Capitulo 64 ✨

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Ele andou devagar pela sala, passou a mão no rosto, depois parou perto da janela, olhando pra fora como se conseguisse ver muito além daquele bairro tranquilo.

Carioca: Tu acha que eu não sei disso?
Renata: Então age como se soubesse.

Ele soltou um riso curto, sem humor.

Carioca: Não é tão simples assim largar ou diminuir presença lá em cima.
Renata: Eu não tô falando pra você largar.

Ele virou pra mim.

Carioca: Então tá falando o quê?

Eu respirei fundo antes de responder, tentando ser o mais direta possível.

Renata: Tô falando que você precisa parar de se expor. Você vindo pra cá direto... ficando, entrando e saindo... isso chama atenção.
Carioca: Eu sei...
Renata: Não só de quem é contra você, mas da polícia também.
Carioca: Já sou visado de qualquer jeito.
Renata: Sim. E você acha que ficar circulando no asfalto ajuda?

Silêncio.

Renata: Carioca, aqui não é o morro. Aqui tem câmera, tem vizinho curioso, tem gente que liga pra polícia por qualquer coisa. Você não passa despercebido.

Ele ficou me olhando, absorvendo cada palavra.

Renata: E se alguém liga?
Carioca: Eu não vou deixar nada acontecer contigo.
Renata: Você não controla tudo. Você pode ser quem for lá em cima... aqui embaixo... é outra regra.

Ele passou a mão na nuca, inquieto.

Carioca: Tu quer que eu suma então?
Renata: Não. Eu quero que você seja inteligente. Que você venha quando der... do jeito certo.
Carioca: Eu já tô acostumado com isso lá.
Renata: Aqui é diferente. Lá você domina, aqui... você é alvo.
Carioca: Tu tá com medo.
Renata: Tô.

Eu não neguei.

Renata: E com motivo. Eu aguentei meses sozinha... mas não vou pagar o preço de um erro agora que você resolveu aparecer.

Aquilo bateu.

Ele se aproximou um pouco mais, mas dessa vez sem invadir.

Carioca: Eu não apareci do nada.
Renata: Pra mim apareceu.

Ele respirou fundo, segurando a resposta.

Carioca: Tá... então qual é o plano?

Eu encarei ele.

Renata: Você mantém o controle lá. Eu fico aqui segura. E para de misturar os dois mundos.

Ele franziu levemente a testa.

Carioca: E eu vejo meu filho como?

Aquilo me pegou por um segundo... mas eu mantive firme.

Renata: Do jeito certo.

Renata: Não do jeito impulsivo que você tá fazendo agora.

Ele olhou pra minha barriga de novo... mais tempo dessa vez.

Carioca: Falta pouco...
Renata: Falta. E é justamente por isso que a gente não pode errar agora.

O ambiente ficou quieto.

Mas diferente.

Menos confronto... mais realidade.

Ele passou a mão no rosto mais uma vez, respirando fundo.

Carioca: Eu vou ajustar isso.
Renata: Não fala. Faz.

Ele assentiu.

Sem discutir.

Sem rebater.

E isso, vindo dele...

dizia mais do que qualquer promessa.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora