Capitulo 47 ✨

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(...)

A porta abriu devagar.

Liz entrou, fechando atrás de si, e ficou me olhando por alguns segundos. Dessa vez... sem bronca. Só preocupação.

Liz: E aí... Fala comigo, amiga.

Engoli seco.

Renata: Eu fui muito idiota, né?
Liz: Para com isso.
Renata: Não, sério... eu fui. Eu achei que... — parei, sem conseguir terminar — sei lá o que eu achei.
Liz: Tu achou que ele podia escolher diferente.

Olhei pra ela. Aquilo doeu... porque era verdade.

Renata: Ele nem hesitou. Foi só apertar um pouco que ele já sabia o que fazer.
Liz: Ele não sabia, não... Ele só foi pro mais fácil pra ele.

Fiquei em silêncio.

Liz continuou:

Liz: Assumir a Cléo é o caminho que já tá desenhado. Tá todo mundo vendo, cobrando, esperando.

Ela virou o rosto pra mim.

Liz: Tu... era escolha. E escolha dá trabalho.
Renata: E eu não vali esse trabalho.
Liz: Não fala isso.
Renata: Mas é isso que parece! Ele olhou pra mim e falou pra eu ir embora... como se fosse simples. Como se eu não sentisse nada.

O silêncio caiu de novo, fazendo com que ela fizesse carinho no meu braço.

Renata: E ainda falou... — respirei fundo, segurando o choro — que se eu tiver grávida...
Liz: Eu sei. Aquilo ali foi baixo.
Renata: Eu não sei o que fazer, Liz.
Liz: Tu vai parar de tomar decisão no desespero, primeiro.

Olhei pra ela.

Liz: Amanhã tu compra um teste.
Renata: E se der positivo?
Liz: Aí tu decide.
Renata: Sozinha?

Liz arqueou a sobrancelha.

Liz: Tu acha mesmo que vai fazer isso sozinha?

Ela segurou minha mão.

Liz: Eu tô contigo, pô.
Renata: Eu tenho medo.
Liz: Eu sei... eu sei.

Ela deu um leve empurrão no meu ombro.

Liz: Mas para de achar que a tua vida acabou por causa de homem.

Soltei um riso fraco, ainda chorando.

Renata: Fácil falar.
Liz: Claro que não é fácil. Mas é necessário.

Ela inclinou a cabeça, me olhando com mais seriedade.

Liz: E outra... ele pode ser dono do morro, mandar em geral lá fora... mas a tua vida quem manda é tu.

Dessa vez, não tinha aquele silêncio sufocante. Era como se, no meio do caos... tivesse surgido um mínimo de chão.

(...)

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora