Capitulo 74 ✨

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A porta fechou atrás da gente com um barulho seco, abafando o caos lá de fora, mas não trazendo paz nenhuma. A casa era simples, luz baixa, cheiro de fechado, mas ainda tinha vida ali... e eu percebi isso quando ouvi passos vindo do fundo.

Uma mulher apareceu no corredor, mais velha, olhar firme, daqueles que já viu muita coisa na vida e não se desespera fácil. Ela bateu o olho na cena e entendeu tudo em segundos.

Dona Lúcia: Meu Deus... essa menina tá em trabalho de parto.

Vitinho soltou rápido, quase sem fôlego.

Vitinho: É a mãe do PH, chefe... confia!

Eu nem questionei, só olhei pra ela, direto.

Carioca: Ajuda ela.

Ela já veio andando rápido, sem hesitar, arregaçando as mangas no caminho.

Dona Lúcia: Eu fui enfermeira muitos anos... já fiz parto pior que isso aqui.

Aquilo foi a primeira coisa que entrou como um mínimo de alívio no meio do caos. Ela se ajoelhou do lado da Renata, tocando com cuidado, mas firme, avaliando, enquanto Renata chorava, perdida.

Renata: Eu não vou conseguir...
Dona Lúcia: Vai sim, minha filha... teu corpo sabe o que fazer... só precisa confiar.

A voz dela era calma, segura, diferente de tudo ali, e até eu senti o impacto disso.

Ela olhou pra mim.

Dona Lúcia: Você... fica aqui com ela. Não solta.

Eu nem respondi, só me aproximei mais, segurando a mão da Renata com firmeza.

Carioca: Eu tô aqui... o tempo todo...

Alemão já apareceu com pano, água, tudo improvisado, enquanto Vitinho fechava melhor a casa, atento lá fora.

Dona Lúcia: Boa, deixa tudo aqui... rápido!

Ela organizava tudo com uma precisão que parecia automática, como se aquele cenário não fosse nada novo pra ela.

Outra contração veio forte, fazendo a Renata arquear o corpo, gritando, e eu senti a mão dela apertar a minha com força.

Renata: Tá doendo muito!

Dona Lúcia: Eu sei... eu sei... mas agora presta atenção em mim... respira fundo... isso... assim...

Ela guiava, firme, controlando o ritmo, trazendo ordem no meio do desespero.

Eu me aproximei mais, encostando a testa na da Renata, falando baixo, só pra ela.

Carioca: Olha pra mim... esquece o resto... só eu e você aqui...

Ela tentou focar, os olhos cheios de lágrima, perdidos, mas ainda tentando confiar. Dona Lúcia olhou de novo, séria.

Dona Lúcia: Tá vindo... já tá vindo...

Renata começou a chorar mais forte, com medo, com dor, com tudo misturado.

Renata: Eu tô com medo...

Aquilo me atravessou fundo, mas eu segurei firme.

Carioca: Eu tô contigo... tu não tá sozinha...
Dona Lúcia: Quando eu falar... você faz força, tá me ouvindo?

Renata assentiu, mesmo tremendo. Outra contração veio.

Mais forte.

Mais intensa.

Dona Lúcia: Agora! Força!

Renata gritou, fazendo força, segurando em mim com tudo, e eu segurei de volta, firme, como se pudesse puxar aquela dor pra mim.

Lá fora ainda tinha barulho.

Perigo.

Gente procurando, mas ali dentro... nada mais existia.

Só ela.

Só aquele momento.

Só aquela vida chegando.

Dona Lúcia: Isso! De novo! Tá indo!

Renata chorava, gritava, mas não desistia.

E eu... só fiquei ali.

Presente.

Inteiro.

Porque agora eu entendi de vez.

Aquilo não era mais fuga.

Nem guerra.

Nem acerto de contas.

Era começo.

E eu não ia deixar ela passar por isso sozinha.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora