O silêncio reinou. Lavei a louça, pensando que só queria ser livre logo, sair dessa casa.
Logo percebi a presença de Cléo, chegando mais perto da pia.
Cléo: Deve ser difícil né? - sussurrou.
Renatinha: O quê?
Cléo: Viver de caridade.
Essa mulher vai realmente começar a me atazanar?
Renata: Caridade de quem? Não vivo de caridade não, querida!
Cléo: Não? E o que tu faz aqui?
Renata: Pergunta pro Carioca! - sorri com sarcasmo - E você? Tá aqui pelo cargo de "primeira dama"?
Os olhos dela brilharam, mas ela recuou.
Cléo: Olha Renata! Eu só quero conviver em paz contigo.
Renata: Quê? Quem começou foi você!
Cléo: Para, eu só quero harmonia dentro de casa.
Ouvi os passos do Carioca na escada e ela também. Ela vai querer me colocar como a vilã?
Renata: Tá louca?
Cléo: Eu sei que tu não gosta de mim, mas o Carioca me escolheu. Não precisa me agredir com essas palavras baixas.
Neste instante pude ouvir o barulho das correntes de ouro que o Carioca usa, ecoando na minha cabeça.
Carioca: Que coisas?
Ela se segurou, como se quisesse evitar mais brigas. Que sínica!
Cléo: Nada, esquece...
Renata: Ué, agora fala!
Cléo: Eu só tava tentando conversar mas a Renata me acusou... - fingiu um leve choro - de estar aqui apenas pelo teu dinheiro.
Carioca não abriu boca mas senti o fuzilamento do olhar dele.
Renata: Agora você é a vítima de tudo isso? Ah me poupe.
Carioca: Tá louca?
Renata: Ela tá me...
Cléo: Carioca, era óbvio que ela não iria gostar de mim! - me interrompeu.
Renata: Para de fingir.
Isso me deixou muito estressada.
Carioca: Chega - disse ao bater forte na mesa.
O silêncio ecoou pela cozinha. Ele foi em direção a ela e a abraçou. Senti nojo.
Renata: Eu não fiz nada Carioca, acredita em mim!
Carioca: Eu não quero essas briguinhas aqui. E tu - apontou para mim - respeita minha mulher, sacô?
Fechei a cara mas balancei a cabeça em sentido afirmativo. Ele a abraçou novamente e eu pude ver, o rosto dela, com semblante triste se transformando em um sorriso. Um sorriso pequeno, que simbolizava "eu venci", mas ela venceu a batalha mas não a guerra.
Eu tive a certeza que ela veio não só pra ficar mas pra destruir tudo e todos que pisarem no seu calo.
(...)
Mais tarde, depois de passar algumas horas sentada na cama chorando, fui até o banheiro e como sempre estava habituada, estava próximo do meu período menstrual, peguei a minha caixinha com absorventes.
Renatinha: Aí, deve ser estresse - resmunguei.
Esse caôs todo tá tendo efeitos colaterais, pensei. Ainda não desceu.
Como o Carioca não deixava mais eu usar celular, eu deixo anoto tudo no caderninho, que fica debaixo do meu colchão. Uso ele de diário.
Abri para verificar e lá estava, a confirmação de dois dias de atraso na minha menstruação. Larguei o caderno e fui novamente ao banheiro. Encostei na pia e fiquei alguns segundos olhando meu reflexo no espelho.
Minha cabeça estava a maior confusão.
Minha menstruação nunca atrasou. Nenhum dia! Mas isso tudo pode ser estresse ou coisa da minha cabeça.
Sai do banheiro com a mente a mil. Fui até o corredor... silencioso demais. Estranhei, pois mesmo com o Carioca fora, sempre tem algum vapor rondando.
Desci a escada, peguei um copo de água e fui até a porta. Tentei abrir, mas sem sucesso.
Renata: Droga!
Voltei ao quarto e meu caderninho estava lá em cima da cama, mas...
Renata: Ele não tava nessa posição.
Me desesperei. Folheei e na página que constava a data da minha menstruação (que não tinha descido), estava dobrada e escrito levemente de lápis: "atrasou?"
Renata: Será que foi ela? - sussurrei.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
