Respirei fundo.
Uma.
Duas.
Três vezes.
Mas o ar não entrava.
Era como se tivesse alguma coisa travando aqui dentro, no peito... apertando, sufocando, não deixando passar.
Minhas mãos tremiam enquanto eu abria a caixinha. O barulho do plástico parecia alto demais... irritante... como se o mundo inteiro estivesse me obrigando a ouvir aquilo.
É só um teste.
Não.
Não era.
Era tudo.
Era a minha vida inteira cabendo naquele pedacinho branco ridículo.
Segui as instruções no automático, como se eu não estivesse ali de verdade. Como se fosse outra pessoa fazendo aquilo, porque eu não queria estar ali. Quando terminei... fiquei olhando. Parada, sem piscar. Aquele espacinho branco parecia me encarar de volta.
Encostei a cabeça na parede, sentindo o frio do azulejo... mas nem isso ajudava. Nada ajudava.
Deus...
Fechei os olhos com força.
Se o Senhor tá me ouvindo, não faz isso comigo. Por favor... não faz isso comigo.
Cada segundo parecia mais pesado que o outro e meu coração batia tão forte que doía... doía de verdade, como se fosse quebrar dentro do peito.
E então... eu não aguentei mais e olhei. E tudo acabou.
Meu corpo inteiro gelou.
Como se alguém tivesse jogado água fria em mim.
As mãos começaram a tremer mais forte.
Renata: Não...
A voz saiu quebrada... quase sem som.
Renata: Não... não... não...
Balancei a cabeça, desesperada, como se aquilo pudesse mudar alguma coisa mas não mudou.
Duas linhas.
Fortes.
Claras.
Sem dúvida.
Sem saída.
O ar sumiu de vez.
Levei a mão à boca, tentando segurar o choro... mas ele veio.
Veio pesado.
Doído.
Arrancado de dentro.
Renata: Deus...
As lágrimas começaram a cair sem controle.
Renata: Por quê...?
Minha voz falhou. Deslizei até o chão, abraçando minhas pernas com força, como se isso fosse me manter inteira.
Meu corpo tremia inteiro, minhas mãos geladas e a cabeça girando.
Renata: Eu não consigo... Eu não consigo...
Enterrei o rosto nos joelhos, tentando desaparecer, tentando sumir dali, tentando acordar de um pesadelo que não acabava.
Renata: Por que o Senhor deixou isso acontecer comigo?
Silêncio. Nenhuma resposta, apenas o som do meu choro ecoando naquele banheiro pequeno.
Sozinha.
Completamente sozinha.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Novela JuvenilRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
