Capitulo 44 ✨

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O quarto ficou em silêncio depois.

Só o som da respiração... pesada, descompassada... tentando voltar ao normal.

Fiquei imóvel por alguns segundos, ainda sentindo o corpo inteiro reagir ao que tinha acabado de acontecer. Minha mente, diferente do meu corpo, voltou com tudo... rápida, cruel, impossível de ignorar: a realidade.

Fechei os olhos com força. Senti o peso dele ainda perto, mas já não era a mesma coisa. O calor que antes parecia consumir tudo agora começava a dar lugar a outra sensação.

Culpa?
Medo?
Ou pior... apego.

Ele se afastou devagar, como se também estivesse voltando pra si. A mão dele passou pelo meu braço devagar.

Carioca: Isso não podia ter acontecido.
Renata: Mas aconteceu. - falei irritada.

Eu não queria olhar pra ele, não naquele momento. E então eu ouvi o barulho do colchão quando ele sentou de novo na beirada da cama.

Carioca: A Cléo...

Só de ouvir o nome dela, algo travou dentro de mim.

Renata: Não fala dela agora.

Minha voz saiu mais firme do que eu esperava e ele ficou quieto por um segundo.

Carioca: Tu acha que isso muda alguma coisa?

Demorei pra responder, porque no fundo... eu sabia que mudava tudo. Respirei fundo antes de falar, ainda sem olhar pra ele:

Renata: Não... eu acho que não!

Ele soltou uma risada fraca, sem humor nenhum.

Carioca: Já tava complicado antes, Renatinha.
Renata: Você vai ser pai.

As palavras saíram mais baixas agora. Ele travou o maxilar.

Carioca: Eu sei.
Renata: E eu...

Parei.

Droga.

Ele percebeu.

Os olhos dele grudaram em mim na hora.

Carioca: Tu o quê?

Meu coração começou a bater mais rápido. Aquela mesma frase que tinha passado mil vezes pela minha cabeça voltou com força.

E se...

Desviei o olhar.

Renata: Nada.

Ele levantou da cama num movimento rápido demais.

Carioca: Não vem com "nada" pra cima de mim, não.

Sentei também, puxando o lençol comigo, agora mais alerta.

Renata: Eu nem sei de nada ainda.

Silêncio.

Pesado.

Denso.

Ele ficou me olhando como se estivesse tentando montar as peças na cabeça. E então... entendeu.

O olhar dele mudou.

Carioca: Tu acha que tá grávida?

A pergunta ficou no ar.

Crua.

Engoli seco.

Renata: Eu não sei.

E era a verdade, mas só de dizer aquilo em voz alta... parecia que tudo ficava mais real. Mais perigoso. Ele passou a mão pelo rosto de novo, andando de um lado pro outro no quarto.

Carioca: Não... não, não, não...
Renata: Para. - levantei - Você não vai surtar agora.
Carioca: Surta? Tu tá me dizendo que pode tá grávida e quer que eu fique calmo?!
Renata: E eu vou fazer o quê? Gritar? Chorar? Isso vai mudar alguma coisa?

Ele parou. Me encarou e o silêncio voltou... só que dessa vez mais tenso ainda, porque agora não era só sobre desejo. Era sobre consequência.

E antes que qualquer um dos dois dissesse mais alguma coisa... Um barulho do lado de fora, eram passos no corredor. Meu corpo gelou na hora.

Os dois olharam pra porta. E então...

A maçaneta mexeu.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora