Capitulo 75 ✨

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Dona Lúcia mantinha a calma de um jeito que dominava o ambiente, mesmo com o caos lá fora, mesmo com tudo errado naquele cenário.

Dona Lúcia: Tá quase, minha filha... mais um pouco... você já fez o mais difícil.

Renata balançou a cabeça, chorando, sem acreditar muito, mas sem desistir.

Renata: Eu não aguento mais...

Aquilo me bateu forte, mas eu não deixei ela cair.

Carioca: Aguenta sim... tu chegou até aqui... tu não vai parar agora...

Minha voz saiu firme, mas baixa, só pra ela, como se o resto do mundo nem existisse.

Outra contração veio, mais intensa, fazendo ela gritar, o corpo inteiro respondendo, e Dona Lúcia já se posicionou melhor.

Dona Lúcia: Agora! Força! Mais uma vez!

Renata fez força, gritando, se agarrando em mim, e eu senti aquilo como se fosse comigo, cada segundo pesado, cada esforço dela me atravessando.

E aí...

um choro.

Baixo no começo.

Mas vivo.

Forte.

O som cortou tudo.

Silêncio.

Dona Lúcia levantou levemente, com um sorriso que não cabia mais naquele rosto sério de antes.

Dona Lúcia: Nasceu...

Eu não respirei.

Não me mexi.

Nada.

Só olhei.

Ela ergueu a bebê com cuidado, limpando rápido, envolvendo num pano, e quando virou um pouco... eu vi.

Uma coisinha pequena, vermelhinha... se mexendo e chorando com força.

Dona Lúcia: É uma menina.

Aquilo... me desmontou de um jeito que nada antes tinha conseguido. Eu soltei o ar devagar, como se tivesse segurando desde que tudo começou, o peito apertando diferente, pesado... mas bom.

Eu nem consegui falar na hora. Só cheguei mais perto, devagar, como se qualquer movimento errado pudesse quebrar aquele momento.

Dona Lúcia colocou a bebê nos braços da Renata, e ela começou a chorar mais ainda, mas agora diferente... alívio, emoção, amor.

Renata: Ela... ela tá bem?
Dona Lúcia: Tá perfeita.

Eu me aproximei mais, olhando de perto agora, e foi aí que bateu de verdade.

Pequenininha.

Os olhinhos fechados.

A boquinha se mexendo.

A mão minúscula se abrindo no ar.

Eu engoli seco, passando a mão no rosto, tentando entender o que tava acontecendo dentro de mim.

Carioca: Caralho...

A voz saiu quase em um sussurro, sem peso de raiva... só de surpresa mesmo.

Carioca: Ela é... linda.

Renata me olhou, ainda chorando, cansada, mas com um sorriso fraco no rosto.

Renata: Nossa filha...

Aquilo bateu diferente.

Nossa.

Eu passei a mão de leve na cabeça da bebê, com um cuidado que nem eu sabia que tinha.

Carioca: Oi, pequena...

A voz saiu baixa, quase sem querer, e pela primeira vez... eu não tava pensando em guerra, em território, em nada.

Só nela.

Só nas duas.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora