Renata narrando:
(...)
Os últimos dias passaram estranhos. Eu evitava Carioca sempre que podia, e ele parecia fazer o mesmo. Mas meu corpo não estava colaborando. De manhã, preparei o café mas o cheiro me fez virar o rosto na mesma hora. Meu estômago embrulhou forte. Apoiei as mãos na bancada da cozinha, respirando fundo. Não agora. - pensei.
Peguei um copo de água e bebi devagar, tentando controlar o enjoo. Foi quando ouvi a voz dela atrás de mim.
Cléo: Nossa...
Fechei os olhos por um segundo antes de virar. Ela estava encostada no batente da porta da cozinha, me observando como se estivesse assistindo um filme.
O olhar dela desceu para o copo na minha mão e depois voltou para o meu rosto.
Cléo: Tá passando mal? - disse fazendo uma cara de deboche.
Endireitei o corpo.
Renata: Não.
Ela caminhou devagar até a bancada.
Cléo: Engraçado. Porque parece muito.
Dei de ombros.
Renata: Deve ser alguma coisa que eu comi.
Cléo: Aham.
Silêncio, mas aquele silêncio dela era pior do que qualquer provocação. Ela estava esperando alguma reação minha.
Cléo: Sabe... enjoo de manhã é um sintoma bem específico.
Meu estômago apertou.
Renata: Você é médica?
Cléo: Não precisa.
Ignorei. Abri o armário e peguei uma panela, mas ela continuou.
Cléo: Principalmente quando se trata de gravidez.
Minhas mãos pararam por um segundo, só um segundo e foi o suficiente. O sorriso dela cresceu devagar.
Cléo: Interessante...
Respirei fundo e virei para ela.
Renata: Você tem algum problema comigo?
Cléo: Nenhum! Só curiosidade.
Cruzei os braços.
Renata: Sobre o quê?
Ela inclinou a cabeça, me analisando.
Cléo: Sobre o que tu anda escondendo.
Renata: Você se acha muito esperta, né?
Cléo: Mais do que você imagina.
Renata: Então fala logo o que quer.
Cléo: Eu quero saber se você acha que eu sou idiota?
Renata: Eu acho que você é inconveniente. - sorri.
Cléo: Cuidado, Renata.
Renata: Ou o quê?
Por um segundo achei que ela fosse embora, só que ela fez o contrário: se aproximou ainda mais.
A voz dela saiu baixa, fria.
Cléo: Ou tu pode acabar desaparecendo!
Renata: Você tá me ameaçando?
Cléo: Eu não ameaço.
Ela deu um passo para trás e a bolsa na cadeira.
Cléo: Eu resolvo.
Meu coração começou a bater mais forte. Ela caminhou até a porta e olhou para mim de novo.
Cléo: E se você estiver mesmo grávida...
Ela abriu um sorriso lento.
Cléo: Eu resolvo rapidinho.
A porta bateu alguns segundos depois.
E pela primeira vez... Eu senti medo de verdade dentro daquela casa.
(...)
Eu continuei o dia e tentei agir normal. Fiz almoço, arrumei a cozinha e meu estômago continuava embrulhado, e minha cabeça não parava de pensar na mesma coisa.
Será que eu estou grávida?
Carioca ainda não tinha voltado e a casa estava quieta. Foi então que ouvi vozes do lado de fora.
Reconheci na hora, Vitinho e Alemão.
Fui até a sala devagar e três deles estavam vindo em direção a mim. Quando me viram, ficaram um pouco sem jeito.
O Alemão tirou o boné.
Alemão: Opa... Renatinha!
Cruzei os braços, desconfiada.
Renata: O que foi?
Eles trocaram um olhar rápido entre si, como se estivessem decidindo quem ia falar.
Vitinho: Nois veio trocar uma ideia.
Renata: Sobre o quê?
Vitinho: Sobre tu.
Renata: Sobre mim? - Franzi a testa.
Alemão: O Carioca pediu pra gente ficar de olho.
Renata: Ficar de olho em quê?
Vitinho: Em tu! Na casa, na mulher...
Renata: Padrão então...
O Alemão deu um passo pra frente, só que parecia nervoso.
Alemão: Olha... a gente não veio arrumar problema contigo, não.
Renata: Então fala logo.
Vitinho: A mulher nova do chefe...
Ele parou a frase no meio, me observando.
Renata: A Cléo?
Alemão: É.
Vitinho: A gente não confia nela.
Renata: E por que você tá me falando isso?
Vitinho: Nois te considera muito, pô e por que tu mora aqui, com ela.
Alemão: E porque o Carioca... às vezes não enxerga certas coisas.
Senti um frio estranho subir pela minha coluna.
Renata: Vocês estão achando que ela vai fazer alguma coisa?
Vitinho: A gente só acha que tu devia tomar cuidado.
Meu estômago apertou de novo, porque aquilo confirmava uma coisa que eu já estava começando a sentir.
Cléo não era só perigosa. Ela estava planejando alguma coisa.
E talvez...
Eu fosse a primeira pessoa no caminho dela.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
