Carioca narrando...
Cléo quis fazer uma festinha. A casa tava cheia.
Gente falando alto, rindo, música estourando... tudo normal, mas pra mim... não tava.
Eu tava encostado na parede, com um copo na mão que eu nem lembrava quando tinha pegado. Só segurava. Nem bebia.
Minha cabeça tava longe.
E eu sabia exatamente onde.
Renata.
Só de pensar o nome já me dava um negócio ruim no peito. Eu travava o maxilar na hora, tentando cortar isso.
Inútil.
Desde que ela saiu daqui... alguma coisa ficou errada e eu tava começando a perceber.
Cléo: Tá com essa cara por quê?
Eu nem olhei.
Carioca: Tô suave.
Mentira.
Eu senti ela se aproximando, parando do meu lado.
Cléo: Suave nada... tu tá estranho.
Passei a mão no rosto, já sem paciência.
Carioca: Já falei que tá tudo certo.
Mas ela não saiu.
Ficou ali.
E foi aí que começou a me incomodar de verdade, porque antes... eu nem reparava. Agora eu via tudo.
Cléo: Aquela menina mexeu contigo mais do que eu achei, né...
Carioca: Fica na tua.
Ela deu um sorrisinho e aquilo... me incomodou mais do que devia.
Cléo: Eu só acho engraçado...
Ela cruzou os braços, tranquila.
Cléo: Tu manda a menina embora, bota ela num apartamento de luxo... e agora fica aí com essa cara.
Aquilo bateu, porque ela falou como se fosse nada. Como se eu não tivesse sentido porra nenhuma.
E não foi assim.
Eu desviei o olhar, passando a mão na nuca e aí veio a imagem dela, saindo. A mala na mão, sem olhar pra trás.
Cléo: Tu devia esquecer isso logo... antes que vire problema.
Carioca: Problema pra quem?
Cléo: Pra tu... pra gente... pra tudo.
"Pra gente." Aquilo não encaixou. Eu fiquei quieto, mas agora pensando de verdade. Ligando as coisas.
O jeito que ela falava da Renata, o jeito que ela tava sempre ali... cutucando. E de repente... fez sentido.
Carioca: Tu queria que ela fosse embora.
Não era pergunta. Ela não respondeu na hora.
Cléo: Eu só fiz tu enxergar.
(...)
Horas depois... a casa já tava mais vazia.
Eu entrei no quarto sem falar nada, já tirando a camisa, tentando esfriar a cabeça.
Inútil.
A porta abriu logo depois. Eu nem precisei olhar pra saber quem era.
Cléo.
Ela entrou devagar, fechando a porta atrás dela.
Eu passei a mão no rosto, andando de um lado pro outro, sem parar em lugar nenhum.
Cléo: A gente precisa conversar.
Eu dei uma risada baixa, sem humor nenhum.
Carioca: Tu fala isso desde sempre.
Ela ignorou.
Cléo: Agora é sério.
Aquilo me irritou e virei na hora.
Carioca: E antes era o quê?
Ela sustentou meu olhar.
Cléo: Antes tu não tinha um filho pra pensar.
Eu desviei o olhar, passando a mão na nuca, incomodado.
Carioca: Não vem com isso agora...
Cléo: "Isso" o quê? É a realidade.
Eu soltei um ar pelo nariz, andando até a janela.
Carioca: Realidade que apareceu quando? Porque até outro dia... não tinha nada.
Ela fechou a cara na hora.
Cléo: Tu tá duvidando de mim?
Carioca: Tô tentando entender.
Cléo: Tu acha mesmo que eu ia mentir com uma coisa dessas?
Carioca: Eu acho que muita coisa aconteceu rápido demais.
Ela riu... mas sem graça nenhuma.
Cléo: Claro. Agora é rápido demais, mas na hora que se dizia apaixonado, tirou a outra da tua vida foi rápido, né?
Aquilo me irritou de verdade.
Carioca: Não mistura as coisas.
Cléo: Eu não tô misturando.
Ela deu mais um passo.
Cléo: Eu tô te lembrando que agora tu tem responsabilidade.
A palavra veio forte.
Pesada.
Cléo: Tu tá estranho... desde que ela saiu.
Eu ri sem humor.
Carioca: Coincidência, né?
Cléo: Tu vai estragar tudo por causa daquela garota?
Garota. O jeito que ela falou me incomodou, de novo. Eu balancei a cabeça devagar.
Carioca: Não, mas também não vou fechar o olho pra tudo.
Cléo: O que tu quer dizer com isso?
Eu respirei fundo.
Carioca: Quero dizer que eu vou resolver tudo do meu jeito.
(...)
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Novela JuvenilRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
