Os dias passaram... diferentes.
Não leves.
Mas diferentes.
A presença dele ali mudou o ar da casa. Não era mais aquele silêncio vazio... agora tinha movimento, tinha barulho, tinha alguém abrindo e fechando porta, andando de um lado pro outro como se nunca conseguisse ficar parado.
Mesmo assim... não era simples. Nada entre a gente era simples.
Naquela tarde, eu tava encostada no sofá, uma mão na barriga, sentindo o peso dos oito meses, quando ele apareceu vindo da cozinha, mexendo no celular, inquieto como sempre.
Carioca: Vou ter que subir mais tarde.
Eu levantei o olhar na hora.
Renata: De novo?
Ele nem estranhou o tom.
Carioca: Tenho coisa pra resolver lá.
Renata: Você sempre tem.
Ele guardou o celular no bolso, me olhando.
Carioca: É meu trampo, Renatinha!
Renata: E isso aqui?
Carioca: Isso aqui o quê?
Eu apontei pra barriga.
Renata: Isso aqui também é.
Carioca: Eu tô aqui.
Renata: Não tá.
Aquilo saiu mais rápido do que eu planejei.
Ele travou levemente.
Carioca: Como não?
Eu me ajeitei no sofá, com dificuldade, mas mantendo o olhar nele.
Renata: Você tá vindo... não ficando. Tem diferença.
Ele passou a mão na nuca, já incomodado.
Carioca: Eu não posso largar tudo lá, tu sabe disso.
Renata: Eu sei. Justamente por isso que você não pode ficar vindo pra cá toda hora.
Ele me olhou, sem entender.
Carioca: Como assim?
Renata: Carioca... você é o dono do morro. Você não é qualquer um que pode simplesmente desaparecer, sumir dias, ficar vindo pro asfalto e aparecer aqui como se nada tivesse acontecendo.
Ele cruzou os braços, já mais fechado.
Carioca: Eu sei me virar.
Renata: Não é sobre você se virar! Quando você some... alguém ocupa. Quando você enfraquece... alguém cresce. E quando isso acontece... o problema volta.
O maxilar dele travou de leve.
Carioca: Eu já resolvi o que tinha que resolver.
Renata: Por enquanto.
Silêncio.
Renata: Esse mundo que você vive não funciona com "resolvi e acabou". Sempre tem alguém esperando brecha. Sempre.
Ele passou a mão no rosto, pensativo agora.
Carioca: Então o que tu quer que eu faça?
Renata: Eu quero que você pare de agir como se pudesse ter os dois lados ao mesmo tempo.
Ele franziu a testa.
Carioca: Explica.
Renata: Ou você tá lá... sendo quem você é lá. Ou você tenta construir alguma coisa aqui.
Carioca: Tu tá mandando eu escolher?
Renata: Eu tô sendo realista. Eu não vou criar um filho no meio disso.
Ele olhou pra minha barriga... depois pra mim.
Carioca: Tu tá me afastando.
Renata: Não.
Eu balancei a cabeça devagar.
Renata: Eu tô te mostrando a realidade.
Pausa.
Renata: Porque amor... sozinho... não segura isso aqui.
Aquilo bateu.
Forte.
Ele ficou quieto.
Pensando.
(...)
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Fiksi RemajaRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
