Capitulo 31 ✨

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O silêncio reinou. Lavei a louça, pensando que só queria ser livre logo, sair dessa casa.

Logo percebi a presença de Cléo, chegando mais perto da pia.

Cléo: Deve ser difícil né? - sussurrou.
Renatinha: O quê?
Cléo: Viver de caridade.

Essa mulher vai realmente começar a me atazanar?

Renata: Caridade de quem? Não vivo de caridade não, querida!
Cléo: Não? E o que tu faz aqui?
Renata: Pergunta pro Carioca! - sorri com sarcasmo - E você? Tá aqui pelo cargo de "primeira dama"?

Os olhos dela brilharam, mas ela recuou.

Cléo: Olha Renata! Eu só quero conviver em paz contigo.
Renata: Quê? Quem começou foi você!
Cléo: Para, eu só quero harmonia dentro de casa.

Ouvi os passos do Carioca na escada e ela também. Ela vai querer me colocar como a vilã?

Renata: Tá louca?
Cléo: Eu sei que tu não gosta de mim, mas o Carioca me escolheu. Não precisa me agredir com essas palavras baixas.

Neste instante pude ouvir o barulho das correntes de ouro que o Carioca usa, ecoando na minha cabeça.

Carioca: Que coisas?

Ela se segurou, como se quisesse evitar mais brigas. Que sínica!

Cléo: Nada, esquece...
Renata: Ué, agora fala!
Cléo: Eu só tava tentando conversar mas a Renata me acusou... - fingiu um leve choro - de estar aqui apenas pelo teu dinheiro.

Carioca não abriu boca mas senti o fuzilamento do olhar dele.

Renata: Agora você é a vítima de tudo isso? Ah me poupe.
Carioca: Tá louca?
Renata: Ela tá me...
Cléo: Carioca, era óbvio que ela não iria gostar de mim! - me interrompeu.
Renata: Para de fingir.

Isso me deixou muito estressada.

Carioca: Chega - disse ao bater forte na mesa.

O silêncio ecoou pela cozinha. Ele foi em direção a ela e a abraçou. Senti nojo.

Renata: Eu não fiz nada Carioca, acredita em mim!
Carioca: Eu não quero essas briguinhas aqui. E tu - apontou para mim - respeita minha mulher, sacô?

Fechei a cara mas balancei a cabeça em sentido afirmativo. Ele a abraçou novamente e eu pude ver, o rosto dela, com semblante triste se transformando em um sorriso. Um sorriso pequeno, que simbolizava "eu venci", mas ela venceu a batalha mas não a guerra.

Eu tive a certeza que ela veio não só pra ficar mas pra destruir tudo e todos que pisarem no seu calo.

(...)

Mais tarde, depois de passar algumas horas sentada na cama chorando, fui até o banheiro e como sempre estava habituada, estava próximo do meu período menstrual, peguei a minha caixinha com absorventes.

Renatinha: Aí, deve ser estresse - resmunguei.

Esse caôs todo tá tendo efeitos colaterais, pensei. Ainda não desceu.

Como o Carioca não deixava mais eu usar celular, eu deixo anoto tudo no caderninho, que fica debaixo do meu colchão. Uso ele de diário.

Abri para verificar e lá estava, a confirmação de dois dias de atraso na minha menstruação. Larguei o caderno e fui novamente ao banheiro. Encostei na pia e fiquei alguns segundos olhando meu reflexo no espelho.

Minha cabeça estava a maior confusão.

Minha menstruação nunca atrasou. Nenhum dia! Mas isso tudo pode ser estresse ou coisa da minha cabeça.

Sai do banheiro com a mente a mil. Fui até o corredor... silencioso demais. Estranhei, pois mesmo com o Carioca fora, sempre tem algum vapor rondando.

Desci a escada, peguei um copo de água e fui até a porta. Tentei abrir, mas sem sucesso.

Renata: Droga!

Voltei ao quarto e meu caderninho estava lá em cima da cama, mas...

Renata: Ele não tava nessa posição.

Me desesperei. Folheei e na página que constava a data da minha menstruação (que não tinha descido), estava dobrada e escrito levemente de lápis: "atrasou?"

Renata: Será que foi ela? - sussurrei.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora