Era raro ver Carioca sem resposta para alguma coisa. Ele parou no meio da sala, olhou para ela e virou lentamente o olhar para mim. Só por um segundo, como se buscassem em mim um refúgio.
Por muito tempo vivemos apenas nós dois nessa casa, criamos um vínculo mesmo que de amor e ódio.
Naquele momento eu percebi que tudo naquela casa tinha acabado de mudar. Cléo caminhou até ele e segurou a mão dele de novo.
Cléo: Eu sei que é muita coisa... mas a gente vai dar um jeito.
(...)
Algumas horas depois!
(...)
Um pensamento martelando sem parar: eu preciso saber se estou grávida, mas como vou fazer isso?
Agora além das regras do Carioca, que me impedem de sair de casa, tem essa víbora me cercando e seguindo meus passos.
Olhei para a porta do quarto, como se alguém pudesse entrar a qualquer momento. Ela parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Na cozinha, na sala, no corredor, até no quarto que eu dividia com o Carioca. Sempre olhando, como se estivesse esperando eu fazer alguma coisa errada.
(...)
Logo meus pensamentos se concretizaram: ela estava ali, na minha frente. Entrou no quarto e parecia completamente à vontade, como se aquele lugar fosse só mais um cenário para a provocação que já vinha pronta.
Cléo: Nossa... que silêncio. Achei que ia encontrar festa, música, alguma coisa, mas pelo visto o clima aqui anda meio... pesado.
Renata: Você não cansa de aparecer onde não foi chamada?
Ela caminhou pelo quarto como se estivesse passeando, observando tudo ao redor com um sorriso provocador.
Cléo: Engraçado tu falar isso... porque, pelo que eu lembro, quem manda aqui não é você.
Renata: Então fala logo o que veio fazer.
Cléo: Calma... mal cheguei e você já está assim, nem parece aquela pessoa medrosa, que morre de medo do Carioca.
Renata: Não testa minha paciência.
Cléo soltou uma risada curta, encostando o corpo no guarda roupa que era da Liz.
Cléo: Paciência? Entendi.
Renata: Se você veio aqui só para falar besteira, pode ir embora.
Cléo: Nossa... que recepção calorosa. E pensar que eu vim aqui até com uma certa consideração.
Renata: Consideração?
Cléo: Claro. Achei que tu iria estar feliz por mim... pela minha gravidez!
Renata: Você só pode estar brincando.
Cléo: Eu não costumo brincar com esse tipo de coisa.
Renata: Eu duvido muito dessa gravidez!
Cléo deu de ombros.
Cléo: Acredita se quiser.
Respirei fundo, tentando manter o controle.
Renata: Grávida... dele?
Cléo: De quem mais seria?
Apertei os dedos contra o meu próprio braço.
Renata: Você inventou isso só para me provocar.
Cléo: Eu não perderia meu tempo com algo tão pequeno, como você!
Renata: Então o que você quer?
Cléo: Na verdade... eu fiquei curiosa.
Renata: Curiosa com o quê?
Ela se aproximou um pouco mais, com a voz mais baixa.
Cléo: Se tu também está.
Renata: Eu não faço ideia do que você está falando.
Cléo: Faz sim. Porque, se estiver...
Ela deu um sorriso lento.
Cléo: Logo logo não estará mais!
(...)
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Fiksi RemajaRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
