Renatinha narrando...
Eu mal conseguia sentir o próprio corpo direito, era como se tudo estivesse leve e pesado ao mesmo tempo, a dor ainda ali, mas distante, sendo engolida por outra coisa muito maior... o som dela.
O chorinho pequeno, falhado, mas cheio de vida, preenchendo tudo, ocupando um espaço que antes era só medo. Eu olhava pra ela nos meus braços e parecia impossível que aquilo tivesse saído de mim, tão pequena, tão delicada, os dedinhos se mexendo, o rostinho amassadinho, perfeita de um jeito que eu nem sabia explicar.
Renata: Ela... ela é tão pequenininha...
Minha voz saiu fraca, emocionada, quase sem fôlego, enquanto eu tentava encostar ela mais perto de mim, como se aquilo garantisse que ela continuasse ali, segura. Eu ainda tremia, ainda sentia o corpo cansado, mas nada disso importava mais.
O Carioca tava diferente.
Não era o mesmo de antes, o olhar pesado, calculista... não. Ele tava parado, olhando pra gente como se tivesse descoberto algo novo, algo que nem ele sabia que existia. Tinha um brilho ali... um cuidado que eu nunca tinha visto.
Renata: Você viu...?
Ele nem respondeu na hora, só chegou mais perto, devagar, como se estivesse com medo de quebrar o momento. Quando ele falou, a voz veio baixa, rouca, mas carregada de algo que eu senti na hora.
Carioca: Vi...
Ele abaixou um pouco, olhando pra nossa filha, e eu percebi o jeito que ele analisava cada detalhe, mas não como antes... não como quem desconfia... como quem se encanta.
Ficou um silêncio leve, diferente de tudo que a gente tinha vivido até ali.
E então ele falou.
Simples.
Direto.
Mas com um peso que fez meu coração apertar.
Carioca: Aurora.
Eu franzi a testa de leve, ainda meio perdida, tentando entender.
Renata: O quê...?
Ele levantou o olhar pra mim, firme, mas com uma suavidade que não combinava com tudo que ele era antes.
Carioca: O nome dela. Aurora.
Eu olhei pra nossa filha de novo, repetindo na cabeça.
Aurora.
E fez sentido na hora.
Depois de tudo... da noite... do caos... da dor...
ela tinha chegado como luz. Deusa do amanhecer.
Meus olhos encheram de lágrima de novo, mas dessa vez veio junto um sorriso, mesmo cansada, mesmo destruída por dentro.
Renata: Aurora...
Falei baixinho, como se estivesse apresentando o nome pra ela também.
Renata: Você gostou, meu amor...?
Eu encostei o rostinho nela de leve, sentindo o calor, o cheirinho, tudo tão novo... tão nosso.
Levantei o olhar pra ele de novo.
Renata: É lindo...
A voz saiu sincera, cheia de sentimento, porque não era só o nome... era o momento, era o que aquilo significava.
E pela primeira vez... no meio de tudo errado...
parecia que alguma coisa tinha dado certo.
(...)
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Roman pour AdolescentsRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
