Capitulo 77 ✨

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A casa tava em silêncio, mas não era vazio... era cheio. Cheio de respiração leve, de vida nova, de coisa que ainda nem tinha nome direito dentro de mim. Eu tava encostado na parede, olhando elas duas no meio da sala, e pela primeira vez em muito tempo... eu não tava pensando no que vinha depois. Eu só tava ali.

Eu dei dois passos pra frente, sem pressa, como se qualquer movimento mais rápido pudesse quebrar aquilo.

Carioca: Deixa eu ver ela de novo...

Renata sorriu de leve, aquele sorriso que agora vinha fácil, e inclinou um pouco o corpo pra mim, abrindo espaço. Eu cheguei mais perto, olhando pra Aurora com calma, prestando atenção em cada detalhe... o nariz pequeno, a boca mexendo de leve, a respiração curtinha.

E foi ali que bateu de vez.

Não tinha mais volta.

Nunca mais.

Eu passei o dedo de leve na mãozinha dela, quase sem encostar, e ela reagiu, fechando os dedinhos no nada... mas pra mim pareceu que tava segurando tudo.

Carioca: Tu chegou chegando, hein...

Falei baixo, quase rindo sem perceber, mas com o peito apertado de um jeito bom.

Renata me olhava em silêncio, só observando, e eu senti... ela também tava vendo o que eu tava virando.

Eu levantei o olhar pra ela.

Ficamos uns segundos assim.

Sem precisar falar nada.

Porque agora... tava tudo ali.

Eu respirei fundo, passando a mão no rosto, como se tivesse deixando um monte de coisa pra trás naquele gesto só.

Carioca: Ninguém mais encosta em vocês.

A voz saiu firme.

Não como promessa.

Como decisão.

Lá fora, ao longe, ainda dava pra ouvir a cidade viva, moto passando, gente falando, o mundo girando do jeito dele... mas não entrava mais ali dentro.

Eu fui até a porta, olhei rápido pela janela, reflexo antigo... checar, garantir, calcular.

Mas dessa vez foi diferente.

Eu não tava olhando pra guerra.

Eu tava protegendo casa.

Voltei, fechando melhor tudo, puxando a cortina, deixando só a luz suave da sala.

Quando virei de novo... elas ainda estavam lá.

Esperando.

Minhas.

Eu cheguei perto e sentei ao lado, sem pressa, encostando de leve, tomando cuidado com a Aurora.

Renata apoiou a cabeça no meu ombro.

E dessa vez... eu não me afastei.

O silêncio voltou, mas agora era outro.

Tranquilo.

Certo.

Eu olhei pra frente, sem pensar em fuga, sem pensar em ataque, sem pensar em amanhã.

Só naquele momento.

E pela primeira vez...

eu não queria sair correndo.

Não queria resolver nada.

Não queria controlar nada.

Eu só queria ficar.

Carioca: Aurora...

Falei baixo, como se estivesse testando o nome no ar.

E encaixou.

Perfeito.

A noite ainda tava lá fora.

Escura.

Imprevisível.

Mas ali dentro...

tinha luz.

E dessa vez...

eu não ia deixar apagar.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora