Renatinha narrando
Eu estava no quarto dobrando algumas roupas que ainda estavam espalhadas pela cama. Não era exatamente uma arrumação... era mais uma forma de ocupar a cabeça.
Quando as coisas dentro de mim ficam barulhentas demais, eu começo a organizar o que está ao redor. Como se isso pudesse colocar alguma ordem no resto.
Dobrei mais uma blusa e coloquei na cama. Foi quando ouvi duas batidas suaves na porta.
Renata: Ah não! A víbora de novo não.
Quando abriu, para minha surpresa era: Liz.
Ela estava encostada no batente com aquele mesmo sorriso tranquilo de sempre. Diferente do irmão, Liz nunca parecia carregar o peso do morro nas costas.
Liz: Então é aqui que você está se escondendo.
Eu soltei um pequeno suspiro, quase aliviado de ver um rosto que não me deixava em alerta o tempo todo.
Renata: Não estou me escondendo. - ri.
Ela entrou e nos abraçamos!
Liz: Renatinha... você está arrumando roupa no meio da tarde. Isso é praticamente um pedido de socorro.
Eu dei um meio sorriso sem graça.
Renata: Eu só precisava distrair a cabeça.
Liz me observou por alguns segundos. Ela sempre teve esse jeito de perceber as coisas antes de qualquer um.
Liz: Fiquei sabendo que meu irmão está de namorada nova, né? Parece sério agora.
Meu estômago apertou na mesma hora.
Renata: O morro inteiro já deve ter ouvido.
Liz: Meu irmão é um idiota às vezes.
Renata: Às vezes?
Liz: Tá... muitas vezes.
Rimos por um segundo, mas logo ficamos sérias de novo. O silêncio voltou a se instalar entre nós.
Liz então levantou da cama e veio até mim, segurando minhas mãos.
Liz: Ei... você está bem?
Eu hesitei por um segundo.
Renata: Não sei.
Liz: Escuta... tu não está sozinha aqui dentro. Achei que iria rolar algo com meu irmão, mas tu não perdeu nada! Eu sei que tudo isso é uma bagunça, mas você tem a mim.
Antes que eu pudesse responder, uma voz veio do corredor.
Cléo: Que cena linda.
Viramos as duas ao mesmo tempo. A cobra estava encostada na porta do quarto, olhando para nós com aquele sorriso venenoso de sempre.
Liz soltou minhas mãos e se virou completamente para ela.
Liz: Você tem algum problema em bater na porta?
Cléo deu dois passos para dentro do quarto, olhando ao redor com desdém.
Cléo: Eu só estava passando.
Ela cruzou os braços.
Cléo: Mas parece que interrompi uma reunião importante.
Liz: A única coisa que você interrompeu foi a paz.
Cléo: Paz? - riu.
Liz: O que você quer?
Cléo: Nada.
Ela colocou a mão na barriga de forma teatral.
Cléo: Só achei que talvez vocês duas quisessem me dar parabéns.
Liz revirou os olhos.
Liz: Parabéns pelo quê?
Cléo: Pelo bebê.
Liz: Tu está usando isso como arma. Vai dar o golpe do baú é?
Cléo: Eu não preciso usar nada.
Liz: Eu te conheço.
Cléo: Não, tu conhece a versão que eu deixei você ver.
Liz: Você acha mesmo que alguém acredita nessa história?
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
