Capitulo 56 ✨

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Os dias passaram... mas não do jeito que eu achei que passariam.

Eu tentava me acostumar com aquilo, com a paz, com a rotina. Com o fato de que ninguém gritava, ninguém batia na porta sem avisar, ninguém invadia meu espaço mas, ao mesmo tempo... parecia que faltava alguma coisa.

Ou alguém.

Eu comecei a ocupar meu tempo como dava. Arrumava o que já tava arrumado, ficava horas olhando a vista, mexendo no celular sem realmente prestar atenção em nada.

E ele...

Nada.

Nenhuma mensagem.

Nenhum sinal.

Só o silêncio de novo.

E eu já tava começando a me acostumar com ele... quando, alguns dias depois, alguém bateu na porta.

Duas batidas.

Secas.

Meu coração disparou na hora, por um segundo... eu achei que fosse ele.

Ridículo.

Eu andei até a porta devagar, sentindo aquele frio na barriga crescer. Quando abri...

Era o PH, e na mesma hora... tudo ficou estranho.

Ele tava ali, parado, com as mãos no bolso, olhando pra mim como se não soubesse se devia sorrir ou pedir desculpa.

PH: E aí...

A voz dele saiu meio travada.

Eu não respondi na hora, só fiquei olhando. Não fazia sentido.

Renata: Como tu...?

Ele deu um meio sorriso, sem graça.

PH: Eu descobri...

Aquilo já me deixou desconfortável. Descobriu como? Descobriu com quem? Eu cruzei os braços sem perceber.

Renata: Descobriu... o quê, exatamente?

Ele desviou o olhar por um segundo, claramente desconfortável.

PH: Que tu tava aqui...

Ele não parecia o mesmo. Tava mais contido, mais... cuidadoso. Como se cada palavra tivesse que ser medida. E eu sabia o motivo, o Carioca mandou ele pra longe pra ele e eu não ficarmos juntos.

Renata: E por que tu veio?

Ele me olhou de novo, dessa vez mais sério.

PH: Sei lá... achei que tu podia precisar de alguém.

Aquilo não me desceu, mas não porque fosse ruim mas porque não era ele. Não era de quem eu queria ouvir isso.

Eu encostei na porta, sem abrir mais espaço pra ele entrar.

Renata: Eu tô bem.

Mentira, porém era a única coisa que eu ia dizer.

Ele ficou em silêncio, me analisando, como se tentasse entender o que eu não tava falando.

PH: Tu mudou...

Eu soltei um ar curto, quase irônico.

Renata: Ou talvez tu só não me conhecia mesmo.

Aquilo acertou ele, eu vi. Ele passou a mão na nuca, como sempre que ficava nervoso.

PH: Eu fiquei sabendo das coisas...
Renata: Que coisas?

Ele hesitou.

PH: Dele... de tu... desse apartamento...

Meu corpo travou por dentro, então era isso, não era visita, era curiosidade.

Eu me afastei um pouco da porta, mas ainda bloqueando a entrada.

Renata: Então tu veio ver se era verdade?

Ele não respondeu e o silêncio respondeu por ele.
Aquilo me deu um embrulho no estômago.

Renata: Tu não devia ter vindo.

A voz saiu mais baixa... mas firme. Ele engoliu seco.

PH: Eu só queria te ver.
Renata: Já viu.
PH: Tá... eu já entendi.

Eu não respondi. Nem consegui.

Ele ficou me olhando por mais um segundo... como se esperasse alguma coisa... mas não veio nada. E então ele virou e foi embora.

Sem insistir. Sem olhar pra trás.

E quando eu fechei a porta... o silêncio voltou, mas dessa vez... ele não tava vazio. Tava estranho porque, pela primeira vez mesmo longe do morro...

Eu senti que alguma coisa dele ainda podia me alcançar.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora