Capitulo 50 ✨

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Renatinha narrando...

No dia seguinte. Acordei antes do sol. Na verdade... nem sei se dormi.

O quarto ainda tava meio escuro, aquele clima antes da favela acordar de verdade: Paz, mas dentro de mim... não tinha paz nenhuma.

Meu peito parecia apertado o tempo todo, como se eu não conseguisse respirar direito desde a noite anterior.

"Eu amo a Cléo..."

Fechei os olhos com força. Aquilo doía mais do que tudo. Mais do que ele mandar eu ir embora. Mais do que ele dizer que eu podia estar grávida. Doía porque eu sempre estive ali... mesmo quando ele me trocou por outras do morro, mesmo quando ele tava preso, quando tava jurado de morte... eu fiquei. E ainda assim, nada disso bastou. Porque ali... eu entendi. Eu nunca fui escolha. Sempre fui o tapa buraco.

A porta abriu sem aviso. Levei um susto leve e me encolhi na cama, puxando o lençol.

Era ele.

Carioca entrou como se nada tivesse acontecido. Como se ontem não tivesse destruído tudo. Como se eu não estivesse ali... quebrada.

Ele jogou uma caixinha na cama, do meu lado. Seco, sem nem olhar.

Carioca: Faz.

Demorei um segundo pra entender. Olhei pra caixinha: Teste de gravidez. Meu estômago virou na hora.

Levantei o olhar devagar pra ele.

Renata: É assim?

Ele deu de ombros, encostado na parede, fumando um.

Carioca: Quanto antes souber, melhor.
Renata: Você não vai nem... falar direito comigo?

Ele soltou o ar, impaciente.

Carioca: Falar o quê, Renata? Já falei tudo ontem.

Cada palavra dele parecia um tapa. Fiquei olhando pra ele... esperando alguma coisa.

Qualquer coisa.

Um mínimo de humanidade.

Mas não veio.

Nada.

Renata: Você tá sendo muito cruel.
Carioca: Tô sendo prático.

Era isso que eu tinha virado: um problema pra resolver, uma situação pra controlar. Apertei a caixinha na mão, sentindo os dedos tremerem.

É isso, Deus? Engoli seco, tentando segurar o choro. Olhei pro teste de novo. Minha mente começou a correr, lembrando de tudo:

Trabalho.

Sonhos.

Planos simples.

Uma vida normal.

Por que o Senhor deixou eu vir parar aqui? O ar começou a faltar. Por que eu? Minha vida sempre foi tão difícil e eu tão forte.

Senti as lágrimas caindo antes mesmo de perceber. Por que sempre eu tenho que passar pelas coisas mais difíceis?

Levantei da cama devagar, como se cada movimento fosse um esforço absurdo. Ele continuava ali: frio. Como se não tivesse nada a ver com aquilo. Parei na frente dele por um segundo.

Renata: Você não sente nada?
Carioca: Sinto. — me olhou — Mas não posso me dar ao luxo de sentir.

Aquilo me destruiu mais... de um jeito silencioso, um vazio. Balancei a cabeça devagar, sem conseguir nem discutir mais. Eu perdi.

Não ele, não a situação... Eu perdi... a mim mesma.

Segurei o teste com mais força e fui em direção ao banheiro. Antes de fechar a porta, olhei pra ele uma última vez.

Esperando... ainda.

Idiota.

Fechei a porta. E ali... sozinha... encostei na parede e deixei o corpo escorregar até o chão. O choro veio forte dessa vez.

Descontrolado, silencioso, mas sufocante. Levei a mão à boca pra abafar.

Deus... por favor, eu respirei fundo, tremendo.
Se o Senhor existe mesmo... olha pra mim agora.
As lágrimas não paravam, eu não aguento mais.

Olhei pro teste na minha mão, como se aquilo fosse definir tudo. Eu não aguento mais sofrer assim. Fechei os olhos, completamente quebrada.

(...)



E aí... vocês estão gostando da história? 🥺

Quero muito saber o que vocês estão achando desse rumo, das decisões, dos personagens... Tô sofrendo escrevendo, viu 😭 Não aguento ver essa nossa menina sofrer.

Me contem: vocês ainda torcem pela Renata? Ou já desistiram do Carioca?

Vou amar ler a opinião de vocês

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora