Capitulo 73 ✨

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A moto cortava a noite como se tivesse vida própria, pulando buraco, virando seco, desviando de tudo, e eu sentia cada movimento dela refletir no corpo da Renata colado no meu, os braços dela apertados na minha cintura, a respiração falhando no meu ouvido, quente, irregular, doendo mais em mim do que qualquer tiro podia doer.

Carioca: Aguenta... aguenta só mais um pouco...

Minha voz saía baixa, quase sendo levada pelo vento, mas eu sabia que ela tava ouvindo, porque a mão dela apertava mais forte cada vez que a dor vinha.

Renata: Tá... tá doendo muito...

Aquilo veio fraco, quebrado, e eu senti o corpo dela enrijecer atrás de mim, e foi aí que eu acelerei mais, sem nem pensar no risco, porque perder o controle da moto ainda era melhor do que perder ela.

Vitinho vinha logo atrás, colado, olhando pra tudo, enquanto Alemão puxava a frente abrindo caminho, como se já tivesse tudo calculado.

Vitinho: Tem carro subindo lá de baixo!
Alemão: Corta pela esquerda!

Eu virei sem pensar, entrando numa viela ainda mais apertada, o guidão quase batendo nas paredes, o som das motos ecoando alto demais pra quem tava fugindo, mas não tinha mais opção de silêncio.

Carioca: Segura firme, Renatinha!

Ela não respondeu, só se agarrou mais, e aquilo me deu um aperto no peito que eu não sabia nem explicar, porque eu já tinha visto muita coisa na vida... mas nunca assim.

A moto saiu da viela e caiu numa rua mais aberta, e eu já vi as luzes lá atrás, movimento, gente descendo, o morro acordando pra cima da gente.

Vitinho: Tão vindo!
Carioca: Eu sei!

Minha cabeça tava a mil, calculando rota, tempo, distância, mas ao mesmo tempo travada numa coisa só... tirar ela dali viva.

Renata soltou outro gemido, mais forte dessa vez, o corpo praticamente cedendo contra o meu.

Renata: Eu não vou conseguir...

Aquilo bateu errado.

Forte.

Eu balancei a cabeça, como se pudesse negar aquilo só na vontade.

Carioca: Vai sim... tu vai sim... olha pra mim... confia em mim...

Ela encostou a cabeça nas minhas costas, sem força, e eu senti aquilo como um alerta pior do que qualquer perseguição.

Alemão diminuiu a velocidade mais à frente, esperando a gente alcançar.

Alemão: Chefe, não dá pra levar ela assim até muito longe!
Vitinho: Tem uma casa mais na frente, segura, de um contato!

Eu encostei mais a moto, chegando perto deles, sem parar totalmente.

Carioca: É confiável?
Vitinho: É o que tem!

Eu olhei rápido pra trás, vendo as luzes ficando mais próximas, o barulho aumentando.

Carioca: Então é lá.

A gente virou junto, entrando numa rua mais escondida, mais escura, até parar de vez em frente a uma casa simples, portão fechado, luz apagada, mas com aquele ar de quem já serviu de refúgio antes.

Eu desliguei a moto sem nem esperar direito, já descendo e segurando a Renata antes mesmo dela tentar.

Carioca: Calma... eu te seguro...

Ela praticamente caiu nos meus braços, sem conseguir sustentar o próprio peso direito, e aquilo me deu um desespero silencioso que eu tive que engolir na hora.

Alemão já batia no portão com força.

Alemão: Abre! Abre logo!

Vitinho olhava pra trás, tenso, atento a qualquer movimento. Renata apertou minha camisa de novo, respirando com dificuldade.

Renata: Eu tô com medo...

Aquilo me atravessou. Eu aproximei o rosto do dela, falando mais baixo agora, mais firme.

Carioca: Ei... olha pra mim... tu não vai passar por isso sozinha... eu tô aqui... o tempo todo...

Ela tentou assentir, mas outra contração veio forte, fazendo ela se encolher de dor nos meus braços.

E foi aí que o portão abriu.

Rápido.

Seco.

Alemão: Entra!

Eu não pensei duas vezes.

Entrei com ela nos braços, sem olhar pra trás, enquanto Vitinho já fechava tudo e o som das motos lá fora continuava crescendo.

E naquele momento... pela primeira vez desde que tudo começou... a guerra ficou do lado de fora.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora