Capitulo 38 ✨

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Eu não soube o que responder na hora.

Fiquei olhando para ele, tentando entender se aquilo era mesmo o que parecia... ou se era só mais uma daquelas coisas que ele dizia quando queria controlar a situação... mas dessa vez ele não parecia estar tentando controlar nada.

Parecia só... cansado.

Carioca passou a mão pela nuca e desviou o olhar para a janela da cozinha.

Carioca: Eu sempre fui bom em resolver problema dos outros. Aprendi a viver no movimento, mas quando se trata de gente... eu faço tudo errado.
Renata: Isso não é novidade.
Carioca: Eu sei.

O silêncio entre nós não era mais pesado como antes. Era estranho... quase calmo.

Carioca: Quando fui cobrar teu pai, percebi que se ele não te vendesse para mim, poderia vender para qualquer outro traficante... tudo isso por causa de droga.

Meu peito apertou ao ouvir aquilo.

Renata: Então você achou que podia resolver tudo?
Carioca: Na minha cabeça... eu tava dando uma saída vantajosa para tu, para ele e para mim.
Renata: Você não me deu uma saída. Você foi egoista, mesquinho e sujo.

Ele levantou os olhos para mim mas não discutiu.
Isso me pegou desprevenida de novo.

Carioca: Mas tu não é prisioneira aqui.
Renata: Sou! Você quer mandar em tudo que eu faço e penso! Só por que "tu" é dono dessa merda de morro.
Carioca: Tu não sabe de nada!

Por um momento, nenhum de nós falou nada, até que ele olhou na direção da sala.

Carioca: A Cléo...

Só de ouvir o nome dela, senti o clima mudar.

Carioca: Ela sempre foi diferente de você.
Renata: Isso eu já percebi.
Carioca: Ela sabe jogar esse tipo de jogo.
Renata: Que jogo?
Carioca: O jogo de quem já vive no caos. Eu e ela... a gente sempre foi meio quebrado.
Renata: E eu não?
Carioca: Não. E talvez seja por isso que eu nunca consegui ficar longe de você.

Carioca: Ela sempre foi diferente de você.
Renata: Isso eu já percebi.
Carioca: Ela sabe jogar esse tipo de jogo.
Renata: Que jogo?
Carioca: O jogo de quem já vive no caos. Eu e ela... a gente sempre foi meio quebrado.
Renata: E eu não?
Carioca: Não. E talvez seja por isso que eu nunca consegui ficar longe de você. Eu sou o dono do morro, cuido de todo o movimento, sou errado e daqui só tem duas saídas, ou a morte ou a prisão! Não quero te arrastar.

Ficamos alguns segundos em silêncio depois disso. Eu não sabia o que fazer com aquelas palavras. Então ele respirou fundo, como se estivesse tomando uma decisão difícil.

Carioca: Se o que ela falou for verdade...
Renata: ...se ela realmente estiver grávida...
Carioca: As coisas vão mudar.
Renata: Mudar como?
Carioca: Eu não vou te prender aqui por causa de uma escolha que foi minha.
Renata: O que você quer dizer com isso?
Carioca: Eu fiz aquele acordo com teu pai.
Renata: Eu sei.
Carioca: Eu te trouxe pra cá.
Renata: Também sei.
Carioca: Então sou eu que tenho que consertar isso.
Renata: Consertar como?
Carioca: Te deixando ir.

Por um momento achei que tinha ouvido errado.

Renata: O quê?
Carioca: A dívida está paga.

O ar pareceu desaparecer da cozinha. Meu peito apertou forte.

Livre?

A palavra parecia enorme dentro da minha cabeça.

Renata: Você está falando sério?
Carioca: Tô.
Renata: E por quê?
Carioca: Porque talvez essa seja a única coisa certa que eu ainda posso fazer por você.

Eu fiquei olhando para ele, tentando entender se aquilo era real porque durante todo esse tempo eu tinha sonhado em ouvir exatamente aquilo mas agora que finalmente estava acontecendo...
meu coração não parecia tão aliviado quanto deveria.

Porque, pela primeira vez, a ideia de ir embora...
doía um pouco.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora