Capitulo 34 ✨

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Renata narrando:

(...)

Os últimos dias passaram estranhos. Eu evitava Carioca sempre que podia, e ele parecia fazer o mesmo. Mas meu corpo não estava colaborando. De manhã, preparei o café mas o cheiro me fez virar o rosto na mesma hora. Meu estômago embrulhou forte. Apoiei as mãos na bancada da cozinha, respirando fundo. Não agora. - pensei.

Peguei um copo de água e bebi devagar, tentando controlar o enjoo. Foi quando ouvi a voz dela atrás de mim.

Cléo: Nossa...

Fechei os olhos por um segundo antes de virar. Ela estava encostada no batente da porta da cozinha, me observando como se estivesse assistindo um filme.
O olhar dela desceu para o copo na minha mão e depois voltou para o meu rosto.

Cléo: Tá passando mal? - disse fazendo uma cara de deboche.

Endireitei o corpo.

Renata: Não.

Ela caminhou devagar até a bancada.

Cléo: Engraçado. Porque parece muito.

Dei de ombros.

Renata: Deve ser alguma coisa que eu comi.
Cléo: Aham.

Silêncio, mas aquele silêncio dela era pior do que qualquer provocação. Ela estava esperando alguma reação minha.

Cléo: Sabe... enjoo de manhã é um sintoma bem específico.

Meu estômago apertou.

Renata: Você é médica?
Cléo: Não precisa.

Ignorei. Abri o armário e peguei uma panela, mas ela continuou.

Cléo: Principalmente quando se trata de gravidez.

Minhas mãos pararam por um segundo, só um segundo e foi o suficiente. O sorriso dela cresceu devagar.

Cléo: Interessante...

Respirei fundo e virei para ela.

Renata: Você tem algum problema comigo?
Cléo: Nenhum! Só curiosidade.

Cruzei os braços.

Renata: Sobre o quê?

Ela inclinou a cabeça, me analisando.

Cléo: Sobre o que tu anda escondendo.
Renata: Você se acha muito esperta, né?
Cléo: Mais do que você imagina.
Renata: Então fala logo o que quer.
Cléo: Eu quero saber se você acha que eu sou idiota?
Renata: Eu acho que você é inconveniente. - sorri.
Cléo: Cuidado, Renata.
Renata: Ou o quê?

Por um segundo achei que ela fosse embora, só que ela fez o contrário: se aproximou ainda mais.
A voz dela saiu baixa, fria.

Cléo: Ou tu pode acabar desaparecendo!
Renata: Você tá me ameaçando?
Cléo: Eu não ameaço.

Ela deu um passo para trás e a bolsa na cadeira.

Cléo: Eu resolvo.

Meu coração começou a bater mais forte. Ela caminhou até a porta e olhou para mim de novo.

Cléo: E se você estiver mesmo grávida...

Ela abriu um sorriso lento.

Cléo: Eu resolvo rapidinho.

A porta bateu alguns segundos depois.

E pela primeira vez... Eu senti medo de verdade dentro daquela casa.

(...)

Eu continuei o dia e tentei agir normal. Fiz almoço, arrumei a cozinha e meu estômago continuava embrulhado, e minha cabeça não parava de pensar na mesma coisa.

Será que eu estou grávida?

Carioca ainda não tinha voltado e a casa estava quieta. Foi então que ouvi vozes do lado de fora.
Reconheci na hora, Vitinho e Alemão.
Fui até a sala devagar e três deles estavam vindo em direção a mim. Quando me viram, ficaram um pouco sem jeito.

O Alemão tirou o boné.

Alemão: Opa... Renatinha!

Cruzei os braços, desconfiada.

Renata: O que foi?

Eles trocaram um olhar rápido entre si, como se estivessem decidindo quem ia falar.

Vitinho: Nois veio trocar uma ideia.
Renata: Sobre o quê?
Vitinho: Sobre tu.
Renata: Sobre mim? - Franzi a testa.
Alemão: O Carioca pediu pra gente ficar de olho.
Renata: Ficar de olho em quê?
Vitinho: Em tu! Na casa, na mulher...
Renata: Padrão então...

O Alemão deu um passo pra frente, só que parecia nervoso.

Alemão: Olha... a gente não veio arrumar problema contigo, não.
Renata: Então fala logo.
Vitinho: A mulher nova do chefe...

Ele parou a frase no meio, me observando.

Renata: A Cléo?
Alemão: É.
Vitinho: A gente não confia nela.
Renata: E por que você tá me falando isso?
Vitinho: Nois te considera muito, pô e por que tu mora aqui, com ela.
Alemão: E porque o Carioca... às vezes não enxerga certas coisas.

Senti um frio estranho subir pela minha coluna.

Renata: Vocês estão achando que ela vai fazer alguma coisa?
Vitinho: A gente só acha que tu devia tomar cuidado.

Meu estômago apertou de novo, porque aquilo confirmava uma coisa que eu já estava começando a sentir.

Cléo não era só perigosa. Ela estava planejando alguma coisa.

E talvez...

Eu fosse a primeira pessoa no caminho dela.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora