Cléo narrando...
Desci rápido, mas não o suficiente pra esconder o sorriso que começou a aparecer no canto da minha boca.
Um sorriso frio, sem alegria nenhuma.
Assim que virei o corredor e tive certeza que ele não tava mais me vendo... Eu parei, respirei fundo e soltei uma risada baixa.
Cléo: Burro...
Balancei a cabeça, passando a mão pelo cabelo. Ele caiu direitinho, levei a mão até a barriga.
Automático... mas não tinha nada ali.
Nada.
Nem criança.
Nem responsabilidade.
Nem amor.
Só mentira.
E vingança.
O sorriso sumiu devagar, substituído por algo mais pesado.
Ódio.
Encostei na parede, cruzando os braços, olhando pro nada por alguns segundos, mas vendo tudo. Todas nós lá dentro, trancadas, obrigadas.
"Trabalha ou apanha."
A voz dos homens dele ecoam na minha cabeça. Igual tantas outras vezes. Eu fechei os olhos com força e veio o cheiro: o quarto.
Cléo: Eu não esqueci, não...
Minha voz saiu baixa. Abri os olhos devagar e não tinha mais rastro de sorriso.
Só frieza.
Tu fez a gente de escrava naquela boate imunda.
Fez a gente achar que não valia nada.
Cléo: Olha tu agora...
Passei a língua pelos lábios, pensativa.
Empurrei o corpo da parede, começando a andar devagar pelo corredor. Agora tu sente, nem que seja pouquinho do que a gente sentia.
A imagem da Renata veio na minha cabeça... o jeitinho dela. Diferente. Inocente.
Fora daquele mundo.
Cléo: Tadinha...
Mas não tinha dó de verdade ali. E pensando bem, se ela tiver grávida... melhor ainda.
Cléo: Aí o caos fica completo.
Passei a mão na barriga de novo... dessa vez devagar.
Cléo: E você... — sussurrei — vai pagar por tudo. Eu vou destruir tua vida do mesmo jeito que tu destruiu a minha.
Era promessa e dessa vez... quem tava no controle... era EU.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Novela JuvenilRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
