Capitulo 37 ✨

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Depois que a Cléo foi embora do meu quarto, a casa ficou silenciosa demais, mas, na minha cabeça, as palavras dela continuavam se repetindo sem parar, como um disco quebrado.

"Eu estou grávida."

Sem perceber, levei a mão até a barriga. Não era nem um gesto consciente... parecia mais um reflexo.

E se...

Preciso parar de pensar e agir! Desci até a sala mas logo percebi a porta da frente se abrir antes que eu conseguisse terminar de descer a escada.

Carioca: Cheguei.

Eu não respondi. Passei direto para cozinha, precisava fazer a janta.

Ouvi o som do relógio sendo tirado do pulso e colocado na mesa. Depois os passos vieram na minha direção.

Carioca: Que cara é essa?

Eu não queria olhar para ele. Ouvi os passos, pesados e lentos vindo na minha direção.

Carioca: Renata.

Continuei pegando as panelas, fingindo que estava concentrada.

Renata: Oi.
Carioca: Tu ouviu?

Soltei um pequeno suspiro pelo nariz.

Renata: A casa não é tão grande assim.
Carioca: E?
Renata: E o quê? - respondi ríspida.
Carioca: Tu vai falar nada?
Renata: Não sei o que você espera que eu fale.

Ele deu dois passos para dentro da cozinha.

Carioca: Sei lá... qualquer coisa.
Renata: Você quer que eu te dê parabéns?
Carioca: Não é isso.
Renata: Então é o quê?

Ele passou a mão pelos cabelos, claramente irritado com a situação.

Carioca: Aquilo me pegou de surpresa também.

Olhei para ele e cruzei os braços.

Renata: Engraçado... ela parecia bem preparada.
Carioca: A Cléo é assim, dramática.
Renata: Aquilo não parecia drama.
Carioca: Tu acredita nela?
Renata: Não sei.
Carioca: Eu sei que isso tudo tá uma bagunça.
Renata: Tá mesmo.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que ele soltou um suspiro pesado e passou a mão pelo rosto, como se estivesse cansado demais para continuar fingindo que estava tudo sob controle.

Carioca: Eu sei que tu me acha um monstro às vezes.
Renata: Às vezes?

Um canto da boca dele se mexeu, mas não era um sorriso.

Carioca: Justo... mas tem uma coisa que eu nunca te falei direito.
Renata: O quê?
Carioca: Quando eu fiz aquele acordo com teu pai...

Meu estômago apertou imediatamente.

Carioca: Ele me devia muita grana... eu sabia que ele tava atolado em dívida até o pescoço.
Renata: Então você resolveu me comprar.
Carioca: Eu já te disse isso mil vezes, mas não quero que tu veja isso com maus olhos.
Renata: Porque é exatamente isso.
Carioca: Na minha cabeça... eu tava resolvendo dois problemas de uma vez.

Olhei para ele, sem acreditar no que estava ouvindo.

Renata: Dois?
Carioca: O meu... e o teu.
Renata: Me tirando da minha própria vida? Minha liberdade.
Carioca: Te tirando de um buraco que tu nem sabia que tava entrando.
Carioca: Teu pai não ia conseguir pagar aquela dívida nunca. Além de ser um fudido.
Renata: Isso não te dava direito nenhum sobre mim.
Carioca: Eu sei.

Ele falou baixo dessa vez. Sem discutir. Sem justificar. Só... aceitando.

Carioca: Mas eu pensei que podia te dar uma vida melhor.

Aquilo me pegou desprevenida.

Renata: Melhor?
Carioca: Segurança. Casa. Dinheiro. Um futuro.
Renata: Comprando alguém? - ri.

Ele passou a mão pelos cabelos outra vez, frustrado consigo mesmo.

Carioca: Eu sei que parece errado.
Renata: Parece?
Carioca: Eu faço muita coisa errada, mas uma coisa é verdade.
Renata: O quê?
Carioca: Eu nunca quis te machucar. Eu só queria te dar o melhor, assim como eu foquei em dar para a Liz.
Renata: Ela não tem nada a ver com isso.
Carioca: Eu sei.

Ele assentiu devagar e ficamos alguns segundos em silêncio até que ele soltou um suspiro curto.

Carioca: A Cléo...

Só de ouvir o nome dela, algo dentro de mim se fechou.

Carioca: A Cléo é diferente.
Renata: Diferente como?
Carioca: Do mesmo mundo que eu!
Renata: Que mundo?
Carioca: O mundo das decisões erradas.

A frase saiu quase como uma confissão.

Carioca: Ela entende esse tipo de vida.
Renata: E eu não?
Carioca: Não. E talvez seja exatamente por isso que eu não devia ter te puxado pra dentro dela.

Meu coração apertou de um jeito estranho, porque pela primeira vez desde que tudo tinha começado... Ele parecia realmente arrependido.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora