Capitulo 63 ✨

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Os dias passaram... diferentes.

Não leves.

Mas diferentes.

A presença dele ali mudou o ar da casa. Não era mais aquele silêncio vazio... agora tinha movimento, tinha barulho, tinha alguém abrindo e fechando porta, andando de um lado pro outro como se nunca conseguisse ficar parado.

Mesmo assim... não era simples. Nada entre a gente era simples.

Naquela tarde, eu tava encostada no sofá, uma mão na barriga, sentindo o peso dos oito meses, quando ele apareceu vindo da cozinha, mexendo no celular, inquieto como sempre.

Carioca: Vou ter que subir mais tarde.

Eu levantei o olhar na hora.

Renata: De novo?

Ele nem estranhou o tom.

Carioca: Tenho coisa pra resolver lá.
Renata: Você sempre tem.

Ele guardou o celular no bolso, me olhando.

Carioca: É meu trampo, Renatinha!
Renata: E isso aqui?
Carioca: Isso aqui o quê?

Eu apontei pra barriga.

Renata: Isso aqui também é.
Carioca: Eu tô aqui.
Renata: Não tá.

Aquilo saiu mais rápido do que eu planejei.

Ele travou levemente.

Carioca: Como não?

Eu me ajeitei no sofá, com dificuldade, mas mantendo o olhar nele.

Renata: Você tá vindo... não ficando. Tem diferença.

Ele passou a mão na nuca, já incomodado.

Carioca: Eu não posso largar tudo lá, tu sabe disso.
Renata: Eu sei. Justamente por isso que você não pode ficar vindo pra cá toda hora.

Ele me olhou, sem entender.

Carioca: Como assim?
Renata: Carioca... você é o dono do morro. Você não é qualquer um que pode simplesmente desaparecer, sumir dias, ficar vindo pro asfalto e aparecer aqui como se nada tivesse acontecendo.

Ele cruzou os braços, já mais fechado.

Carioca: Eu sei me virar.
Renata: Não é sobre você se virar! Quando você some... alguém ocupa. Quando você enfraquece... alguém cresce. E quando isso acontece... o problema volta.

O maxilar dele travou de leve.

Carioca: Eu já resolvi o que tinha que resolver.
Renata: Por enquanto.

Silêncio.

Renata: Esse mundo que você vive não funciona com "resolvi e acabou". Sempre tem alguém esperando brecha. Sempre.

Ele passou a mão no rosto, pensativo agora.

Carioca: Então o que tu quer que eu faça?
Renata: Eu quero que você pare de agir como se pudesse ter os dois lados ao mesmo tempo.

Ele franziu a testa.

Carioca: Explica.
Renata: Ou você tá lá... sendo quem você é lá. Ou você tenta construir alguma coisa aqui.
Carioca: Tu tá mandando eu escolher?
Renata: Eu tô sendo realista. Eu não vou criar um filho no meio disso.

Ele olhou pra minha barriga... depois pra mim.

Carioca: Tu tá me afastando.
Renata: Não.

Eu balancei a cabeça devagar.

Renata: Eu tô te mostrando a realidade.

Pausa.

Renata: Porque amor... sozinho... não segura isso aqui.

Aquilo bateu.

Forte.

Ele ficou quieto.

Pensando.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora