39.1 - Bom dia

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Rio de Janeiro, dezembro de 2022.


Definitivamente meu lugar preferido no mundo são os braços do Antônio. Não existe lugar em que me sinta mais confortável. Abro meus olhos nessa manhã de sábado e vejo que ele ainda está dormindo, mas sinto o peso dos seus braços me segurando pela cintura me mantendo ainda mais perto dele. Aproveito e dou um beijo em seu peito, que é onde estou encostada, subo até seu pescoço e repito o ato, faço um carinho em sua barba e tento me levantar. Nessa hora ele me aperta ainda mais enquanto me puxa para cima dele, me arrancando uma gargalhada alta.

– Bom dia, meu amor! – Digo em cima dele, quando penso em tirar proveito da minha posição ele me gira de forma rápida, fazendo com que meus cabelos fiquem quase tampando meu rosto.

– Bom! – Fala e me beija – Dia! – E repete o beijo e segue fazendo enquanto fala "meu amor", vejo sua expressão mudando e meu corpo se arrepia inteiro só com o seu olhar. Quando sua mão sobe para tirar meu cabelo do rosto, ouço um barulho na porta. Fico alerta no automático e empurro Antônio que se assusta e pergunta o que está acontecendo... eu sei o que é, só pode ser uma coisa, meus pais chegaram! E vieram sem avisar. Quando sento na cama ouço meu pai falando alto.

– Amanda! Tá em casa? – E na sequência o barulho da máquina de café em capsulas funcionando.

– Oi Pai! Tô sim! Um minuto, já vou! – Respondo enquanto vejo Antônio confuso, me divirto com a sua reação e falo pra ele que a nossa sorte é que eu tenho mania de dormir de porta fechada.

Me levanto, faço minha higiene e me visto, quando volto para o quarto Antônio ainda está sem reação.

– Vamos amor, não vai se arrumar? Pelas batidas na cozinha, minha mãe também veio e eles sabem que você está aqui, já que suas roupas estão na sala. – Pisco e engato em uma gargalhada sem fim. Ele se joga de costas na cama e cobre o rosto com o travesseiro, ainda pelado. Não perco a oportunidade, me debruço sobre ele, vou até sua barriga, faço um caminho de beijos até seu pau e o lambo uma vez. Ele aperta o travesseiro em seu rosto enquanto ameaça gritar meu nome. Sorrio com a sua ereção e falo

– Bora! Vai se organizando, que eu já te trago uma roupa, mais tarde a gente resolve isso. – Ele se levanta muito a contragosto, me puxa, aperta a minha bunda e me dá um beijo. Quando ele entra no banheiro eu vou para sala.

Minha primeira visão é meu pai sentado no sofá ao lado das roupas do Antônio, já todas dobradas e as minhas ao lado, seguindo o mesmo processo. Se tivesse um buraco na minha sala, pularia nele de tanta vergonha que eu estava sentindo. Ele me olha com cara de deboche enquanto toma seu café, eu sorrio, vou até ele e dou um beijo na sua testa. Minha mãe está na cozinha, exatamente como eu pensei. Sempre que eles vêm para a minha casa, passam antes no mercado e o barulho que eu ouvia era ela guardando as compras. Vou até ela, que me abraça e diz baixinho no meu ouvido – Feliz que se entenderam, minha filha. Seu semblante está muito melhor. Dobrei as roupas de vocês, você viu? – Ela ri e me dá um tapa fraco na bunda. Ela volta comigo para a sala e meu pai pergunta se o Antônio está se escondendo, eu ri, por mais que seja constrangedor ao mesmo tempo é leve e muito gostoso. Respondo que vai ele sair já, pego as roupas, passo pelo meu closet, deixo o que tem para lavar e levo algumas limpas para ele. Já saímos do quarto juntos, de mãos dadas. Nesse meio tempo minha mãe já tinha arrumado a mesa para tomarmos o café da manhã todos juntos. Tinha cheiro de café coado, suco, pão francês e pão doce com goiabada, bolo de laranja, além do meu croissant. Só de ver eu sabia que ela tinha passado pela BBB. Apresento meus pais ao meu namorado. Minha mãe o abraçou e não perdeu a oportunidade de dizer que ele é lindo. Meu pai, fez uma cara mais fechada e assim que Antônio esticou a mão para cumprimenta-lo, o puxou para um abraço. E sorriu, vi que ele falou alguma coisa no ouvido dele, Antônio somente confirmou com a cabeça, abriu um sorriso imenso e vi quando ele respondeu alguma coisa bem baixinho, para que só meu pai ouvisse.

Nos sentamos para o café e foi delicioso. Meus pais foram incríveis com meu namorado, já entenderam o quanto eu sou feliz com ele. Passamos mais de duas horas batendo papo e rindo. Minha mãe colocou uma play list do Geraldo Azevedo para tocar baixinho enquanto estávamos ali nos divertindo. Quando começou a tocar Dia Branco, meu pai se levantou e tirou minha mãe para dançar, percebo Antônio me olhando, ao mesmo tempo que os admiramos juntos. Ele segura a minha mão e diz – É isso, Amanda! É assim que eu quero viver com você! – Meus olhos marejaram, ele leva minha mão até sua boca e a beija. Enquanto toca a música, fico com a minha cabeça encostada em seu ombro, só sentindo o amor que transborda em tudo ali. Quando eles voltam a se juntar a nós vejo Antônio se mexendo na cadeira, até que ele pergunta para os meus pais se eles têm planos para o almoço, minha mãe disse que ainda não, mas que queria aproveitar que estava no Rio para visitar uns amigos, mas curiosa pergunta por quê e então ele diz que talvez fosse a oportunidade de fazer um almoço. – Sei que ainda estamos tomando café, mas pensei em um almoço lá em casa. Aproveito e falo com a minha mãe e o meu irmão. O que acham? – Diz de forma empolgada e minha mãe topa na hora. Meu pai sorri e me olha dentro dos olhos. Acho que todas as borboletas do mundo estão dentro da minha barriga. 

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