Anoiteceu. O vento batia forte no rosto enquanto a gente cortava a noite. As motos rasgando as ruas, subindo, descendo, desviando. Tudo rápido demais, mas ainda assim... lento pra mim.
Porque cada segundo agora... custava.
A gente virou na entrada do Jardim. Luz baixa, vielas estreitas, movimento estranho. Tinha gente demais olhando... e gente demais fingindo que não tava.
Alemão: Tá quieto demais.
Vitinho: Isso aqui tá com cara de cenário armado.
Carioca: Tá.
Eu parei a moto de uma vez.
Todo mundo parou junto.
Eu desci devagar, olhando em volta. Cada janela. Cada canto escuro. Cada movimento mínimo.
Carioca: Divide em dois.
Alemão: Não é melhor...
Carioca: Se ela tiver aqui, cada segundo conta.
Vitinho: Eu vou com você.
Alemão: Eu pego o fundo.
Carioca: Qualquer coisa... não pensa. Age.
Eles assentiram.
E sumiram.
Eu segui pela viela principal. Passo firme, arma baixa... mas pronta.
E aí...
Um choro, fraco... cortado...
Mas inconfundível.
Veio de dentro de uma casa, porta entreaberta... luz acessa.
Eu fui... sem pensar.
Empurrei a porta de uma vez e o mundo simplesmente travou.
Renata tava no chão, encostada na parede, o rosto molhado, a mão protegendo a barriga como se aquilo ainda segurasse tudo no lugar.
E do lado dela... Cléo.
Em pé.
Firme.
Arma apontada.
O ar ficou pesado na hora. Difícil até de respirar.
Mesmo assim, eu dei dois passos pra dentro.
Carioca: Demorou nada.
Minha voz saiu controlada... mas por dentro já tinha passado do limite fazia tempo.
Cléo deu um meio sorriso, vazio.
Cléo: Pra quem disse que conhecia todos os caminhos... até que demorou.
Eu nem respondi, meu olho foi direto nela, Renata.
E ali acabou qualquer resto de estratégia. Ela tava tremendo, tentando segurar, tentando ser forte, mas eu conheço, eu sempre conheci.
Carioca: Tá tudo bem... eu tô aqui.
A voz saiu mais baixa agora, diferente, e ela me olhou com aquele olhar misto de alívio e medo.
Renata: Não... não era pra você vir...
Aquilo me cortou na hora.
Carioca: Claro que era.
Cléo riu baixo.
Cléo: Olha que bonito... ele virou herói agora.
Eu virei o rosto devagar pra ela e aí acabou de vez.
Carioca: Tu mexeu com a pessoa errada.
Cléo: Não, Carioca... eu mexi com a única coisa que te desmonta.
O silêncio pesou, ela apertou um pouco mais a arma, Renata puxou o ar assustada, e eu senti o tempo encurtando.
Carioca: Acaba com isso, Cléo.
Cléo: Já acabou.
Carioca: Não acabou.
Eu dei mais um passo e ela travou o braço na hora.
Cléo: Para aí.
Parei, não por medo dela, mas por causa dela, Renata.
Carioca: Tu não vai atirar.
Cléo: Não tenho problema nenhum com isso.
Carioca: Tem sim.
O silêncio voltou, e eu sustentei o olhar.
Carioca: Porque no fundo... tu sabe que passou do ponto.
O olhar dela vacilou, um segundo só, mas eu vi, e era tudo que eu precisava.
Carioca: Isso não é jogo mais.
Cléo: Nunca foi.
Carioca: Então por que ela? Ela não tem nada a ver com isso.
Cléo deu um passo mais perto da Renata e aquilo me travou por dentro.
Cléo: Tem tudo. Ela é o seu ponto fraco.
O silêncio veio de novo.
Carioca: Então tu já perdeu.
Cléo franziu a testa.
Cléo: Como é?
Carioca: Porque agora eu não tenho mais escolha.
Minha mão apertou a arma, o coração acelerou, mas a cabeça... fria.
Carioca: Ou você baixa isso... ou ninguém sai daqui do jeito que entrou.
O clima virou de vez, e naquele momento não era mais sobre quem tava certo, era sobre quem ia ceder primeiro... ou quem ia cair.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
