Capitulo 65 ✨

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Os dias seguintes ficaram... mais organizados.

Ele não aparecia mais a qualquer hora. Não tinha mais rotina, não tinha aviso, não tinha padrão. Às vezes sumia dois dias... às vezes aparecia de madrugada, ficava pouco e ia embora antes do sol nascer.

Do jeito que eu falei. Do jeito que precisava ser, mas isso não tornava tudo tranquilo. Só... menos perigoso.

Naquela noite, eu tava acordada, sentada na cama, sem conseguir dormir. A barriga pesada, o corpo cansado... e a cabeça acelerada. Era sempre assim agora.

Eu olhava pro celular de vez em quando... sem motivo claro.

Até que ele vibrou.

Mensagem.

Carioca: Tá acordada?

Eu respirei fundo antes de responder.

Renata: Tô.

Demorou poucos segundos.

Carioca: Tô por perto.

Meu coração deu aquela apertada automática.

Renata: "Por perto" onde?
Carioca: Na rua de baixo.

Eu fechei os olhos por um segundo.

Renata: Eu falei pra você não ficar rodando aqui.
Carioca: Relaxa. Não tô marcando bobeira não.
Renata: Você sempre acha isso.
Carioca: Posso subir?

Eu olhei pra porta... depois pra barriga... depois pro celular.

Pensei.

Respirei fundo.

Renata: Rápido.

Não demorou. A batida veio baixa dessa vez. Discreta. Eu levantei devagar, sentindo o peso do corpo, e fui até a porta. Quando abri... ele entrou rápido, já olhando em volta.

Carioca: Tá tudo tranquilo aqui?
Renata: Tá. Entra logo.

Ele fechou a porta atrás dele, trancando. O jeito dele ainda era alerta. Ele me olhou... e automaticamente o olhar caiu pra minha barriga.

Carioca: Tá maior ainda.

Eu revirei os olhos de leve.

Renata: Oito meses, lembra?

Ele soltou um meio sorriso, curto.

Carioca: Tô me acostumando ainda.
Renata: E aí?

Ele me olhou.

Carioca: E aí o quê?
Renata: Você não veio aqui só pra olhar minha barriga.

Ele soltou o ar devagar.

Carioca: Teve movimentação lá hoje.

Meu corpo já ficou alerta.

Renata: Que tipo de movimentação?
Carioca: Polícia.
Renata: Subiram?
Carioca: Tentaram.

Meu coração apertou.

Renata: E?
Carioca: Não deu em nada... mas tão de olho.

Eu passei a mão na barriga devagar, sentindo um incômodo que não era físico.

Renata: E você vem pra cá depois disso?

Ele me olhou firme.

Carioca: Justamente por isso.
Renata: Isso não faz sentido.
Carioca: Faz pra mim.
Renata: Não faz pra mim.

Ele se aproximou um pouco.

Carioca: Eu precisava te ver.
Renata: E se te seguem?
Carioca: Não seguiram.
Renata: Você não tem como garantir isso.
Carioca: Eu vim certo.
Renata: Você sempre acha que veio certo.

Aquilo ficou no ar. Ele desviou o olhar por um segundo... pensando.

Carioca: Eles tão pressionando mais.
Renata: E você aqui.
Carioca: Eu não vou te deixar no escuro.
Renata: Eu prefiro ficar no escuro do que virar alvo.

Aquilo bateu diferente. Ele passou a mão na nuca, inquieto.

Carioca: Tu tá achando que eu tô te colocando em risco vindo aqui?
Renata: Eu não acho, eu tenho certeza.

O olhar dele travou no meu.

Carioca: Eu tô fazendo tudo pra evitar isso.
Renata: Então começa me ouvindo. Se tá tendo polícia lá... você tem que ficar lá. Presente.

Ele respirou fundo, claramente dividido.

Carioca: E se der ruim lá?
Renata: Você resolve lá.
Carioca: E tu?
Renata: Eu fico aqui. Como fiquei esses meses todos.

Ele ficou quieto, mais uma vez e eu continuei.

Renata: Você não pode querer proteger tudo ao mesmo tempo.

Ele olhou pra mim... depois pra barriga, mais tempo dessa vez.

Carioca: Falta pouco mesmo...
Renata: Falta. E é agora que tudo dá errado... se a gente errar.
Carioca: Tá.
Renata: Tá o quê?
Carioca: Eu vou segurar lá.
Renata: E aqui?
Carioca: Aqui eu venho menos.

Aquilo doeu um pouco... mas eu não demonstrei.

Renata: Do jeito certo.

Ele assentiu, mas antes de ir... ele se aproximou.

Devagar.

Parou na minha frente. E, dessa vez, sem pedir... só com cuidado... encostou a mão na minha barriga.

O bebê mexeu.

Na hora.

Ele soltou um leve sorriso... o primeiro de verdade.

Carioca: Já tá querendo aparecer.
Renata: Diferente do pai.

Ele soltou um riso baixo.

Mas não rebateu.

E dessa vez...

ficou claro.

A guerra dele era lá fora.

Mas aqui dentro...

tava começando outra.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora