Subi o resto da viela devagar, sem pressa. Quanto mais eu me aproximava da casa, mais voltava na minha cabeça a cena do quarto: o Carioca mandando a Liz sair. Isso me fazia rir.
A Liz sempre foi o ponto fraco dele, a única pessoa que conseguia atravessar aquela casca grossa e falar com ele de igual para igual. Mesmo assim, ele escolheu me defender na frente dela.
Ser mamãe do filho dele tem suas vantagens, não é?
Um pequeno sorriso apareceu no canto da minha boca enquanto eu subia os últimos degraus da escadaria. Não era vitória ainda, mas era um movimento bom no tabuleiro. Porque no meio daquela casa ainda existia um problema chamado Renata, ao melhor, Renatinha.
Eu conhecia homens como o Carioca. Homens que vivem no caos, que respiram perigo, mas que lá no fundo sempre guardam alguma coisa que querem proteger, algo que parece puro demais para aquele mundo. E a Renata tinha exatamente essa cara.
Cheguei ao portão, empurrei devagar e entrei. A casa estava silenciosa demais para aquele horário, o que era estranho. Caminhei pelo corredor ouvindo apenas meus próprios passos até perceber vozes baixas vindo da cozinha.
Parei antes de abrir a porta. Reconheci as duas imediatamente: Liz e Renata. Então a princesinha ainda estava ali. Encostei na parede, quieta, escutando. Liz estava falando com aquele tom firme que ela usa quando acha que está salvando alguém de um desastre. Renata respondia mais baixo, como sempre, tentando manter alguma calma no meio da tempestade.
Liz: Meu irmão tá cego!
Renata: Ele tá sendo manipulado, e muito bem!
Mesmo depois de tudo, ela ainda tentava proteger o homem que tinha comprado a própria liberdade dela como se fosse uma mercadoria. Trouxa!
Eu fiquei ali, em silêncio, observando aquele pequeno teatro pela fresta da parede, sentindo uma satisfação lenta crescer dentro de mim. Continuei parada no mesmo lugar, ouvindo cada palavra que vinha da cozinha.
Liz: Ele tá deixando o coração falar mais alto do que a cabeça, isso nunca tinha acontecido antes. Ela pegou no ponto fraco dele - riu sarcasticamente.
Renata: Eu acho que ele só está tentando consertar a vida dele, não machucar mais ninguém.
Liz: Comi assim?
Renata: Ele me disse que tá arrependido de todo mal que fez! E...
Liz: Fala!
Renata: Tá até pensando em me libertar!
Aquilo me fez apertar o maxilar por um segundo. Então era isso: ele tinha contado para ela que pretendia libertá-la?
Fiquei ali quieta, processando aquela informação enquanto a conversa continuava.
Liz: E tu vai?
Renata: Não sei! Tô muito confusa.
Liz: Porque?
Renata: Você sabe!
Pelo tom da respiração dela, deu para perceber que estava pensando.
Liz: Fala!
Renata: A gente tem história!
Liz: Isso é! E tu sempre esteve com ele. Dormia com ele, se preocupava, e tudo pra...
Renata: Pra ele ficar com essa víbora!
Víbora, eu? Que audácia.
Liz: Ele vai acordar!
Renata: Não sei não.
Liz: E me conta, vocês estão ficando ainda? Ou agora ele é fiel?
Houve uma pequena pausa. Eu prendi a respiração sem perceber.
Renata: Eu não sei ao certo quando eles começaram mas a gente não ficou mais!
Liz: Entendi! Eu queria que quem estivesse grávida fosse você!
Renata: Liz...
Liz: Sim!
Renata: Estou com minha menstruação atrasada já fazem 2 semanas!
Gelei por uns segundos, pois eu tinha visto no caderninho que estava atrasada a menstruação dela mas fui burra. Esqueci dessa informação importantíssima.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
