Dona Lúcia mantinha a calma de um jeito que dominava o ambiente, mesmo com o caos lá fora, mesmo com tudo errado naquele cenário.
Dona Lúcia: Tá quase, minha filha... mais um pouco... você já fez o mais difícil.
Renata balançou a cabeça, chorando, sem acreditar muito, mas sem desistir.
Renata: Eu não aguento mais...
Aquilo me bateu forte, mas eu não deixei ela cair.
Carioca: Aguenta sim... tu chegou até aqui... tu não vai parar agora...
Minha voz saiu firme, mas baixa, só pra ela, como se o resto do mundo nem existisse.
Outra contração veio, mais intensa, fazendo ela gritar, o corpo inteiro respondendo, e Dona Lúcia já se posicionou melhor.
Dona Lúcia: Agora! Força! Mais uma vez!
Renata fez força, gritando, se agarrando em mim, e eu senti aquilo como se fosse comigo, cada segundo pesado, cada esforço dela me atravessando.
E aí...
um choro.
Baixo no começo.
Mas vivo.
Forte.
O som cortou tudo.
Silêncio.
Dona Lúcia levantou levemente, com um sorriso que não cabia mais naquele rosto sério de antes.
Dona Lúcia: Nasceu...
Eu não respirei.
Não me mexi.
Nada.
Só olhei.
Ela ergueu a bebê com cuidado, limpando rápido, envolvendo num pano, e quando virou um pouco... eu vi.
Uma coisinha pequena, vermelhinha... se mexendo e chorando com força.
Dona Lúcia: É uma menina.
Aquilo... me desmontou de um jeito que nada antes tinha conseguido. Eu soltei o ar devagar, como se tivesse segurando desde que tudo começou, o peito apertando diferente, pesado... mas bom.
Eu nem consegui falar na hora. Só cheguei mais perto, devagar, como se qualquer movimento errado pudesse quebrar aquele momento.
Dona Lúcia colocou a bebê nos braços da Renata, e ela começou a chorar mais ainda, mas agora diferente... alívio, emoção, amor.
Renata: Ela... ela tá bem?
Dona Lúcia: Tá perfeita.
Eu me aproximei mais, olhando de perto agora, e foi aí que bateu de verdade.
Pequenininha.
Os olhinhos fechados.
A boquinha se mexendo.
A mão minúscula se abrindo no ar.
Eu engoli seco, passando a mão no rosto, tentando entender o que tava acontecendo dentro de mim.
Carioca: Caralho...
A voz saiu quase em um sussurro, sem peso de raiva... só de surpresa mesmo.
Carioca: Ela é... linda.
Renata me olhou, ainda chorando, cansada, mas com um sorriso fraco no rosto.
Renata: Nossa filha...
Aquilo bateu diferente.
Nossa.
Eu passei a mão de leve na cabeça da bebê, com um cuidado que nem eu sabia que tinha.
Carioca: Oi, pequena...
A voz saiu baixa, quase sem querer, e pela primeira vez... eu não tava pensando em guerra, em território, em nada.
Só nela.
Só nas duas.
(...)
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
