Ele andou devagar pela sala, passou a mão no rosto, depois parou perto da janela, olhando pra fora como se conseguisse ver muito além daquele bairro tranquilo.
Carioca: Tu acha que eu não sei disso?
Renata: Então age como se soubesse.
Ele soltou um riso curto, sem humor.
Carioca: Não é tão simples assim largar ou diminuir presença lá em cima.
Renata: Eu não tô falando pra você largar.
Ele virou pra mim.
Carioca: Então tá falando o quê?
Eu respirei fundo antes de responder, tentando ser o mais direta possível.
Renata: Tô falando que você precisa parar de se expor. Você vindo pra cá direto... ficando, entrando e saindo... isso chama atenção.
Carioca: Eu sei...
Renata: Não só de quem é contra você, mas da polícia também.
Carioca: Já sou visado de qualquer jeito.
Renata: Sim. E você acha que ficar circulando no asfalto ajuda?
Silêncio.
Renata: Carioca, aqui não é o morro. Aqui tem câmera, tem vizinho curioso, tem gente que liga pra polícia por qualquer coisa. Você não passa despercebido.
Ele ficou me olhando, absorvendo cada palavra.
Renata: E se alguém liga?
Carioca: Eu não vou deixar nada acontecer contigo.
Renata: Você não controla tudo. Você pode ser quem for lá em cima... aqui embaixo... é outra regra.
Ele passou a mão na nuca, inquieto.
Carioca: Tu quer que eu suma então?
Renata: Não. Eu quero que você seja inteligente. Que você venha quando der... do jeito certo.
Carioca: Eu já tô acostumado com isso lá.
Renata: Aqui é diferente. Lá você domina, aqui... você é alvo.
Carioca: Tu tá com medo.
Renata: Tô.
Eu não neguei.
Renata: E com motivo. Eu aguentei meses sozinha... mas não vou pagar o preço de um erro agora que você resolveu aparecer.
Aquilo bateu.
Ele se aproximou um pouco mais, mas dessa vez sem invadir.
Carioca: Eu não apareci do nada.
Renata: Pra mim apareceu.
Ele respirou fundo, segurando a resposta.
Carioca: Tá... então qual é o plano?
Eu encarei ele.
Renata: Você mantém o controle lá. Eu fico aqui segura. E para de misturar os dois mundos.
Ele franziu levemente a testa.
Carioca: E eu vejo meu filho como?
Aquilo me pegou por um segundo... mas eu mantive firme.
Renata: Do jeito certo.
Renata: Não do jeito impulsivo que você tá fazendo agora.
Ele olhou pra minha barriga de novo... mais tempo dessa vez.
Carioca: Falta pouco...
Renata: Falta. E é justamente por isso que a gente não pode errar agora.
O ambiente ficou quieto.
Mas diferente.
Menos confronto... mais realidade.
Ele passou a mão no rosto mais uma vez, respirando fundo.
Carioca: Eu vou ajustar isso.
Renata: Não fala. Faz.
Ele assentiu.
Sem discutir.
Sem rebater.
E isso, vindo dele...
dizia mais do que qualquer promessa.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
