Carioca: Sobe todo mundo.
Ninguém questionou.
As motos começaram a ligar lá fora, uma atrás da outra. O som cortando o silêncio da noite, seco, decidido. Era guerra anunciada sem precisar de palavra.
Eu passei a mão no rosto, tentando organizar o caos na cabeça... mas quanto mais eu pensava, mais vinha ela.
Renatinha.
Aquele jeito de olhar quando tava com medo... mas fingindo que não tava. Aquilo me corroía.
Vitinho: Já puxaram um nome, chefe.
Eu virei na hora.
Carioca: Fala.
Vitinho hesitou um segundo — e isso já me deixou puto.
Carioca: FALA.
Vitinho: Um dos carros foi visto subindo pro lado do Jardim.
Alemão: Área deles.
Carioca: Eu sei onde é.
Alemão: É cheio de entrada, saída, viela...
Carioca: Eu sei.
Eu já tava pegando a arma, conferindo como se fosse automático. Mas não era só preparo... era raiva tentando não virar descontrole.
Vitinho: E tem mais...
Eu levantei o olhar devagar.
Vitinho: A Cléo... foi vista com eles.
Veio o silêncio mas dessa vez não foi aquele silêncio tenso, foi pior. Foi aquele silêncio que vem antes da explosão.
Eu dei um riso curto, sem humor nenhum.
Carioca: Claro que foi.
Alemão: Chefe, isso pode ser jogada...
Carioca: Não. Isso é escolha.
Alemão: Você não sabe o que ela...
Carioca: Eu sei exatamente o que ela faz.
Eu encarei o nada por um segundo... lembrando de tudo. Cada detalhe. Cada aviso que eu ignorei.
Cada sinal.
Carioca: Ela não ia me atingir assim...
Vitinho: Então foi o quê?
Eu respirei fundo.
Mas não adiantou.
Porque a resposta veio pesada.
Carioca: Foi pessoal.
Aquilo bateu diferente, porque quando deixa de ser negócio... vira algo muito pior.
Alemão: E a Renata?
Eu fechei os olhos por um segundo.
E ali... no meio de tudo... veio a imagem de novo.
Ela sentada na beirada da cama.
A mão na barriga.
Esperando.
Sempre esperando.
Carioca (baixo, quase pra mim): Eu tirei ela disso pra proteger...
Abri os olhos.
Frio.
Decidido.
Errado.
Tudo ao mesmo tempo.
Carioca: Agora eu vou buscar.
Vitinho: Mesmo que...
Carioca: Mesmo que tudo vá pro caralho.
Alemão deu um passo mais perto.
Alemão: E se for armadilha?
Eu encarei ele.
Carioca: Então eles vão ter o que querem.
Vitinho: E você também.
Eu dei um meio sorriso... daquele jeito que já não tem mais volta.
Carioca: Não. Eu vou ter ela de volta.
Silêncio.
E aí eu completei... olhando direto pros dois:
Carioca: Viva.
Aquilo mudou tudo.
Porque agora não era mais sobre território.
Nem poder.
Nem respeito.
Era sobre tempo.
E eu tava atrasado.
Virei já andando.
Carioca: Bora.
As motos aceleraram mais forte lá fora, e dessa vez... não tinha plano perfeito.
Não tinha garantia.
Não tinha depois.
Só tinha uma certeza:
Se eu chegasse tarde...
eu nunca mais ia me perdoar.
(...)
VOCÊ ESTÁ LENDO
VENDIDA AO DONO DO MORRO
Fiksi RemajaRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
