Capitulo 70 ✨

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Carioca: Sobe todo mundo.

Ninguém questionou.

As motos começaram a ligar lá fora, uma atrás da outra. O som cortando o silêncio da noite, seco, decidido. Era guerra anunciada sem precisar de palavra.

Eu passei a mão no rosto, tentando organizar o caos na cabeça... mas quanto mais eu pensava, mais vinha ela.

Renatinha.

Aquele jeito de olhar quando tava com medo... mas fingindo que não tava. Aquilo me corroía.

Vitinho: Já puxaram um nome, chefe.

Eu virei na hora.

Carioca: Fala.

Vitinho hesitou um segundo — e isso já me deixou puto.

Carioca: FALA.
Vitinho: Um dos carros foi visto subindo pro lado do Jardim.
Alemão: Área deles.
Carioca: Eu sei onde é.
Alemão: É cheio de entrada, saída, viela...
Carioca: Eu sei.

Eu já tava pegando a arma, conferindo como se fosse automático. Mas não era só preparo... era raiva tentando não virar descontrole.

Vitinho: E tem mais...

Eu levantei o olhar devagar.

Vitinho: A Cléo... foi vista com eles.

Veio o silêncio mas dessa vez não foi aquele silêncio tenso, foi pior. Foi aquele silêncio que vem antes da explosão.

Eu dei um riso curto, sem humor nenhum.

Carioca: Claro que foi.
Alemão: Chefe, isso pode ser jogada...
Carioca: Não. Isso é escolha.
Alemão: Você não sabe o que ela...
Carioca: Eu sei exatamente o que ela faz.

Eu encarei o nada por um segundo... lembrando de tudo. Cada detalhe. Cada aviso que eu ignorei.

Cada sinal.

Carioca: Ela não ia me atingir assim...
Vitinho: Então foi o quê?

Eu respirei fundo.

Mas não adiantou.

Porque a resposta veio pesada.

Carioca: Foi pessoal.

Aquilo bateu diferente, porque quando deixa de ser negócio... vira algo muito pior.

Alemão: E a Renata?

Eu fechei os olhos por um segundo.

E ali... no meio de tudo... veio a imagem de novo.

Ela sentada na beirada da cama.

A mão na barriga.

Esperando.

Sempre esperando.

Carioca (baixo, quase pra mim): Eu tirei ela disso pra proteger...

Abri os olhos.

Frio.

Decidido.

Errado.

Tudo ao mesmo tempo.

Carioca: Agora eu vou buscar.
Vitinho: Mesmo que...
Carioca: Mesmo que tudo vá pro caralho.

Alemão deu um passo mais perto.

Alemão: E se for armadilha?

Eu encarei ele.

Carioca: Então eles vão ter o que querem.
Vitinho: E você também.

Eu dei um meio sorriso... daquele jeito que já não tem mais volta.

Carioca: Não. Eu vou ter ela de volta.

Silêncio.

E aí eu completei... olhando direto pros dois:

Carioca: Viva.

Aquilo mudou tudo.

Porque agora não era mais sobre território.

Nem poder.

Nem respeito.

Era sobre tempo.

E eu tava atrasado.

Virei já andando.

Carioca: Bora.

As motos aceleraram mais forte lá fora, e dessa vez... não tinha plano perfeito.

Não tinha garantia.

Não tinha depois.

Só tinha uma certeza:

Se eu chegasse tarde...

eu nunca mais ia me perdoar.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora