinto grata por poder vivenciar.
Pam traz a bandeja com o café habitual do desquerido, o chá duplo com sabores diferentes, a torrada e algo que não consigo identificar pela distância. Vejo ela se aproximar com o meu e brinco bufando com uma falsa revolta.
— Além de perder minha mesa eu ainda sou servida depois porque esse desquerido está uma mesa mais próximo do balcão? Eu estou aqui a mais tempo, ele chegou agora e está sentando na janelinha, literalmente.
— Deixa de ser ciumenta, Amanda! - Pam ri balançando a cabeça e eu mostro a língua pra ela.
Sinto meu humor melhorar e já sou capaz de sentir meu peito, e minha mente, mais leves.
Tomo meu café ainda assistindo o romance da mesa ao lado e reparo que Antônio me encara mais do que seria educado.
- O que foi? - Falo alto erguendo uma sobrancelha pra ele.
Antônio ri balançando a cabeça e sinto minha raiva querendo marcar presença novamente.
Vejo que ele finalizou o café e o assisto levantar.
— No fim, nem minha, nem sua. Tenha um bom dia, bravinha. - ele pisca o olho virando as costas e me controlo para não jogar o resto do meu crossaint na cabeça dele.
Pam ri na bancada e mostro o dedo do meio pra ela. Que homenzinho desprezível!
Termino meu café e saio para mais um dia de trabalho, calculando quantos minutos mais cedo eu preciso chegar amanhã.
Rodapé:
Esse ep é uma collab apaixonante com a
azzocle.
Quando eu pedi pra Le entrar nessa loucura comigo, nunca imaginei que seria tão enriquecedor.
Imagina, trazer personagens dela, pra dentro da minha história de forma tão delicada... que sorte a minha ela ter topado!
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EVERY DAY, ONE DAY
FanfictionUma rotina Um café Uma mesa Várias percepções O quanto alguém pode alterar sua vida apenas sentando em seu lugar favorito? - Uma FIC COLLAB com muita gente legal! Recheada de amor!
