Capitulo 48 ✨

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Carioca narrando...

Anoiteceu mas o morro continua... som alto ao longe, moto subindo e descendo, gente rindo, gente discutindo... tudo acontecendo como sempre.

E ainda assim... nada parecia normal.

Eu tava sentado na laje, olhando, mas sem realmente ver nada.

O cigarro queimando entre os dedos.

Mais um.

Nem lembrava qual número já era. A cabeça não parava:

Renata.

Porra...

Carioca: Aquilo não era pra ter acontecido. Não daquele jeito!

Ela pode tá grávida.

Traguei o cigarro com força e soltei a fumaça devagar. Eu já tô com um filho vindo, me fez ver a imagem da Cléo veio na cabeça.

A cobrança. A responsabilidade.

Eu não sei lidar com isso, porque no morro eu sei lidar com tudo: Conflito, arma, cobrança, morte...

Mas sentimento? Sentimento enfraquece.

Pude ouvir passos se aproximando e nem foi preciso olhar pra saber.

Cléo: Tá aqui em cima escondido de novo?
Carioca: Tô suave.

Ela se aproximou, encostando a cabeça no meu ombro.

Cléo: Suave nada. Tá tudo estranho desde ontem.
Carioca: Impressão sua!
Cléo: Tem haver com ela, né?

O silêncio entregou e ela riu de leve, sem humor.

Cléo: Eu sabia.
Carioca: Não começa.
Cléo: Eu nem comecei.

Ela se aproximou mais...

Cléo: Tu acha que eu sou burra?
Carioca: Ninguém falou isso.
Cléo: Então não me trata como se fosse. Aquela garotinha tá mexendo contigo.
Carioca: Caô!
Cléo: Isso é um problema.
Carioca: Já resolvi.
Cléo: Resolveu?
Carioca: Mandei ela embora.

Ela ficou em silêncio por um segundo... e depois deu um sorriso de canto.

Cléo: Fez certo! Mas não resolveu tudo, né? O que tá acontecendo?
Carioca: Nada, Cléo.
Cléo: Não mente pra mim. — se aproximou — Eu te conheço, meu amor.
Carioca: Tá tudo tranquilo. Só coisa da boca.

Cléo riu, desacreditada.

Cléo: Coisa da boca? — balançou a cabeça — Tu nem tá indo pra boca direito.
Carioca: Minha cabeça tá cheia, só isso.

Cléo ficou em silêncio por um segundo... observando.

Analisando.

Até que o olhar dela mudou.

Cléo: Isso não é só estresse... tem haver com ela. Tu mandou ela embora... — parou e me encarou — mas não resolveu.

O meu coração pareceu travar. Cléo franziu a testa.

Cléo: Por quê?

E foi aí que caiu a ficha.

Devagar.

Cléo: ...não.

Ela riu, sem humor nenhum.

Cléo: Não, não, não...

Passou a mão no cabelo e me olhou com os olhos cheios de lágrimas.

Cléo: Não me diz que tu foi burro nesse nível.
Carioca: Cléo!?
Cléo: ELA TÁ GRÁVIDA? - gritou - Caralho...

Levou a mão à boca por um segundo, incrédula... e então a expressão virou outra coisa: raiva.

Cléo: Tu só pode tá de sacanagem comigo!
Carioca: Fala baixo.
Cléo: BAIXO?! Tu me engravida... e engravida essa ai?!
Carioca: Eu não sei se...
Cléo: MAS PODE TÁ!

Aquilo ecoou. Cléo respirava rápido agora, completamente alterada.

Cléo: Eu aqui, com filho teu... — apontou pra própria barriga — e tu fazendo filho em qualquer uma do morro?!
Carioca: Não fala assim. Ela não é qualquer uma!

Erro.

Grave.

Cléo arregalou os olhos, sem acreditar.

Cléo: Ah, tu ainda defende?! Inacreditável.

Passou a mão no rosto, tentando se controlar... mas não conseguindo.

Cléo: Tu tem noção da merda que tu fez? Isso aqui não vai acontecer.
Carioca: Cléo?
Cléo: NÃO VAI!

Ela apontou o dedo na minha cara.

Cléo: Eu não vou dividir isso. Não vou dividir homem, não vou dividir filho, não vou dividir porra nenhuma! Ou tu resolve isso... ou isso vai explodir na tua mão.
Carioca: Calma...
Cléo: Faz ela fazer um teste. E se tiver...

Ela deu um passo pra trás. O olhar duro.

Cléo: Tu já sabe o que tem que fazer. Porque eu não vou aceitar isso, tá me ouvindo?
Carioca: Cléo!?
Cléo: Tu quer virar piada no morro?

Aquilo bateu.

Carioca: Ninguém vai saber de nada.
Cléo: Vai sim.
Cléo: Aqui tudo se sabe.

Ela se aproximou de novo, agora mais fria.

Cléo: Tu já tem uma responsabilidade comigo. Resolve isso amanhã.

E saiu, me deixando ali, sozinho de novo.

Com a decisão já tomada... mesmo que não quisesse admitir.

VENDIDA AO DONO DO MORROHistórias para pegar e não largar. Descubra agora