Capitulo 71 ✨

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Anoiteceu. O vento batia forte no rosto enquanto a gente cortava a noite. As motos rasgando as ruas, subindo, descendo, desviando. Tudo rápido demais, mas ainda assim... lento pra mim.

Porque cada segundo agora... custava.

A gente virou na entrada do Jardim. Luz baixa, vielas estreitas, movimento estranho. Tinha gente demais olhando... e gente demais fingindo que não tava.

Alemão: Tá quieto demais.
Vitinho: Isso aqui tá com cara de cenário armado.
Carioca: Tá.

Eu parei a moto de uma vez.

Todo mundo parou junto.

Eu desci devagar, olhando em volta. Cada janela. Cada canto escuro. Cada movimento mínimo.

Carioca: Divide em dois.
Alemão: Não é melhor...
Carioca: Se ela tiver aqui, cada segundo conta.
Vitinho: Eu vou com você.
Alemão: Eu pego o fundo.
Carioca: Qualquer coisa... não pensa. Age.

Eles assentiram.

E sumiram.

Eu segui pela viela principal. Passo firme, arma baixa... mas pronta.

E aí...

Um choro, fraco... cortado...

Mas inconfundível.

Veio de dentro de uma casa, porta entreaberta... luz acessa.

Eu fui... sem pensar.

Empurrei a porta de uma vez e o mundo simplesmente travou.

Renata tava no chão, encostada na parede, o rosto molhado, a mão protegendo a barriga como se aquilo ainda segurasse tudo no lugar.

E do lado dela... Cléo.

Em pé.

Firme.

Arma apontada.

O ar ficou pesado na hora. Difícil até de respirar.

Mesmo assim, eu dei dois passos pra dentro.

Carioca: Demorou nada.

Minha voz saiu controlada... mas por dentro já tinha passado do limite fazia tempo.

Cléo deu um meio sorriso, vazio.

Cléo: Pra quem disse que conhecia todos os caminhos... até que demorou.

Eu nem respondi, meu olho foi direto nela, Renata.

E ali acabou qualquer resto de estratégia. Ela tava tremendo, tentando segurar, tentando ser forte, mas eu conheço, eu sempre conheci.

Carioca: Tá tudo bem... eu tô aqui.

A voz saiu mais baixa agora, diferente, e ela me olhou com aquele olhar misto de alívio e medo.

Renata: Não... não era pra você vir...

Aquilo me cortou na hora.

Carioca: Claro que era.

Cléo riu baixo.

Cléo: Olha que bonito... ele virou herói agora.

Eu virei o rosto devagar pra ela e aí acabou de vez.

Carioca: Tu mexeu com a pessoa errada.
Cléo: Não, Carioca... eu mexi com a única coisa que te desmonta.

O silêncio pesou, ela apertou um pouco mais a arma, Renata puxou o ar assustada, e eu senti o tempo encurtando.

Carioca: Acaba com isso, Cléo.
Cléo: Já acabou.
Carioca: Não acabou.

Eu dei mais um passo e ela travou o braço na hora.

Cléo: Para aí.

Parei, não por medo dela, mas por causa dela, Renata.

Carioca: Tu não vai atirar.
Cléo: Não tenho problema nenhum com isso.
Carioca: Tem sim.

O silêncio voltou, e eu sustentei o olhar.

Carioca: Porque no fundo... tu sabe que passou do ponto.

O olhar dela vacilou, um segundo só, mas eu vi, e era tudo que eu precisava.

Carioca: Isso não é jogo mais.
Cléo: Nunca foi.
Carioca: Então por que ela? Ela não tem nada a ver com isso.

Cléo deu um passo mais perto da Renata e aquilo me travou por dentro.

Cléo: Tem tudo. Ela é o seu ponto fraco.

O silêncio veio de novo.

Carioca: Então tu já perdeu.

Cléo franziu a testa.

Cléo: Como é?
Carioca: Porque agora eu não tenho mais escolha.

Minha mão apertou a arma, o coração acelerou, mas a cabeça... fria.

Carioca: Ou você baixa isso... ou ninguém sai daqui do jeito que entrou.

O clima virou de vez, e naquele momento não era mais sobre quem tava certo, era sobre quem ia ceder primeiro... ou quem ia cair.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora