Logo pela manhã, resolvi fazer café, tentando ignorar o turbilhão de pensamentos na minha cabeça.
Cléo apareceu já arrumada, olhando alguma coisa no celular enquanto caminhava pela cozinha como se aquele lugar fosse dela.
Carioca estava sentado no sofá, observando tudo em silêncio.
Cléo: Vou sair pra fazer umas compras.
Levantei os olhos por um segundo. Carioca também.
Carioca: Comprar o quê?
Cléo: Falta coisa na casa. Mercado, essas coisas.
Caminhou até a porta, mas antes de sair virou para mim com aquele sorriso que nunca parecia totalmente sincero.
Cléo: Se precisarem de alguma coisa, me mandem mensagem.
Não respondi.
Segundos depois a porta da frente fechou. E a casa ficou em silêncio. Um silêncio estranho.
Fiquei olhando para a xícara na minha frente por alguns segundos antes de levantar da mesa e ir até a pia. Precisava fazer alguma coisa com as mãos, qualquer coisa.
Mas eu já sentia: o olhar dele nas minhas costas.
Carioca. Tu ainda tá estranha.
Renata: Você não cansa disso?
Ouvi os passos dele se aproximando atrás de mim.
Carioca: Não quando é contigo.
Virei devagar. Ficamos nos encarando por alguns segundos. Era estranho como, mesmo depois de tudo, ainda existia alguma coisa ali.
Alguma coisa que eu nunca soube explicar. Carioca apoiou as mãos na bancada, me prendendo entre ele e a pia.
Carioca: Ontem tu tava pronta pra brigar comigo, mas não abriu a boca. Tu não é assim!
Tentei sair pelo lado, mas ele segurou meu braço.
Renata: Carioca... - gemi.
Ele se aproximou mais.
Perto demais.
Carioca: Faz tempo que tu não me chama assim sem raiva.
Meu coração acelerou. Ele ficou me olhando por alguns segundos, como se estivesse tentando lembrar de alguma coisa.
Então falou mais baixo.
Carioca: Lembra quando tu ficava brava comigo... e mesmo assim não ia embora?
Renata: Eu não podia ir embora. - ri.
Carioca: Não é disso que eu tô falando.
O silêncio que veio depois foi diferente.
Mais quente. Mais perigoso.
Senti a mão dele na minha cintura, me puxando um pouco mais para perto. Eu devia ter me afastado, mas não me afastei.
Então ele aproximou o rosto do meu. E quando nossos lábios se tocaram, foi como se todo o resto desaparecesse por alguns minutos. Como se não existisse Cléo, nem brigas, só aquela coisa antiga entre a gente.
Quando nos afastamos, minha respiração ainda estava acelerada. Ele encostou a testa na minha.
Carioca: Tu ainda complica minha vida.
Renata: Você começou isso.
Ele sorriu de lado. Aquele sorriso que sempre aparecia quando ele achava que estava ganhando alguma coisa.
A mão dele subiu devagar pelas minhas costas.
Carioca: Engraçado — ele disse baixo — que toda vez que a gente briga... acaba assim.
Meu coração batia mais rápido do que eu queria admitir.
Renata: Talvez você provoque demais.
Carioca: Talvez tu goste.
Antes que eu respondesse, ele me puxou de novo. Dessa vez o beijo veio mais forte.
Quando finalmente nos afastamos, minha respiração ainda estava irregular. Carioca ficou me olhando por alguns segundos, passou a mão pelo rosto, se afastando um pouco.
(...)
Carioca narrando.
Fiquei parado por alguns segundos. Passei a mão pelo rosto, respirando fundo.
Aquilo não devia ter acontecido! Agora estou com a Cléo.
Renata ainda estava encostada na bancada, ajeitando o cabelo, evitando olhar diretamente pra mim.
Isso tudo mexeu comigo mas eu amo a Cléo. Pelo menos era isso que eu vinha repetindo nas últimas semanas.
Cléo era diferente, era quem eu tinha escolhido. Quem eu tinha trazido pra dentro da minha vida.
Então por que diabos toda vez que eu chegava perto da Renata... Era como se todo o resto simplesmente desaparecesse?
Olhei pra ela de novo. A Renatinha, que eu conheci, ainda estava ali.
Soltei um suspiro irritado... era problema. Porque eu conhecia bem esse tipo de sensação.
E sabia exatamente onde ela costumava levar.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
