Capitulo 68 ✨

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Cléo narrando...

Muita gente acha que eu fiz isso por ciúme... por obsessão... por não aceitar perder, mas não é tão simples.

Nunca foi.

Eu não jogo pra perder.

E quando eu percebi que ele tava começando a sair do meu controle... eu fiz o que qualquer pessoa inteligente faz nesse mundo:

eu mudei de lado antes de cair.

Cléo: Ele achou que podia me descartar.

Eu falei, encostada na bancada, enquanto um dos homens me observava em silêncio.

Cléo: Só esqueceu de uma coisa... não sou burra!

Porque eles sabiam que eu não tava blefando. Eu vivi aquele morro. Eu ouvi coisa demais. Vi coisa demais. Entendi coisa demais.

E informação... vale mais que arma.

Cléo: E agora eu não tô mais sozinha.

O homem à minha frente soltou um meio sorriso.

Homem: Você entrou num jogo grande, garota.
Cléo: Eu sempre estive... só parei de jogar pequeno.

Eu me afastei da bancada, andando devagar pelo espaço. Tudo ali era diferente... mais estruturado, mais organizado... mais perigoso.

Aqui não era bagunça. Era estratégia.

Cléo: E ele?
Homem: Já deve ter sentido.

Eu sorri de leve.

Cléo: Ainda não, mas vai.

(...)

Do outro lado... ele já sabia que tinha alguma coisa errada. O Carioca não era burro.

Nunca foi.

O silêncio estranho. A falta de resposta. O padrão quebrado.

Tudo isso gritava.

Carioca narrando...

Carioca: Cadê ela?

A voz saiu baixa... mas carregada.

Um dos caras tentou responder.

Alemão: A gente não...
Carioca: Eu perguntei cadê ela.
Vitinho: Chefe...

Ele parou, respirou fundo.

Alemão: O porteiro falou que ela saiu.

O mundo pareceu travar por um segundo.

Carioca: Saiu como?
Alemão: Disseram que ela tava passando mal... que era bebê... hospital.
Carioca: Quem?
Alemão: Uma mulher... com dois caras.
Vitinho: Descrição bate...
Carioca: Cléo.

Não foi dúvida.

Foi certeza.

Passei a mão no rosto devagar... tentando segurar mas não deu. O copo que tava na mesa voou na parede.

Explodiu.

Carioca: EU FALEI PRA FICAREM DE OLHO!

Todos ficaram quietos.

Carioca: Quanto tempo?
Alemão: Mais ou menos... quarenta minutos.

E aí...

a ficha caiu completa.

Carioca: Ela não fez isso sozinha.

Os caras se olharam.

Carioca: Ela não tem estrutura pra isso.
Vitinho: Quem tá por trás?
Alemão: Tem movimentação diferente lá do outro lado...
Carioca: Filho da...

Parei antes de terminar.

Carioca: Ela se vendeu... e levou a Renata junto. Desgraçada!
Vitinho: E agora chefe?
Carioca: Junta todo mundo. Fecha tudo. Ninguém entra, ninguém sai.
Vitinho: Fechô!
Carioca: E alguém acha ela... antes de mim.

Porque se fosse eu... não ia sobrar nada. E naquele momento... não era mais sobre território. Não era mais sobre poder.

Era pessoal.

E quando ficava pessoal... o morro inteiro sentia.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora