(...)
A força veio primeiro. A porta sendo empurrada.
Meu corpo sendo jogado pra trás.
Renata: Ei!
A voz morreu no meio.
Cléo.
Ela entrou como se já soubesse exatamente o que tava fazendo. Não tava sozinha. Dois caras atrás.
Olhar frio.
Decidido.
Sem pressa.
Sem dúvida.
Cléo: Eu te dei uma chance.
Minha respiração travou.
Renata: Sai daqui...
Eu tentei recuar, mas um dos caras já tava atrás de mim.
Segurando.
Forte.
Renata: ME SOLTA!
Eu tentei me mexer, mas meu corpo não respondia como antes. O peso da barriga, o medo, o desespero... tudo me travando. Cléo se aproximou devagar, me olhando de cima a baixo.
Cléo: Oito meses...
Ela sorriu de leve.
Frio.
Cléo: Eu te avisei!
Renata: Você é doente.
Cléo: Não... eu sou prática.
Ela chegou mais perto.
Perto demais.
Cléo: Você achou mesmo que ia ficar escondida pra sempre?
Meu coração batia descontrolado.
Renata: Ele não vai deixar isso barato.
Cléo soltou uma risada baixa.
Cléo: Ele? Ele já escolheu o lado dele.
Aquilo bateu... mas eu não cedi.
Renata: Você não conhece ele.
Cléo inclinou a cabeça, como se analisasse.
Cléo: Conheço mais do que você imagina.
Ela fez um sinal com a cabeça. Foi rápido.
Um pano na minha boca, eu tentei reagir.
Juro que tentei.
Mas meu corpo já não tinha a mesma força.
Renata: Mmm—!
A visão começou a falhar. Minha mão foi direto pra barriga.
Renata: Não... não...
Cléo: Relaxa...
O mundo começou a girar. Som abafado.
Força sumindo. Última coisa que eu senti... foi alguém me pegando. E minha mão... ainda na barriga.
Tentando proteger... o que eu não podia perder.
E depois... nada.
(...)
Eles me carregaram escada abaixo, como se eu não pesasse nada... e ela veio logo atrás, tranquila demais, como se aquilo fosse só mais um plano dando certo.
Cléo: Ela tá tendo bebê, abre aí, a gente precisa levar pro hospital.
A voz dela saiu perfeita. Preocupada. Convincente. Como se fosse verdade.
O porteiro nem hesitou. Só assentiu, já abrindo o portão às pressas, olhando mais pra minha barriga do que pra mim.
E foi assim... sem grito, sem cena, sem ninguém desconfiar...
que eu saí dali.
VOCÊ ESTÁ LENDO
VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
