Meu maior sonho sempre foi fugir daquela casa, daquele clima, mas eu nunca pensei que sair dali ia ser tão... silencioso e calmo.
Não tinha grito, não tinha discussão. Só aquele peso no ar que parecia sufocar tudo. O morro continuava vivo lá fora, gente passando, som alto ao longe... mas dentro da casa, parecia que o mundo tinha parado só pra gente.
E pra piorar... a Cléo tava ali.
Encostada, observando tudo, como se fosse só mais uma cena qualquer. Mas não era. Pra mim, aquilo era tudo.
Eu segurava a alça da mala com tanta força que minha mão já tava doendo, mas eu não soltava. Era como se, se eu relaxasse, eu desmoronava ali mesmo.
Ele tava na minha frente.
Tão perto... e ao mesmo tempo tão longe.
O olhar dele não parava em mim por muito tempo, desviava, voltava, desviava de novo. E eu entendia. Ele não podia. Não ali. Não na frente dela.
Carioca: Já falei com o Alemão — disse com a voz firme...
Fria até demais pra quem tava me quebrando por dentro.
Carioca: ... O apartamento no asfalto tá pronto! Pronto pra tu ir embora.
Aquilo bateu em mim de um jeito estranho.
Não era um "vai embora". Era um "eu tô cuidando"... do jeito torto dele.
E isso doía mais ainda.
Eu engoli seco, tentando não deixar nada escapar. Não na frente dela.
Renata: Entendi — respondi, mas minha voz não saiu inteira.
Eu queria perguntar um monte de coisa. Queria saber se ele ia me procurar, se aquilo era um fim, se ainda existia "a gente" em algum lugar... mas nenhuma palavra saiu.
Porque eu sabia que ele não ia responder ali.
O silêncio ficou pesado de novo. A Cléo ainda olhando. Sempre olhando.
Eu dei um passo pra trás.
Depois outro.
Esperando... mesmo sem querer admitir... que ele me impedisse.
Mas ele não fez nada.
Só ficou ali, imóvel, como se não sentisse nada.
Mentira.
Eu conhecia ele.
Eu via no maxilar travado, na mão fechada, no jeito que ele respirava mais pesado. Ele tava sentindo tudo. Só não podia mostrar.
E aquilo acabou comigo.
Renata: Eu vou!
Era uma afirmação mais pra mim do que pra eles. Virei antes que minhas lágrimas entregassem tudo.
Cada passo até a porta parecia errado. Parecia que eu tava deixando uma parte minha ali dentro. Talvez eu estivesse mesmo.
Quando abri a porta, o ar de fora bateu no meu rosto... e eu tive a sensação de que tava entrando em outra vida.
Uma que não tinha ele.
E, mesmo sem olhar pra trás... eu senti.
Senti o olhar dele em mim.
Pesado. Preso. Cheio de coisa que ele não podia dizer.
E foi isso que eu levei comigo.
Porque, naquele momento... o silêncio dele falou mais do que qualquer "fica" que ele nunca disse.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
