Capitulo 52 ✨

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Fiquei ali, nos braços dele... mas já não era um abraço que acolhia. Meu choro foi diminuindo aos poucos, não porque passou... mas porque já não tinha mais força.

Me afastei devagar, sem olhar pra ele, sem coragem. Limpei o rosto com as costas da mão, tentando me recompor... em vão.

Renata: Não adianta você me abraçar agora. Você já falou tudo que precisava.

Levantei o olhar e dessa vez eu não procurei carinho, eu procurei a verdade.

Renata: E eu entendi.
Carioca: Renata...
Renata: Não. Não tenta consertar agora... porque não tem mais o que consertar. Você deixou bem claro.

Apontei de leve pro teste ainda na minha mão.

Renata: Isso aqui... pra você... é um erro. Um problema. Uma coisa que "tem que sair".

Minha voz falhou no final, mas eu segurei. Segurei como nunca. Ele passou a mão no rosto, visivelmente incomodado.

Carioca: Eu não falei desse jeito...
Renata: Mas foi isso que você quis dizer! Você nem pensou em mim, nem por um segundo Carioca! Eu sempre estive aqui, mesmo quando você não merecia.

Engoli seco.

Renata: E agora que eu preciso... você me manda tirar um ser, nosso, de dentro de mim!
Carioca: Renata...
Renata: Não vou.
Carioca: Tu não tá entendendo a situação!
Renata: Eu tô entendendo perfeitamente.
Carioca: Para!
Renata: Dessa vez... eu também vou escolher. Eu vou embora. Agora!
Carioca: Tu não pode sair assim!
Renata: Posso.

Ele passou a mão no rosto, respirando pesado, tentando manter o controle.

Carioca: Podemos conversar como duas pessoas maduras?

Minha mão ainda tremia, mas eu não recuei.

Renata: Fala.
Carioca: Eu sou ruim, Renata.

Aquilo me pegou desprevenida. Franzi a testa, ainda chorando.

Renata: Não começa com isso!
Carioca: Eu sou. Tu sabe disso, sabe tudo que eu já te fiz de ruim.

Ele deu um passo pra perto... mas parou no meio do caminho, como se não tivesse mais o direito de encostar em mim.

Carioca: Eu faço coisa errada todo dia. Eu mando, eu cobro, eu resolvo... do meu jeito.

Passou a mão na cabeça, nervoso.

Carioca: Eu sei lidar com arma, com guerra, com gente querendo me matar... mas contigo...

Balançou a cabeça, parecia perdido.

Carioca: Eu não sei.

Aquilo doeu, porque era verdade. Ele respirou fundo, me olhando com algo que eu não via desde o começo.

Carioca: Tu não merecia isso. Tu não merecia eu.
Renata: Então por que você fez isso comigo?
Carioca: Porque eu sou assim.

Pude ver uma lágrima escorrer em seu rosto.

Carioca: E tu não é desse mundo. Isso aqui destrói gente boa.
Renata: Para! Eu sei que seu coração é bom, no fundo dessa casca!
Carioca: Amanhã... - em meio as lágrimas - amanhã eu vou falar com o Alemão.
Renata: Pra quê?
Carioca: Pra arrumar uma casa pra tu. Lá no asfalto.

Longe daqui.

Longe dele.

Carioca: Tu vai sair daqui direito. Com lugar, com dinheiro... com tudo que precisa pra recomeçar.

Balancei a cabeça, sem acreditar.

Renata: Eu não quero nada seu.
Carioca: Não é questão de querer.
Renata: É sim! Eu não sou uma responsabilidade sua pra você resolver assim!
Carioca: Mas agora tu é! Não como tu tá pensando...

Passou a mão no rosto, cansado.

Carioca: Mas eu não vou largar tu no mundo desse jeito, não. Eu já fiz merda demais contigo, então pelo menos isso eu vou fazer direito.

Meu peito apertou, pois no fundo... aquilo era o jeito dele de cuidar. Torto mas era e isso doía mais ainda.

Porque vinha tarde demais.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora