15.1 - Mesa Reservada

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Rio de Janeiro, setembro de 2022.

Acordo e logo vou para a janela olhar o mar. Amo essa fase de início da primavera. Os dias tendem a parecer ainda mais lindos. Hoje está sol, o está mar calmo. Já tem muitas pessoas caminhando na orla. Penso que também preciso, prometo que amanhã eu também irei me exercitar, mesmo sabendo que não é verdade.

Depois do meu banho tenho uma ideia! Passo a mão no telefone e mando uma mensagem para o WhatsApp da padaria.

- Bom dia! Meninas, por favor, reservem a minha mesa para o café da manhã de hoje... se puderem, coloquem uma placa. Obrigada! - Imagino bem como elas devam estar se divertindo com a minha solicitação. Logo recebo a confirmação ao meu pedido. - Olá, Amanda! Está feito! Até já! - Sorrio satisfeita.

- Agora posso me atrasar com calma. - Sigo para o banho.

Quando chego a BBB percebo que eu consegui exatamente o que tinha planejado. Encontro Antônio em outra mesa, olhando fixamente para a placa. Percebo que não tem nada em sua mesa. Pergunto para Ana se ele já havia comido e ela me fala que ele nem fez o pedido e que desde que viu a marcação na mesa de estimação, estava contrariado. BINGO!

Antônio está tão mal-humorado olhando para a mesa, nem percebe a minha chegada. Aproveito que já estou falando com a Ana e faço um pedido de café completo para dois. Nessa modalidade vem completa: frutas, pães, bolo, café e suco.

Ando calmamente até a mesa, sento onde mais gosto, retiro a placa, olho para ele e pisco, seguindo com um enorme sorriso. Mexo com a cabeça como quem o chama. Ele entende e vem com a testa franzida e o maxilar travado. Cara de poucos amigos. Ele que lute!

Quando ele chega, pergunto com a cara mais tranquila que eu posso fazer:

- Gostou da surpresa? Reservei para nós! - Ele desfaz a trava do rosto e muda a expressão para espanto, parece entender que fiz isso para implicar e ele estava certo! - Bora, Antônio! Senta, que mania de ficar em pé me olhando... já falei que não cresce mais! - Cravo meu olhar no dele e sustento. Ele respira fundo, senta, abre meio sorriso e fala: - Preciso aprender a lidar com você! - Dessa vez o sorriso vem. Quando ele ameaça levantar a mão para fazer seu pedido, eu seguro sua mão o impedindo.

- Calma! Fica tranquilo, já fiz o nosso pedido - se ele tinha me olhado em confusão momentos antes, agora eu tenho certeza que estou vendo fumaça saindo da cabeça dele. Ficamos em silencio nos estudando, aproveito para descontrair um pouco - Ai Antônio! Relaxa, foi uma brincadeira. Confia! Tenho certeza de que você vai gostar. - Ele me olha ainda mais profundamente, respira longamente e responde - Você é surreal! Juro! Vamos ver o que você está aprontando.

Em menos de dois minutos Ana e Vic vem nos servir. Trouxeram duas bandejas gigantes e começaram a colocar tudo na nossa mesa. Pra variar, ele estava confuso, mas dessa vez era quase emocionado, sorriu e disse:

- Meu Deus, é muita coisa! E tem de tudo! Amanda, você tem um ponto! Meu dragão interior está te agradecendo ferozmente! - Dou uma gargalhada antes de dar um gole no meu expresso duplo e pegar uma metade de mamão papaia.

Percebo que está relaxado e aparentemente feliz! Certamente entendeu que esse é um convite para seguirmos dividindo a mesa. Conversar com ele tem sido delicioso. Ele é inteligente, implicante no nível certo e lindo!

Pego um pedaço de bolo de laranja com calda de limão, uma fatia de toster de pão de queijo, geleia e um pouco de requeijão. Sinto seus olhos em mim, devolvo o olhar e pergunto:

- Que foi? Tô com fome! - Falo já rindo e ele me acompanha.

Comemos quase tudo, conversamos sobre tudo que tinha sido servido, algumas memórias de infância até que recebo uma ligação do meu gerente e preciso sair. Quando me despeço dele, ele me segura pelo punho e diz.

- Amanda proletariada, você fez uma surpresa deliciosa! Deixa que eu pago. - Me puxando para um abraço. Eita, homem cheiroso! Penso em falar que é melhor dividir. Quer saber, deixa ele!

- Sim, senhor empresário próspero! Fica com a conta, eu mereço! - sorrio e vou embora.

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