A moto cortava a noite como se tivesse vida própria, pulando buraco, virando seco, desviando de tudo, e eu sentia cada movimento dela refletir no corpo da Renata colado no meu, os braços dela apertados na minha cintura, a respiração falhando no meu ouvido, quente, irregular, doendo mais em mim do que qualquer tiro podia doer.
Carioca: Aguenta... aguenta só mais um pouco...
Minha voz saía baixa, quase sendo levada pelo vento, mas eu sabia que ela tava ouvindo, porque a mão dela apertava mais forte cada vez que a dor vinha.
Renata: Tá... tá doendo muito...
Aquilo veio fraco, quebrado, e eu senti o corpo dela enrijecer atrás de mim, e foi aí que eu acelerei mais, sem nem pensar no risco, porque perder o controle da moto ainda era melhor do que perder ela.
Vitinho vinha logo atrás, colado, olhando pra tudo, enquanto Alemão puxava a frente abrindo caminho, como se já tivesse tudo calculado.
Vitinho: Tem carro subindo lá de baixo!
Alemão: Corta pela esquerda!
Eu virei sem pensar, entrando numa viela ainda mais apertada, o guidão quase batendo nas paredes, o som das motos ecoando alto demais pra quem tava fugindo, mas não tinha mais opção de silêncio.
Carioca: Segura firme, Renatinha!
Ela não respondeu, só se agarrou mais, e aquilo me deu um aperto no peito que eu não sabia nem explicar, porque eu já tinha visto muita coisa na vida... mas nunca assim.
A moto saiu da viela e caiu numa rua mais aberta, e eu já vi as luzes lá atrás, movimento, gente descendo, o morro acordando pra cima da gente.
Vitinho: Tão vindo!
Carioca: Eu sei!
Minha cabeça tava a mil, calculando rota, tempo, distância, mas ao mesmo tempo travada numa coisa só... tirar ela dali viva.
Renata soltou outro gemido, mais forte dessa vez, o corpo praticamente cedendo contra o meu.
Renata: Eu não vou conseguir...
Aquilo bateu errado.
Forte.
Eu balancei a cabeça, como se pudesse negar aquilo só na vontade.
Carioca: Vai sim... tu vai sim... olha pra mim... confia em mim...
Ela encostou a cabeça nas minhas costas, sem força, e eu senti aquilo como um alerta pior do que qualquer perseguição.
Alemão diminuiu a velocidade mais à frente, esperando a gente alcançar.
Alemão: Chefe, não dá pra levar ela assim até muito longe!
Vitinho: Tem uma casa mais na frente, segura, de um contato!
Eu encostei mais a moto, chegando perto deles, sem parar totalmente.
Carioca: É confiável?
Vitinho: É o que tem!
Eu olhei rápido pra trás, vendo as luzes ficando mais próximas, o barulho aumentando.
Carioca: Então é lá.
A gente virou junto, entrando numa rua mais escondida, mais escura, até parar de vez em frente a uma casa simples, portão fechado, luz apagada, mas com aquele ar de quem já serviu de refúgio antes.
Eu desliguei a moto sem nem esperar direito, já descendo e segurando a Renata antes mesmo dela tentar.
Carioca: Calma... eu te seguro...
Ela praticamente caiu nos meus braços, sem conseguir sustentar o próprio peso direito, e aquilo me deu um desespero silencioso que eu tive que engolir na hora.
Alemão já batia no portão com força.
Alemão: Abre! Abre logo!
Vitinho olhava pra trás, tenso, atento a qualquer movimento. Renata apertou minha camisa de novo, respirando com dificuldade.
Renata: Eu tô com medo...
Aquilo me atravessou. Eu aproximei o rosto do dela, falando mais baixo agora, mais firme.
Carioca: Ei... olha pra mim... tu não vai passar por isso sozinha... eu tô aqui... o tempo todo...
Ela tentou assentir, mas outra contração veio forte, fazendo ela se encolher de dor nos meus braços.
E foi aí que o portão abriu.
Rápido.
Seco.
Alemão: Entra!
Eu não pensei duas vezes.
Entrei com ela nos braços, sem olhar pra trás, enquanto Vitinho já fechava tudo e o som das motos lá fora continuava crescendo.
E naquele momento... pela primeira vez desde que tudo começou... a guerra ficou do lado de fora.
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VENDIDA AO DONO DO MORRO
Teen FictionRenatinha tem 16 anos e veio de São Paulo pra o Rio de Janeiro faz pouco tempo. Seu pai conheceu Ana, uma viciada, nos bailes do morro, e a levou para morar com ele. Ela é literalmente a versão má de madrasta. Os dois batem e forçam Renatinha a trab...
