Capitulo 62 ✨

65 1 0
                                        

Renata: Ficar como, Carioca? Porque sumir você já mostrou que sabe.

Ele respirou fundo, passou a mão no rosto e andou devagar pela sala, daquele jeito dele, pesado, como quem já viveu coisa demais pra falar leve.

Carioca: Eu vacilei, tá ligado. Não vou ficar de caô contigo não... eu vacilei feio contigo.
Renata: Vacilou pouco, né? Só me deixou grávida, ameaçada e sozinha por meses.
Carioca: Eu sei.
Renata: Não, você não sabe, mas continua.

Ele parou, me olhou direto dessa vez, sem fugir.

Carioca: A Cléo... tava mentindo.

Eu franzi a testa na hora.

Renata: Mentindo com o quê?
Carioca: Com tudo. Até com essa parada de gravidez.

O ar pareceu mudar de novo.

Renata: Como assim?
Carioca: Ela não tava grávida, Renatinha.
Renata: Você tá falando sério?
Carioca: Tô. Já tava com isso atravessado faz tempo... fui atrás, cavei, pressionei... a casa caiu pra ela.
Renata: E como você descobriu isso?

Ele encostou na parede, cruzando os braços, mais fechado.

Carioca: Médico, exame... e pressão também. Tu sabe como é, né? Quando aperta, nego se enrola. Ela se perdeu na própria mentira.
Renata: E você acreditou nela esse tempo todo?
Carioca: Acreditar eu não acreditava 100%, não... mas também não dava pra ignorar. Tinha gente de olho, situação envolvida... eu precisava ter certeza antes de virar tudo.
Renata: Enquanto isso eu tava aqui, né?
Carioca: Eu sei.
Renata: Sempre "eu sei". Impressionante.

Ele ignorou a ironia, continuou, mais direto.

Carioca: Quando eu tive certeza... eu resolvi.
Renata: Resolveu como?
Carioca: Cortei. Tirei ela de cena.
Renata: Só isso?

Ele me olhou, firme.

Carioca: Pra mim já foi coisa pra caralho fazer isso. Tu não faz ideia de como tava amarrado.
Renata: Ela simplesmente aceitou?
Carioca: Não.
Renata: Óbvio que não.
Carioca: Ela tentou crescer, virar o jogo... falou que tu tava mentindo, que esse filho não era meu, que tu tava me usando.

Eu ri sem humor.

Renata: Clássico.
Carioca: Só que dessa vez... não colou.
Renata: E você acreditou em mim?

Ele chegou um pouco mais perto.

Carioca: Eu sempre soube que tu não ia mentir com uma parada dessa, Renata.
Renata: Engraçado... porque parecia bem confortável ficando longe.
Carioca: Não era conforto, não.
Renata: Parecia.

Silêncio curto.

Carioca: Eu tava lá resolvendo tudo, deixando o caminho limpo.
Renata: E aqui?

Ele não respondeu na hora.

Renata: Aqui era problema meu, né?
Carioca: Eu achei que tu tava de boa aqui.
Renata: Achou errado.
Carioca: Eu sei que errei.
Renata: Não é só erro, Carioca. É consequência.

Ele respirou fundo, olhando pra baixo por um segundo.

Carioca: Eu limpei o que tinha que limpar.
Renata: Isso inclui o quê exatamente?
Carioca: Inclui ela fora. Inclui quem tava colado com ela afastado. Inclui tu não precisar mais ficar em choque com qualquer barulho de porta.

Eu dei uma risada curta.

Renata: Engraçado você falar isso... porque virou rotina.

Ele me olhou em silêncio.

Renata: Eu passei meses esperando problema chegar.
Carioca: Não vai chegar mais.
Renata: Você garante?
Carioca: Garanto.
Renata: Você também garantiu outras coisas.
Carioca: Eu não vim aqui pagar de certinho nem prometer coisa bonita. Tô aqui porque agora acabou mesmo.
Renata: Acabou pra você.
Carioca: Pra gente.
Renata: "Pra gente" é forte pra quem sumiu.

Ele chegou mais perto de novo, mas ainda respeitando o espaço.

Carioca: Eu não sumi, não. Eu tava resolvendo.
Renata: Pra mim deu na mesma.

Ele olhou pra minha barriga de novo, mais sério, mais quieto.

Carioca: Eu perdi muita coisa?
Renata: Tudo.
Carioca: Então me dá a chance de correr atrás.
Renata: Não é assim que funciona.
Carioca: Então como é?

Eu respirei fundo, passando a mão na barriga devagar.

Renata: Agora... você vai ter que provar. Porque falar... você sempre soube.

Ele assentiu devagar.

Carioca: Tá bom.
Renata: E começa sendo sincero comigo.
Carioca: Eu tô sendo.
Renata: Não. Sincero de verdade.

Ele me olhou, esperando.

Renata: Você ficou com ela esse tempo?

Eu fechei os olhos por um segundo, segurando tudo.

Renata: Tá bom.
Carioca: Renata...
Renata: Não, tá bom. Eu pedi sinceridade.

Silêncio.

Eu abri os olhos de novo, mais firme, mais fria.

Renata: Agora a gente começa do zero.

Ele franziu levemente a testa.

Carioca: Do zero?
Renata: Do zero.
Renata: Sem mentira, sem esconder coisa, sem sumir. E principalmente... sem me colocar em risco de novo.

Ele sustentou meu olhar.

Carioca: Eu fico.
Renata: Ficar não é o difícil. Quero ver merecer.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora